Como um festival na Praia do Meio a R$ 4,00 o ingresso terminou associado a uma facção criminosa e criou um problemão

Realizado no fim de semana na Praia do Meio, o Natal Fest ambiciona se tornar um grande projeto que valoriza o cantor da terra, mas os contornos que a festa ganhou deixou gente de orelha em pé, incluindo os órgãos de fiscalização.

O festival foi licenciado pela Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) com estimativa para receber mil pessoas em cada um dos três dias de realização.

Mas dois problemas surgiram no decorrer da festa: a Polícia Militar e a Semurb terminaram dentro do evento, no sábado (7), cobrando o fim da zoeira à meia noite.

Por outro lado, os organizadores querem saber o porquê de o festival ter sido associado à facção criminosa Sindicato do RN. Para eles, foi essa associação que levou à intervenção no sábado.

Passaram pelo palco diversas bandas, incluindo a banda Grafith, que repudiou a associação de seu nome à facção criminosa.

A entrada inicial era prevista em R$ 5,00, mas foi baixada para R$ 4,00. Pela estimativa de público, foram até R$ 120 mil nos três dias.

Licença

Licenciadora do evento, a secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo colocou várias condicionantes para a realização do evento.

Entre os condicionantes para a licença estavam não obstruir vias públicas. Mas tapumes foram passados para restringir o acesso a quem pagasse. Foi o descumprimento dessa condicionante que levou fiscais da Semurb, garantiu a pasta ao Blog do Dina, a intervir na festa sábado.

Além disso, a pasta também quer saber porque foi cobrada taxa para entrada no evento já que ele foi licenciado sem fins lucrativos – e para onde foi o dinheiro.

O órgão de meio ambiente confirmou ao blog que autuará os organizadores.

“Quero saber de onde saiu a história da facção”

Um dos organizadores do festival, Leonel Bonifácio, se indignou com a associação ao Sindicato do RN e quer explicações. Para ele, foi essa associação que prejudicou o evento.

O boato da facção começou com vídeos nas redes sociais, dando conta de que a festa era realizada pela facção criminosa.

Oficialmente, a Polícia Militar explicou ao Blog do Dina que cumpriu o rito da licença da Semurb e passou na festa para fiscalizá-la.

Segundo explicou Leonel, o evento teve apoio cultural do vereador Luiz Almir, que idealizou um projeto de lei para se contrapor ao avanço da fiscalização da Semurb sobre artistas da terra. “Você acha que Luiz Almir faria algo errado?”, questionou Bonifácio. Almir não foi contatado pelo blog. Ele se recupera de procedimento cirúrgico.

Para onde foi o dinheiro?

Segundo Leonel, o dinheiro foi rateado entre os artistas locais. Ele não informou o valor total arrecadado. Leonel reclamou ainda do que considera uma banda da Semurb interessada em prejudicar os artistas.

Ao Blog do Dina, Júnior Grafith comentou que a banda topou o projeto por pensar no futuro, já que a aposta é de que cresça, e afirmou que o cachê foi entre 20% e 30% do que normalmente é cobrado para cobrir despesas de manutenção. O blog apurou que a banda recebeu R$ 5 mil.

Ele repudiou a associação com facção criminosa. “Estamos há tanto tempo na estrada porque fazemos o certo. Além disso, o show era antes de uma apresentação em Macau. Dava para encaixar”, explicou.

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dinarteassuncao

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