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O que a expulsão de um torcedor do ABC apanhado com outro homem diz sobre quem é e quem não é ‘hétero absoluto’

17 de maio de 2020

Um vídeo em que um membro da torcida Garra Alvinegra, do ABC, aparece performando sexo anal animou o fim de semana de Natal pelas reações diversas que provocou.

Em um mundo menos imperfeito, a única reação possível seria condenar a divulgação do vídeo, mas não estamos num mundo menos imperfeito.

Tampouco houve apenas uma reação.

A torcida expulsou o rapaz porque ele aparecia fazendo sexo com outro. Uso o argumento que o símbolo dela, da torcida, aparecia no vídeo divulgado. O ABC repudiou a expulsão, mas houve quem concordasse.

É sobre essa reação que vou escrever.

O psiquiatra Francisco Daudt é autor de um artigo didático que ajuda a explicar de onde vem o medo que está na raiz dessa polêmica, o medo de iguais. Pincei trechos de Daudt ao longo deste texto.

Vem da Grécia Antiga e nada tem a ver com ódio a gays. Medo de iguais, qualquer igual, se chama homofobia.

Na origem de tudo, também, quando temos medo do diferente, a acepção correta é heterofobia.

Aí a coisa pega.

Homofobia passou para a modernidade não como medo dos iguais, mas como acepção generalizada para ‘ódio aos gays’.

A coisa é complexa e passa pela formação das identidades, mas, para resumir, veja que, em dado momento da infância, meninos se identificam com meninos. E aqueles que apresentam comportamento diferente, vejam bem, atenção, não são chamados de viadinho, mas de ‘mulerzinha’, ‘mariquinha’.

O errado é parecer menina.

Daí começa uma característica tipicamente do homem: a amizade que protege. Isso vem da ancestralidade, quando os homens saíam à caça e eram obrigados a confiar a sobrevivência nas mãos dos amigos.

Em termos de fidelidade, ou mesmo de intensidade, amor de amigo é único, forte e silencioso. Exceto quando o álcool entra: aí seus afetos tornam-se explícitos e sentimentais. Não há correspondente entre mulheres, é coisa de homem mesmo.

Mas só na bebedeira essa explicitude é perdoada; no resto do tempo, os amigos vivem se patrulhando, e/ou brincando, das possíveis veadagens de seus comportamentos.

Ocorre que camaradagem, amizade e amor sensual não têm fronteiras rígidas.

De modo que não é incomum um hétero entrar em crise com sua identidade masculina por ter vislumbrado em si um desejo, um olhar, uma atração “incorreta”.

Essa é a hora da ameaça, véspera do ódio.

Como um islâmico inseguro de sua fé, que precisa matar os infiéis por isso, o “abalado” sai à caça do seu novo inimigo: está inaugurado o homofóbico perigoso.

Ele quer matar fora algo que mora dentro de si: a suspeita de amor “errado”, capaz de destruí-lo como o “homem” que ele se concebeu ser.

É quando nascem notas como a da Torcida Garra Alvinegra.

É quando nascem reações que concordam com a expulsão.

É quando a homofobia retorna ao seu sentido original: medo de iguais.

Pois não existem homofóbicos entre héteros absolutos.

Eles não estão nem aí.

Comentários


3 respostas para “O que a expulsão de um torcedor do ABC apanhado com outro homem diz sobre quem é e quem não é ‘hétero absoluto’”

  1. Ruberval Muniz disse:

    To FORA. falta de assunto mais importante que isso! Quem dá e quem come são dois VIADOS, mais isto existe desde os tempos antigos e cada um com suas escolhas. EU NÃO GOSTO DESTA PRÁTICA.

  2. ROOSEVELT ARILMES MUNIZ DE ALBUQUERQUE disse:

    GRANDE IDIOTICE A PESSOA AGREDIR OUTRA PORQ E E AGE DIFERENTE DO Q ELA É
    CONCORDO Q QUEM FAZ ISTO ESTÁ QUERENDO DESTRUIR NO OUTRO O Q NO ÍNTIMO ELE É E NAO QUER DEIXAR APARECER

  3. Alysonvdb disse:

    Tbm não concordei com a expulsão!
    A torcida agiu de forma preconceituosa, assim como a maioria da sociedade!

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