Empresário relata ‘ter certeza’ que ex-secretário do governador da Bahia recebeu ‘verba ilícita’ em negócio de respiradores para o Nordeste

12 de junho de 2020

O empresário Paulo de Tarso Carlos, da Biogeonergy, um dos envolvidos na Operação Ragnarok, que apura fraudes na compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste, afirmou em depoimento ‘ter certeza que Bruno Dauster recebeu propina’.

O depoimento de Carlos foi obtido pelo Blog do Dina com exclusividade.

Bruno Dauster foi o secretário da Casa Civil do Governo da Bahia que operou as tratativas para a compra dos equipamentos. Ele deixou o governo Rui Costa com a repercussão do caso.

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A compra dos respiradores foi contratada à empresa Hempcare, que contratou a Biogeonergy após não conseguir importar da China. Os respiradores da Biogeonergy não têm, no entanto, certificação da Anvisa, o que foi um dos motivos que levou à rescisão contratual entre o Consórcio Nordeste e a Hempcare.

Ocorre que, pelo depoimento de Paulo de Tarso, Dauster “nunca se mostrou verdadeiramento interessado em resolver a situação, com a efetiva entrega dos respiradores ao Consórcio Nordeste ou a devolução do dinheiro”, disse Carlos.

Ao analisar a atuação de Dauster, ele cravou ter “certeza absoluta que Bruno Dauster recebeu verba ilícita da contratação com a Hempcare”.

Um dos interlocutores enter Dauster e Paulo de Tarso foi o intermediador Cléber Isaac, a quem a empresária Cristiana Prestes, da Hempcare, informou ter pagado R$ 3 milhões como comissão por fazer o relacionamento político com o Consórcio Nordeste.

Elo

A repercussão do caso da compra de ventiladores pelos estados do Nordeste começa a trazer à superfície o histórico dos personagens. No caso de Cleber Isaac, trata-se de agente com atuação no setor público e privado da Bahia há alguns anos.

Paulo Tarso de Carlos afirmou em seu depoimento que depois Cléber Isaac esteve presencialmente na fábrica de Biogeonergy falando em nome do Governo da Bahia e que havia ido inspecionar as máquinas produzidas.

Outro lado

Como vem fazendo desde o início, a reportagem procurou Bruno Dauster para comentar o caso. Dessa vez, ele não recebeu mais as mensagens enviadas – anteriormente, ele as havia recebido, mas não respondido.

Em nota divulgada na quinta (11), Dauster afirmou que jamais praticou qualquer “ato que gerasse prejuízo para o Estado”.

A nota foi em reação ao depoimento de Cristiana Prestes, divulgado pelo Blog do Dina, pela Tribuna do Norte e na imprensa da Bahia. E sobre isso ele falou que como não teve acesso aos depoimentos, não daria entrevista.

A íntegra da nota foi a seguinte:

Conduzi os principais projetos estruturantes do Estado da Bahia, durante seis anos, sem que pairasse qualquer dúvida quanto à minha probidade e conduta. Jamais pratiquei ou propus qualquer ato que gerasse prejuízo para o Estado. No caso que é objeto desta investigação, sempre busquei o melhor negócio para o Estado e para os cofres públicos. Portanto, não são verdadeiras as inferências que estão sendo veiculadas a meu respeito através da imprensa.

Afirmo que não tive acesso aos depoimentos e, por isso, não darei entrevistas neste momento. Desde o início, tentei evitar a politização deste caso. Lamento que se dê vazão a esse tipo de notícias que não passam de ilações e especulações. E desejo que as investigações sejam feitas no mais rápido tempo possível, pois todas as provas que serão apresentadas às autoridades, demonstrarão minha lisura durante esse processo.

Comentários


3 respostas para “Empresário relata ‘ter certeza’ que ex-secretário do governador da Bahia recebeu ‘verba ilícita’ em negócio de respiradores para o Nordeste”

  1. Tereza disse:

    Mais uma organização criminosa se revela no país.
    Muitas mortes ocorreram.
    São genocidas

  2. Carlos Brandão disse:

    Quem politizou através de um espúrio consórcio para afrontar o Presidente, fala em politicagem. Agora é com a justiça, graças a Deus, a da Bahia fora.

  3. […] depoimento que prestou à Polícia Civil da Bahia, o empresário Paulo de Tarso Carlos, da Biogeoenergy, afirmou ter ouvido de Cléber Isaac que esse […]

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