Expliquem-nos por que o socorro financeiro prioritário é a empresas e não a indivíduos

23 de março de 2020

Nicolas Nassim Taleb é o nome dele.

O homem que desenvolveu a tese do antifrágil, segundo a qual as coisas têm o potencial de se melhorarem diante de uma grande adversidade, lançou uma provocação que faz todo o sentido. Antes de prosseguir, parêntese para a MP.

O governo Jair Bolsonaro lançou uma Medida Provisória que permite suspender contratos entre empresas e trabalhadores por quatro meses.

Não vamos discutir a necessidade disso porque, bem, é, de fato necessário. Mas a MP foca em pessoas jurídicas. E as físicas?

Então recorro a Taleb, que tuitou: “Explique-me por que deveríamos gastar dinheiro dos contribuintes para resgatar empresas (companhias aéreas) que gastaram seu dinheiro comprando suas próprias ações para que o CEO obtivesse a opção, em vez de ter um amortecedor de crises. Devemos resgatar indivíduos com base nas necessidades, não nas corporações”

Trazendo para o Brasil: Por que deveríamos salvar empresas que não fizeram seguro? Que investiram tudo que tinham em si mesmas?

Deixa que quebrem.

O dinheiro deve socorrer as pequenas e médias empresas. Antes delas, devem socorrer indivíduos. Em meio à crise, serão os socorridos que criaram novos serviços mais fortalecidos contra ocasiões como as de agora.

Não dá para engolir que a prioridade seja salvar quem se comporta como peru: se passa o ano comendo o mesmo milho, agora chegou a hora de ser servido na ceia de Natal.

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