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Dólar a menos de R$ 5? Entenda por que a moeda americana está em queda

9 de junho de 2021

Depois de chegar a R$ 5,80 em março, ficar em R$ 5,40 em abril, fechar o mês de maio em R$ 5,22, o dólar caiu ainda mais ao longo dos primeiros dias de junho, alimentado a expectativa no mercado financeiro de um rompimento próximo da barreira psicológica de R$ 5.

A moeda norte-americana fechou ontem cotada a R$ 5,03 e pode cair ainda mais nos próximos dias, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão.

O movimento de valorização do real tem sido puxado por uma conjunção de fatores externos mais favoráveis, como a abundância de recursos no mercado internacional e o aumento de exportações brasileiras, puxada pela retomada da economia mundial e alta dos preços das commodities (produtos básicos) agrícolas e metálicas.

No front interno, a alta da taxa básica de juros (a Selic) também favorece a entrada de dólares no País, com a busca dos investidores por ganho mais elevado.

O clima das últimas semanas é também de maior otimismo, com o crescimento da economia brasileira, melhoria da arrecadação do governo e perspectiva de a dívida pública fechar em patamar mais baixo do que o previsto, apesar de o risco fiscal do País ainda não ter saído do radar.

“É o resultado de uma enxurrada de dólares, euros e yuans no mundo”, diz Nathan Blanche, sócio da Tendências Consultorias.

Segundo ele, o fluxo cambial mais forte e a perspectiva de superávit da balança comercial de pelo menos US$ 25 bilhões mais alto do que os US$ 50 bilhões registrados no ano passado ajudam a reforçar a queda da cotação do dólar.

Ele lembra que o fluxo cambial do ano até 28 de maio estava positivo em US$ 11,4 bilhões, enquanto, no mesmo período do ano passado, o saldo estava negativo em US$ 9,65 bilhões. Ou seja, tem muito mais dólares entrando no País.

Nathan calcula que a taxa de câmbio de equilíbrio seria no máximo R$ 4,50, mas ressalta que o Brasil ainda tem uma doença crônica que é o rombo nas contas públicas a atrapalhar.

“Não tem governo, não tem desempenho que vá para frente com o déficit crônico”, ressalta.

Estadão | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

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