A cruzada de Geraldo

os dias que anteciparam o anúncio pelo Governo do Estado da construção de um hospital de campanha dentro da Arena das Dunas, o secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia, sentou-se com Geraldo Ferreira, presidente do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed).

Na conversa, trataram sobre como seria o enfrentamento da covid-19, no RN. Ferreira, então, sugeriu que a secretaria firmasse contratos temporários com médicos do RN diante da força-tarefa que seria necessária. Cooperativas médicas foram mencionadas como alternativas.

Saiu da reunião convicto de que tinha algo definido, até o anúncio do governo de terceirizar o hospital para uma organização social desmoronar suas convicções.

“Para mim estava certo que seria assim. O secretário até pediu que estimássemos preços”, contou Ferreira em entrevista por telefone ao Blog do Dina.

Recomendados pela Organização Mundial de Saúde no enfrentamento à covid-19, os hospitais de campanha têm se proliferado mundo afora. No Rio Grande do Norte, no entanto, o que deveria ser a reprodução de um modelo global, resvalou para a discussão onde não se sabe onde termina a técnica e começa o político.

Ação judicial

Os médicos alegam que o investimento do governo em um equipamento transitório e ao custo de R$ 37 milhões dentro da Arena das Dunas deveria ser direcionado para ampliar a rede atualmente existente.

Já o governo prevê o colapso da rede existente e aposta na construção do equipamento para ter retaguarda.

A questão foi terminar na Justiça, mas, com decisões favoráveis ao Estado, Geraldo Ferreira avalia recuar.

“É muito difícil para um desembargador negar a construção de um hospital. Diante até desse acordo com o MP, vamos avaliar se devemos prosseguir com a ação”, comentou Ferreira.

O acordo tem nome próprio. Chama-se Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Por ele, MPRN, MPF e Governo do RN pactuaram que o hospital vai sair do papel, sob a lupa dos órgãos de controle.

“O que eu posso fazer se o MP concorda, não é?”, indagou Ferreira.

Política

Ao longo da conversa com o Blog do Dina, o presidente do Sinmed foi questionado sobre os contornos políticos que o embate tomou.

Historicamente, a virulência sindical de professores estão para governos de direita como as de médicos estão para os de esquerda.

“As nossas críticas não foram políticas, foram técnicas. O sindicato entrou sob pressão dos médicos. Não vi nenhum médico se posicionar dizendo que o sindicato estava errado, salvo aqueles filiados ao governo”, disparou Ferreira, que não se vê antagonizando com a administração estadual.

“Não tem isso de dois lados. O que nos preocupa é que as estruturas públicas não estão funcionando. Os lados são os mesmos: a saúde pública. Não tenho pretensão política. E se tiver ninguém tem nada a ver com isso”, exasperou-se o presidente do Sinmed.

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dinarteassuncao

Comment(1)

  1. REPLY

    Tereza says

    Dr Geraldo, , o desembargador relator decidiu que o meio utilizado não foi o adequado ao caso. E que o sindicato é parte ilegítima para tal fim.
    A sua parte foi feita. A sua intenção é nobre, verdadeira, real. A sua preocupação acredito que seja a de uma boa parte da população e dos médicos. Espero q a aplicação dessa verba seja muito bem fiscalizada para não ser tarde demais.
    Infelizmente muitos governantes se preocupam com o superficial, com o q não é duradouro. Pq para eles é muito simples aumentar impostos para fazer frente aos descalabros praticados.
    Creio em Deus que logo logo o Covid 19 será vencido. Israel já está em passos adiantados para concluir uma vacina.
    Parabéns Dr Geraldo a sua luta não será em vão.

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