Baixaria no Instagram da parada LGBT de Natal expõe racha no movimento e disputa política

Uma conversa via mensagens pelo Instagram entre o perfil da parada LGBT de Natal e uma internauta acabou virando uma crise pelo contorno que ganhou.

Ao chamar a garota que cobrava por informações sobre a parada LGBT de Natal de ‘mau comida’ [sic], o perfil acabou expondo uma conduta de machismo, curiosamente uma das coisas contra as quais o movimento LGBT mais luta.

 

 

Em nota posterior, o movimento reconheceu a autenticidade das mensagens, mas as repudiou. Informou se tratar de um integrante que estava encarregado de manejar o perfil, que foi afastado. Garantiu ainda que o pensamento dele não reflete a luta do movimento LGBT.

 

Mas o episódio foi a gota d’água para expor um racha que avançou para a convocação de uma plenária, distribuída no movimento sob o seguinte chamado: “Por uma parada LGBT que nos represente”.

Por que, afinal, o atual movimento não representa os LGBTs de Natal?

“Porque é um pessoal ignorante que não dar valor à cena atual nem visibilidade à diversidade. Como uma parada que vai homenagear Stonewall não tem negros nem trans na programação?”, indaga o artista Pedro Monteiro. Stonewall foi movimento que deu origem à defesa dos direitos LGBTs em Nova York, em 1969.

Os artistas tem se indignado ainda com o que relatam serem abusos. Mesmo com alguns se oferecendo para se apresentar gratuitamente, há resistências por parte da organização.

“Só um grupo está sendo representado nessa parada: o grupo dos amigos dos organizadores. Não tem condições de a gente ter só amigos pessoais dos organizadores da festa contratados para tocar”, critica a artista Vitta Dias, 20, trans que também cobra representatividade.

‘Onde essas pessoas estavam na hora da luta?’

Um dos organizadores da Parada LGBT de Natal, Wilson Dantas, do Fórum LGBT Potiguar, lamentou a repercussão do caso e rebateu todas as críticas.

“Eles querem mídia e repercussão. Uma mídia negativa. Cada um pode questionar o que quiser, mas onde estavam essas pessoas quando Zézero foi assassinado? Ninguém fez plenária. Onde estavam essas pessoas quando LGBTs foram assassinados em Assu? Onde elas estavam quando realizamos audiências públicas para discutir suicídios entre LGBTS e a questão do HIV?”

Para Dantas, as reclamações refletem preocupação legítima, mas meramente artística. “Eles não estão preocupados com direitos, só com quem vai fazer o ‘lainiup'”, diz ele aportuguesando a palavra inglesa line-up, que indica a ordem de apresentação de artistas.

Dantas ainda afirmou que a organização não pega sequer em dinheiro. Ele disse que é pedido a entidades públicas apoio logístico, e que os cachês dos artistas são pagos por editais públicos.

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dinarteassuncao

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