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A sangue frio: ‘Como vou viver agora?’, indaga marido que viu a mulher ser morta ‘por pura perversidade’ em Patu

11 de janeiro de 2019

Nas primeiras horas de 12 de setembro de 2018, 100 policiais das forças militar e civil se mobilizaram no interior do Estado para deflagrar a Operação Armagedon, que mirava o tráfico de drogas nas cidades potiguares de Umarizal e Parnamirim.

Os primeiros raios de sol mal tinham saído, quando um dos carros com os policiais avistaram dois vultos caminhando à margem da estrada pela qual se chega à Umarizal.

A caminhada matinal era rotina do casal de agricultores Francisca Alves Silva Oliveira, 68, e Francisco Alves de Oliveira, 70. Dentro do carro em que estava o delegado Sandro Regis, a caminho da Operação Armagedon, um policial comentou:

– Rapaz, esse casal caminha aqui todo dia. É um perigo para eles, numa hora dessas, nesse lugar deserto.

Tal qual uma profecia, as palavras de setembro se materializaram no horror que se abateu sobre Patu, no Oeste potiguar, quando o casal, na mesma rotina da caminhada matinal, foi tomado de assalto por um grupo de quatro homens no início da quarta (9).

Como em ‘A Sangue Frio’, drama que consagrou o escritor Truman Capote, Wilson Edino de Freitas Jales, Israel Franco de Oliveira, Júlio Ricardo Neto e Leonardo Rodrigues do Nascimento, dirigiram a caminhonete branca sobre a vida do casal, manobraram o carro sobre o desespero que se irradiou em Francisca e Francisco e anunciaram a morte. 

A sangue frio.

– Vocês vão morrer – sentenciou o médico Wilson Edino de Freitas – cortando as primeiras horas da quarta-feira com disparos que atingiram Francisca, lhe tirando a vida na hora.

O marido só conseguiu correr, enquanto ouvia o som aterrorizante da morte lhe perseguir nos disparos que se sucediam.

A versão aqui apresentada foi obtida com exclusividade pelo Blog do Dina a partir do depoimento de Francisco, revelado ao blog em entrevista exclusiva concedida pelo delegado Sandro Régis. Com 22 anos de Polícia Civil, ele disse que nunca viu algo do gênero.

– Mesmo para mim, foi surpreendente. Eu fiquei mexido. Não consegui ficar bem durante a quarta-feira toda. Ainda estou meio assim com toda essa história – revelou o delegado.

Segundo contou, em depoimento à polícia, o marido de Francisca mostrou-se devastado após a tragédia.

Ele tentou evitar tudo depois dos eventos. Para conseguir seu depoimento, os policiais precisaram explicar a importância que tinha a prova testemunhal da única vítima que sobreviveu.

– Como vai ser agora, meu Deus? Como eu vou viver? – indagou Francisco diante dos policiais. Ele e sua esposa moravam sós e eram a companhia um do outro.

O casal não conhecia o médico nem nenhum outro dos envolvidos no crime. Desde que a tragédia se aplacou sobre sua vida, Francisco se questiona sobre o porquê de tudo isso, descrito pelo delegado Sandro Regis como matar ‘por pura perversidade’.

Para esta reportagem, o Blog do Dina não conseguiu contato com a defesa de Wilson. A reportagem deixou mensagem com o advogado e aguarda retorno. Não conseguimos localizar as defesas dos demais citados.

Eles tiveram pedido de prisão preventiva formulado à Justiça e estão detidos, conforme a imagem que ilustra esta reportagem, aguardando a deliberação judicial.

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