[ENTREVISTA] Empresário afirma ter avisado a governo da Bahia sobre irregularidades na compra de respiradores e não reitera declaração sobre propina

16 de junho de 2020

O empresário Paulo de Tarso Carlos, da Biogeoenergy, afirmou em entrevista ao Blog do Dina que avisou ao governo da Bahia que na transação da compra de respiradores estava sendo embutido valor inflacionado, que não foi detalhado.

A Biogeonergy foi a empresa a quem a Hempcare repassou R$ 24 milhões para fabricar respiradores no Brasil. A Hempcare recebeu R$ 48,7 milhões. Além da parcela da Biogeoenergy, houve ainda R$ 12 milhões para intermediários e mais R$ 10 milhões de lucro da empresa.

“Vendemos nosso produto por um preço justo para a Hempcare e ela tentou repassar para o consórcio por um preço inflacionado. Não compactuamos com isso. Avisamos o governo da Bahia sobre essa operação e para nossa surpresa, nós que denunciamos fomos acusados de fraude. Não há motivos para vender esse equipamento tão caro quanto o governo ia pagar. Nós não nos envolvemos nesse tipo de operação”, afirmou o empresário.

Ele foi procurado pelo Blog do Dina na sexta (12), e pediu que as perguntas fossem encaminhadas por escrito. Na segunda (15), eles as enviou com suas respostas.

No depoimento que prestou à Polícia Civil da Bahia e que foi obtido pelo blog, Paulo de Tarso afirmou ter certeza que o ex-secretário da Casa Civil de Rui Costa, Bruno Dauster, recebeu ‘verba ilícita’. Na entrevista, o blog insistiu para que ele detalhasse essa informação.

Mas Carlos se limitou a dizer que “Esse é um assunto para a Justiça e para a Hempcare esclarecerem. A mim cabe explicar os trâmites e como injustamente fomos inseridos nesse problema”.

O Blog do Dina também questionou a respeito dos pagamentos de R$ 12 milhões a intermediários, ao que o empresário respondeu desconhecer.

“Não tenho conhecimento porque nossa relação com a Hempcare diz respeito apenas ao contrato firmado entre as duas empresas. O que a Hempcare fez com os recursos do Consórcio do Nordeste é responsabilidade dela. O que recebemos, legalmente, pela transação acordada foi usado para a fabricação dos respiradores e estamos cumprindo a nossa parte”, afirmou.

Devolução dos recursos

A respeito da devolução dos R$ 24 milhões, Paulo Tarso de Carlos afirmou que quer devolver os recursos, desde que seja firmado um Termo de Ajustamento de Conduta. Ele explicou que o TAC é necessário em razão de como se deu a transação.

“Nós entendemos que o dinheiro veio do Estado, mas não temos contrato com o Estado e recebemos o que era de direito em meio a uma transação entre duas empresas. Nosso compromisso, caso seja firmado o Termo de Ajustamento de Conduta é sim devolver, para isso vamos nos desfazer das peças dos respiradores e nossa exigência é depositar diretamente na conta do Estado e não para Cristiana [dona da Hempcare]”, explicou.

O empresário explicou que, nesse sentido, a obrigação contratual que ele tem é com a Hempcare e não com os estados do Nordeste. Os respiradores contratados à empresa de Paulo de Tarso não tem certificação da Anvisa, coisa que, segundo ele, sempre ficou claro nas negociações.

“O que ela [Cristiana, da Hempcare] prometeu ao Consórcio do Nordeste não importa para a Biogeoenergy desde que a gente cumpra nossa parte no contrato e isso vamos fazer. Sempre ficou claro para a Hempcare que a entrega estaria condicionada a aprovação da Anvisa e apenas a partir do momento em que o órgão autorizasse. Demos entrada nas certificações Anvisa, passamos em todos os testes exigidos e estamos esperando isso acontecer.

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Uma resposta para “[ENTREVISTA] Empresário afirma ter avisado a governo da Bahia sobre irregularidades na compra de respiradores e não reitera declaração sobre propina”

  1. Bia Sincera disse:

    É Eita atrás de Vishi

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