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Pressão, pedido e “tempo”: os bastidores da suspensão do acordo entre Santos e Robinho

17 de outubro de 2020

A “última pedalada”, como o próprio Santos definiu ao anunciar Robinho, pode ter durado menos de uma semana.

Exatamente seis dias depois de anunciar o retorno de Robinho para sua quarta passagem pela Vila Belmiro, o Santos avisou, nesta sexta-feira, que suspendeu o contrato do atacante de 36 anos “para que o jogador possa se concentrar exclusivamente na sua defesa no processo que corre na Itália”.

Por trás de uma curta nota oficial, muita pressão, um pedido do próprio atleta e apenas um “tempo”.

A sexta-feira na Vila Belmiro foi agitada. A reportagem “As gravações do caso Robinho na justiça italiana: ‘A mulher estava completamente bêbada’“, que revelou grampos e trechos do processo em que Robinho foi condenado em primeira instância por violência sexual na Itália, caiu como uma bomba no Santos.

Internamente, o clube, que sabia da condenação, mas não de detalhes do processo, passou a discutir o futuro de Robinho. Sem reuniões presenciais, dirigentes conversaram durante todo o dia para decidir o melhor caminho a seguir.

Enquanto isso, a pressão externa aumentava. Nas redes sociais, torcedores e torcedoras respondiam a publicações dos perfis oficiais do Santos pedindo a rescisão contratual de Robinho. No Conselho Deliberativo, a aprovação do contrato em reunião que será realizada no próximo dia 21 passou a ser debatida.

Conselheiros se perguntavam: “Caberá a nós decidir o futuro do jogador?”.

Patrocinadores, responsáveis por várias das fontes de renda do Santos, passaram a cobrar, também, a rescisão contratual de Robinho. A pressão, então, passou a “doer” no bolso do Peixe, que, em crise financeira, viu-se contra a parede diante de ameaças. Internamente, o clube não via a possibilidade de se dar ao “luxo” de perder patrocinadores.

No fim da tarde, porém, partiu do próprio jogador a iniciativa de procurar o Santos para sugerir a suspensão do contrato. Não a rescisão. O Peixe, então, se reuniu virtualmente para decidir o que faria e topou o que foi sugerido por Robinho.

O presidente Orlando Rollo e os membros do Comitê de Gestão participaram da decisão de suspender o contrato de Robinho. Nas redes sociais, o jogador disse não querer atrapalhar o Santos.

– Com muita tristeza no coração, venho falar para vocês que tomei a decisão junto do presidente de suspender meu contrato neste momento conturbado da minha vida. Meu objetivo sempre foi ajudar o Santos Futebol Clube. Se de alguma forma estou atrapalhando, é melhor que eu saia e foque nas minhas coisas pessoais. Para os torcedores do Peixão e aqueles que gostam de mim, vou provar minha inocência – afirmou Robinho.

O contrato do atacante ficará suspenso, pelo menos, até que se inicie na Corte de Apelo de Milão a análise do processo, em segunda instância, no dia 10 de dezembro. Se for considerado inocente, Robinho pode voltar ao Santos.

Por enquanto, terminou assim a mais breve passagem de Robinho pelo Santos. Antes, ele havia sido campeão brasileiro (2002 e 2004), paulista (2010 e 2015) e da Copa do Brasil (2010). Agora, o atacante teve de se contentar com treinos no CT Rei Pelé e a expectativa de provar a inocência para voltar ao clube.

Globo Esporte | Foto: Ivan Storti/Santos FC

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