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Dono de hospital tomado pela prefeitura acusa truculência: “Não esperava essa atitude do prefeito de Natal”.

3 de abril de 2021

O médico Asclepíades Bezerra tenta na Justiça reverter decisão que concedeu a posse de seu hospital à Prefeitura de Natal. O equipamento, situado na zona Sul da capital, foi objeto de interesse do município para implantação de atendimento à população para cirurgias eletivas originalmente.

Com o agravamento da crise de covid-19, no entanto, a Secretaria Municipal de Saúde moveu ação para tomar o equipamento e abriu hospital para leitos clínicos. A situação é amparada em lei, dado o quadro de emergência pública. O que chocou o dono do hospital foi a conduta.

“Foi uma atitude que não esperava, sobretudo do prefeito, que é medico. Eu nao sou um estranho para o prefeito. O prefeito sabe que eu existo. Faltou sensibilidade da parte dele em dizer que estava precisando do hospital por uma questão de emergência pública. Eu não seria insensível. Seria imensamento mais facil do que essa truculência”, afirmou Asclepíades ao Blog do Dina.

Os bastidores e o discurso político em torno dos eventos, no entanto, revelam tensões e um talvez um ponto final na relação que Asclepíades tinha com George Antunes, o atual secretário municipal de Saúde.

Tratativas

Localizado em Lagoa Nova, às margens da BR-101, o Hospital Natal Sul foi procurado pela secretararia municipal de Saúde em abril de 2020, segundo Asclepíades. Naquela época, o interesse era desafogar a fila de 18 mil pacientes aguardando por algum tipo de cirurgia de baixa e média complexidade na rede de Natal.

Não houve avanço nas negociações e os emissários enviados pela SMS, nas palavras do médico dono do hospital, sumiram. Reapareceram em fevereiro deste ano com a mesma intenção anunciada: cirurgias eletivas.

As conversas avançaram. Chegaram a acordar um contrato verbal garantido por George Antunes após a gestão ter certificado da melhor vantagem para a administração pública. Asclepíades conta que, em razão do acordo, começou a contratar pessoal e comprar insumos.

Dias antes de o serviço começar a operar, no entanto, ele foi surpreendido por um emissário de George Antunes informando que não poderia manter o contrato nos termos em que estava: valor fixo mensal.

“Eles queriam por produção. Não posso. Como eu pago fixo ao meu pessoal e vou receber por produção? Sabe como funciona a auditoria do SUS? Se você faz um procedimento que custou R$ 10 mil e o SUS vem e diz que foi R$ 6 mil, eles pagam só R$ 6 mil. Nesses termos, eu cancelei o negócio. E mais uma vez eles sumiram”.

Até que em meados de março, Asclepíades conta que recebeu um telefonema de George Antunes pedindo urgência para encontrá-lo. A reunião ocorreu num domingo ao fim de uma tarde. Segundo o médico, o secretário municipal de Saúde voltou a fazer propostas.

“Mas eu pedi para esperar até o meio-dia da segunda-feira. Eu estava com mais gente interessada no hospital. Mas para minha surpresa George disse que queria uma resposta naquele momento. Como eu não dei, ele apenas comunicou que não importava, porque tinha uma liminar determinando a posse do prédio à prefeitura. Eu fiquei chocado”, relembrou o médico.

Asclepíades tenta agora no Tribunal de Justiça mover ação para reaver o equipamento que estava passando por investimento para ganhar novo viés de atendimento em abril.

“Eles anunciaram na imprensa que pegaram um prédio abandonado. Isso é uma mentira enorme. Ali era um hospital, com funcionários, com tudo. Nem minhas coisas pessoais eu pude pegar. Nem eu nem minha mulher”, desabafou.

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