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Como João de Deus conseguiu manipular a mais primitiva das emoções humanas, o medo, para cometer abusos sexuais, segundo as vítimas

16 de dezembro de 2018

 

“Tinha muito medo deles mandarem espíritos ruins, da minha vida se tornar miserável, de não conseguir dormir”.

A afirmação é da holandesa Zahira Mous a Pedro Bial. Ela é uma das únicas que, até agora, deu rosto à voz na onda de denúncias contra o médium João de Deus.

Como ela, diversas mulheres repetiram o mesmo padrão. Temiam retaliação espiritual.

Parece algo surreal, mas fica fácil de compreender quando vamos para o campo da fé.

Fé tem, originalmente, sentido de fidelidade. É um atributo de relacionamento.

As fiéis em questão que denunciaram os abusos temiam, portanto, a perda do relacionamento com o poder superior que cada uma tinha e acreditavam em João de Deus como mediador dessa relação.

Tal noção de perda ainda passa pela projeção humana de vingança. Ou seja, por carregarmos as inclinações de raiva e de quando terminamos um relacionamento a outra pessoa, segundo nossa ideia, tende a nos retaliar, as fiéis assediadas se sentiam acuadas a partir de um pensamento inconsciente: de que haveria uma vingança espiritual, como destacou a holandesa em sua fala.

Ao mexer com medo e fé, João tirava seus abusos do campo da razão. A mais primitiva das emoções, medo, aliada à fé, é elemento retubante contra a razão. Daí fazer sentido a situação subsequente que a holandesa viveu: a negação do que lhe aconteceu, pois a emoção predominava sobre a razão.

João de Deus teve a prisão preventiva decretada e é considerado foragido pelas autoridades policiais.

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