[OPINIÃO] The Intercept Brasil perde ao focar apenas em Moro e ter atuação com forte viés ideológico

Desde que as primeiras revelações do The Intercept Brasil (TIB) vieram a público na noite de 9 de junho, a pauta do país está vinculada ao que está por vir.

É possível olhar para caso da Vaza Jato, nome dado à série de reportagens, fora do olhar binário de bem versus mal.

Não precisa ser inteligente.

Só responsável.

Ou em outras palavras: não olhem para o episódio apenas sob uma perspectiva.

Se, por um lado, o material é escandaloso por revelar união entre acusação e juiz; por outro, a estratégia do TIB fragiliza a credibilidade.

Na primeira reportagem, o site expôs a dobradinha entre os procuradores e o juiz e cumpriu seu papel. De lá para cá fica fazendo alarido nas redes sociais e divulgando conversas que não acrescentam novos episódios, mas só reforçam os primeiros diálogos.

O TIB não é órgão judicial e não está obrigado a ser imparcial, por exemplo. Mas o que exatamente o difere do que Sérgio Moro fez?

Ao mirar apenas em um personagem, e ao adotar um estilo verborrágico com forte viés partidários, o TIB enodoa o alcance que poderia ter do material, que, vejam só, repercute muito bem na esquerda e muito mal na direita.

Ao contrário do que pretendem os editores do site, quando dizem que a sociedade tem o direito de saber o que houve nas entranhas da Lava Jato (concordo!) para que, a partir daí, decida que Brasil quer para si, as reportagens mais têm contribuído para aprofundar a cisão atual do fla x flu do que para gerar reflexão.

Como os editores mesmo espalham que só estão no início, só resta esperar se os rumos da estratégia de divulgação serão mantidos.

Ou corrigidos.

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dinarteassuncao

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