Marcelo Alves e o vírus da demência

2 de abril de 2020

Costumo ler os artigos que o procurador-regional do Ministério Público Federal, Marcelo Alves, escreve como articulista na Tribuna do Norte.

Um dos meus preferidos é de maio do ano passado, um tratado sobre moderação, onde Alves escreveu andar preocupado com “estes tempos em que radicais e amalucados pululam na nossa Justiça, na nossa política e na condução geral de nosso país.”

Mas não é sobre esse artigo que quero falar, mas sobre o mais recente, que recebi por WhatsApp seguido pelos emojis de aplausos, pois meu interlocutor concordava com o que lá estava escrito. Preferi abri o texto original, na Tribuna do Norte. Ei-lo aqui.

Se chama ‘O vírus da demência’. Ao terminar de lê-lo, imediatamente liguei para Marcelo.

O repórter dentro de mim tinha perguntas para fazer.

Já na abertura do texto, o chefe do Ministério Público Federal no Nordeste anota que ocupa o tinteiro para falar ‘Do e dos amalucados que querem mandar as pessoas às rumas sem a menor preocoupação com a saúde de todos e, sobretudo, daqueles mais vulneráveis’.

A elipse empregada me inquietou: Marcelo objetivou o plural genericamente, mas deixou um sujeito singular escondido.

Ele falou do e dos amalucados.

Estaria o chefe do Ministério Público Federal no Nordeste criticando pela omissão da elipse o presidente da República?

Liguei para Marcelo para perguntar porque me soa espantosa a ideia de que a politização do Brasil invada o Judiciário e os órgãos congêneres.

A mim é dado o direito de chamar Bolsonaro de tresloucado.

Do chefe do MP Federal, por mais que concorde com esse posicionamento, se espera a moderação de que Marcelo mesmo falou no artigo que mencionei anteriormente.

Solícito, Marcelo Alves atendeu. Introduzi o assunto, mas fui interrompido.

“O artigo fala por si. É um artigo de articulista de jornal. Não tenho o que acrescentar a ele. Você pode reproduzi-lo, mas não darei entrevista até porque está uma correria danada na Procuradoria”, cravou o procurador.

Não deu tempo de perguntar mais nada.

Mas não ficarei com as dúvidas só para mim, quais sejam:

Dá para dissociar entre a figura de articulista e de membro do MPF?

Está entre as missões institucionais de membro do MPF transitar no pantanoso terreno da política?

Concordo com o que Marcelo escreveu.

No artigo sobre moderação.

São tempos loucos.

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