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Quase metade das mulheres já sofreu assédio sexual no trabalho

6 de outubro de 2020

No começo deste ano, quando LinkedIn e Think Eva se juntaram para fazer uma pesquisa sobre assédio sexual no mercado de trabalho, esta reportagem procurou mais de 10 grandes empresas, brasileiras e multinacionais, para uma entrevista sobre as boas práticas que adotam para coibir esse tipo de crime. A recusa da maioria esmagadora em falar sobre o assunto deixou claro que o tema ainda é um tabu no mundo corporativo.

No entanto, os dados divulgados nesta terça-feira (6) com exclusividade pelo Estadão mostram que o tema precisa ser discutido. Entre as 381 mulheres ouvidas pela pesquisa “Trabalho sem assédio”, 47% afirmam já ter sofrido assédio sexual no ambiente de trabalho.

Ainda que seja uma questão de gênero e, por isso, atinja todas as mulheres, o levantamento mostra que o assédio acontece de forma desigual de acordo com um recorte racial. Entre as mulheres que afirmam já terem sofrido assédio sexual no mercado de trabalho, 52% são negras.

Além da questão racial, o recorte de classe também define quem são as mulheres que sofrem ainda mais as consequências dos assédios. A sensação de insegurança é maior entre as mulheres negras (54%) e entre aquelas com renda de até dois salários mínimos (51%). Os índices chegam a ser 10 pontos percentuais mais altos se comparadas as mulheres negras com outros perfis raciais (como brancas e amarelas).

Os resultados também mostram que, além de não conseguir coibir os assédios, as empresas têm falhado em conseguir a confiança das funcionárias e em solucionar as denúncias. Apenas 5% das respondentes dizem ter recorrido ao departamento de RH após um caso de assédio. A maioria, 50%, contou apenas para pessoas próximas. Já uma a cada seis mulheres pediu demissão.

A pesquisa faz parte de uma iniciativa inédita do LinkedIn no Brasil para identificar o assédio sexual sofrido pelas mulheres no mundo offline e na plataforma online. “Durante a pandemia houve aumento de 71% no conteúdo relacionado ao tema no LinkedIn. Queríamos entender se era exclusivo do mundo online ou reflexo do mundo offline. Concluímos que existem os dois, com o agravante de que o agressor acaba se sentindo mais protegido no mundo online”, afirma Ana Claudia Plihal, executiva de Soluções de Talento no LinkedIn.

A partir das respostas, as criadoras da pesquisa pretendem convidar as empresas a tomarem uma postura ativa para coibir os casos de assédio sexual. “É a mulher que sofre o assédio, é ela que tem que lidar, ela que fica silenciada a ponto de ir embora. Queremos jogar o debate de volta para a sociedade, para as empresas, para as pessoas que contratam e recrutam”, diz Maíra Liguori, diretora de Impacto da Think Eva.

Com o lançamento dos dados oficialmente nesta terça, o LinkedIn também anuncia novas ferramentas na plataforma e o uso de inteligência artificial para denunciar o assédio cometido dentro da plataforma. O Brasil é o primeiro País a receber o projeto, que será expandido para os outros países onde a empresa possui escritórios. No Brasil, a pesquisa ouviu 381 mulheres das cinco regiões e de todas as idades, a maior parte delas entre 16 e 34 anos.

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