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Campanha da OAB vai ao chorume; Nísia Floresta estaria chocada com o que fizeram com o feminismo

10 de setembro de 2021

Já vai em seis o número de conversas onde recebi uma mensagem com ares de notícia.

Lê-se como título: “Gestão de Aldo à frente da OAB parece ter desagrado as advogadas”.

Desagrado, desse jeito mesmo.

Não sei se a pressa engoliu o ‘da’ entre ‘gra’ e ‘do’ ou se foi ato falho, isto é, pensava-se uma coisa e escreveu-se outra.

Nesse caso o erro estaria no último ‘d’, que originalmente seria um ‘v’

E assim ficaria a frase: “Gestão de Aldo à frente da OAB parece ter desagravo as advogadas”. Essa versão condiz mais com a realidade, visto que se desconhece que o presidente da OAB tenha tido posturas, digamos, patriarcais contra mulheres.

De qualquer forma, quem escreveu errou pela falta de acento grave, obrigatória em ambos os casos. Quem desagrava ou desagrada o faz a algo ou a alguém.

Mas o conteúdo do resto deixa claro que a intenção era escrever ‘desagradado’.

Não ouso reproduzir porque se trata de uma insinuação misógina.

Insinuações acontecem quando não se tem coragem de afirmar.

Como estamos em terreno jurídico posso me alongar mais sobre isso.

Funciona assim: você tem evidências? Você, então, acusa. Você afirma.

Você não as têm, mas gostaria de emplacar sua história? Você insinua. Porque se afirmar categoricamente sem evidências pode ser chamado a um tribunal para apresentá-las.

A questão central é: as advogadas que se juntaram na oposição concordam com esse nível?

Se não concordam, façam o desagravo de repudiar essa conduta.

Ainda bem que Nísia Floresta, cujo primeiro livro falava sobre direitos das mulheres, não está aqui para ver o que fazem com o feminismo.

Nem posso dizer que esse episódio é sobre a opressão de homens sobre mulheres. Não posso dizer que se trata de feminismo.

Feminismo pressupõe coragem.

E o texto é essencialmente covarde.

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