Convém saber se o ministro da Educação pretende apenas substituir os maconheiros de esquerda pelos cheiradores de pó da direita ao atacar as universidades federais

11 de dezembro de 2019

A primeira vez que fumei maconha na vida foi na UFRN.

Foi ali em algum lugar do Setor II.

Os maconheiros estão aí por toda parte.

Dizem que são de esquerda.

Já a direita é cheiradora de pó.

Parece haver algum sentido nessa divisão ideológica de entorpecentes.

Antes de ter overdose por cocaína e parar com esse estilo de vida, eu estava cercado por eleitores de Aécio. E eu não estava na universidade.

Mas que diabos, por que este preâmbulo?

Ah, sim. O ministro da Educação, Abraham Weintraub reafirmou hoje que há produção de drogas nas universidades federais.

Para embasar a fala, o ministro exibiu uma série de reportagens sobre o tema.

O problema é que as reportagens falam uma coisa – que alunos consumiram drogas em universidades como a UnB e a UFMG – e a fala do ministro diz outra: que há produção de drogas pela instituição, com permissão, portanto, dos gestores das universidades.

É uma coisa absurda de ser. Mas fica ainda mais inimaginável se dita da boca de um ministro da Educação.

O problema das drogas não existe nas universidades na mesma medida em que existe a corrupção na política, a pedofilia na igreja católica e a extorsão nos templos evangélicos.

Pois enquanto nas universidades os gestores não concorrem para disseminar a prática de uso de drogas, na igreja católica, evangélica e na política, os crimes que citei ocorrem sob anuência de suas lideranças.

É aviltante que alguém encarregado de promover políticas de Educação abrace, em nome da guerra ideológica, um ataque tão atroz a instituições que oferecem muito mais do que alunos maconheiros.

É bem verdade que o ambiente universitário é, por excelência, o campo onde as esquerdas dominam.

Mas se o ministro da Educação tem por objetivo reverter o cenário precisa agir com políticas, não com fake news.

A menos que sua intenção seja meramente acabar com os maconheiros de esquerda nas universidades.

E substitui-los pelos cheiradores de pó da direita.

É uma discussão inócua, mas não qual já vamos perdendo mais tempo do que deveríamo.

É uma discussão tão destrutiva quanto a maconha ou a cocaína.

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