Ilegalidade seletiva: por que um áudio de 2014 sobre Erick Pereira só foi vazado agora?

A edição que está nas bancas digitais da revista Crusoé traz um áudio em que Ricardo Saud (JBS) fala com o advogado Erick Pereira dizendo que precisará deste para tratar de coisas sobre o pai, o ministro do TST, Manoel Pereira.

Antes de prosseguir:

1) O Ministério Público Federal no RN pediu que a PGR apurasse o envolvimento do ministro do TST em irregularidades;

2) A PGR negou porque não viu elementos para subsidiar uma apuração criminal e determinou que o caso prossiga apenas com investigação sobre Erick.

3) Em 28 de junho, o TRF5 determinou que as provas obtidas na Operação Balcão, contra Erick Pereira, sobre compra e venda de sentença no TRE-RN, fossem lacradas até posterior deliberação, porque havia evidências de que material que não tinha relação com o caso estava sendo utilizado para outros fins, o que foi proibido pela Justiça;

4) Nesse contexto, um áudio de 2014 é sacado de processos protegidos por sigilo judicial e vira manchete da Crusoé. Atentem que estou chamando atenção para o vazamento, e não a publicação. Ao contrário do gado que defende investigação sobre o The Intercept, acredito que a Crusoé fez seu papel.

“Ai, lá vem você defender corrupto, Dinarte”.

É mesmo? Talvez o histórico de meu blog lhe ajude. Tenho contado a história desse caso sem ocultar detalhes.

Que defesa estranha a que faço de corruptos.

Superada a fulanização, cumpre perguntar: vale tudo para promover Justiça?

Se você acha que vale, deve se lembrar que sua resposta não discrimina sujeitos e que o uso do Estado para retaliar hoje é praticado contra pessoas de quem você não gosta, e por isso o endosso.

É a ilegalidade seletiva, muito em voga nos tempos atuais.

Mas e quando esse leviatã se insurgir contra quem você tem, vamos usar essa palavra, simpatia?

Aí você vai cobrar a promoção da Justiça dentro do ordenamento legal.

Que estou cobrando agora independentemente do fulano emaranhado no caso.

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dinarteassuncao

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