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Por que denúncias sobre corrupção são tratadas como verdade consumada e as de violência sexual não

16 de dezembro de 2018

 

Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha de S.Paulo, adverte o maior jornal do país em sua coluna neste domingo sobre a necessidade de se criar mecanismos para investigar denúncias de assédio sexual.

Ela destaca como o assunto é recheado do protecionismo nos círculos de poder, inclusive dentro dos jornais.

A coluna vem na esteira do caso do médium João de Deus.

Costa questiona algo extremamente pertinente. Reproduzo trecho de sua coluna:

Publicam-se longos relatos de delações premiadas, muitas das quais baseadas em inferências e em reprodução de conversas de terceiros. Nos casos de assédio, o relato de vítimas é tratado com desconfiança máxima, exigindo provas concretas, como se a maioria dos crimes sexuais pudesse ser (e tivesse de ser) atestada por meio de exames médicos e perícias científicas. A realidade mostra que não é assim.

A ombudsman relembra que, em 2009, a Folha foi o primeiro jornal a explorar relatos de denúncias contra o médico Roger Abdelmassih. Mas houve muitas precauções: A reportagem não foi editada na capa do caderno nem tinha chamada na primeira página.

Parêntese meu: é indispensável o direito ao amplo contraditório e não se devem tomar denúncias como fatos consumados. Mas é preciso mexer no pensamento vigente que ainda predomina sobre desacreditar as vítimas de violência sexual.

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