Coronavírus: Potiguar admite que ‘pode ter se equivocado’ ao informar contato com chineses, mas nega intenção de má-fe

O homem que foi alçado à polêmica sobre o coronavírus no Rio Grande do Norte, Gustavo Pereira, afirmou em entrevista ao Blog do Dina que pode ter se enganado ao reportar a autoridades médicas que teve contato com chineses.

Foi na China que o vírus surgiu e contato com cidadãos desse país têm sido visto com cautela, apesar da recomendação da Organização Mundial da Saúde em sentido contrário.

Pereira, no entanto, diz que jamais agiu para enganar as pessoas ou fazê-las acreditar que ele estava infectado, o que seria o primeiro caso no Brasil se confirmado.

Pereira chegou ao Hospital Giselda Trigueiro na noite de quarta-feira (12), após ter sido encaminhado a partir da unidade oncológica do Hospital do Coração, segundo explicou. Ele contou que, por fazer tratamento contra leucemia crônica, procurou primeiro a unidade oncológica para reportar um sangramento atípico no nariz.

“Lá, meu médico investigou os dias anteriores e, em dado momento, perguntou se eu tinha tido contato com estrangeiros. Eu disse que sim. Que tinha tido contato, na Pipa, com estrangeiros, como argentinos e chineses”, conta ele.

A partir daí, o médico o teria encaminhado para o Giselda Trigueiro.

Pereira foi indagado pelo blog como sabia que os turistas com quem teve contato eram chineses. Segundo a Polícia Federal, chineses não entram no RN desde setembro de 2019. Não dá, contudo, para afirmar que Gustavo mente, já que a PF só responde por entrada em aeroportos – não monitorando vias terrestres de acesso por exemplo.

“Posso ter me enganado quanto ao contato com chineses. Poderiam ser de outra nacionalidade, já que asiáticos se parecem bastante, mas não inventei nada. Não inventei que estava com coronavírus”, garante.

As suspeitas de que a história da infecção por coronavírus não procediam levaram a reações extremas.

Nas redes, Gustavo foi hostilizado, lhe sendo atribuída a invenção da história, argumento reforçado pelo compartilhamento de mídia de pessoas se dizendo familiares dele, lhe atribuindo histórico anterior com mentiras.

“Há um áudio de uma prima, que é de terceiro grau, e tem todo interesse em me prejudicar porque é brigada com minha família, que, para mim, é meu pai e minha mãe, que é quem segura minha barra e me acompanham nos tratamentos que faço”, diz.

Em Baía Formosa, cidade natural do garoto, alguns usuários das redes sociais postam que Gustavo deve ser retaliado, razão pela qual até os médicos se preocupam em lhe dar alta.

“Quero pedir desculpas se causei transtorno, mas não disse, em momento nenhum, que estava com coronavírus. Eu nunca disse isso. Por ter sido encaminhado para o Giselda Trigueiro foi que tudo isso começou”, conta.

 

Gustavo conta que foi na manhã de quinta, após ter chegado ao hospital, que viu a repercussão do caso.

No hospital, ele foi isolado. Foi nessa área que houve um registro de foto sua compartilhado em redes sociais com a informação de que se tratava de alguém com suspeita de coronavírus.

A Secretaria Estadual de Saúde confirma em parte a versão de Gustavo, ou seja, que ele não disse categoricamente que tinha a doença, mas deu a entender que deveria ser tratado como suspeito de infecção pela história apresentada. A Polícia Civil vai apurar o caso.

“Tenho minha consciência tranquila. É muito fácil você criticar como estão fazendo comigo. Ninguém sabe o que estou passando. Ninguém sabe o que o outro passa, mas todo mundo sabe vir atirar pedra”, desabafou.

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