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A ficção do astrônomo: como um cientista usa seu prestígio para criar uma farsa sobre o Carnatal

6 de janeiro de 2022

Ah, a ciência. Vai ela produzindo personalidades que têm menos a ver com o saber científico e mais com as fraquezas da alma.

As Robertas Lacerdas estão mostrando o que são e a que vieram, e haverão de pagar pela pregação que estão fazendo.

Mas são os Josés Dias que me assustam mais. É que esses, ao contrário daquelas, gozam de prestígio que se confunde numa zona muito cinzenta com a vaidade humana.

É nessa confusão que a autoridade se faz instinto de autoritarismo, lastreado pelos diplomas, e com pouquíssima gente que ouse questionar.

Logo mais haverei de ser chamado de canalha por escrever o que aqui se segue. Por questionar quem veio nos iluminar e nos tirar das trevas de nossa ignorância.

A cruzada do Carnatal

Em um artigo no Medium, o astrônomo da UFRN sentenciou que o Carnatal piorou o cenário da pandemia no RN.

A sentença dele é com trânsito em julgado e cairia bem ali ao lado daquelas onde Sérgio Moro estuprou o sistema penal brasileiro com o apoios circunstanciais.

Aqui o apoio de Dias é na ‘revisão’ por quem se considera semelhante e, do alto da arrogância, se adiantam a espalhar os vaticínios e achincalhar quem disser o contrário.

Mas vamos ao que fala a decisão de Dias. Vou transcrever o trecho abaixo.

“Já utilizando a série histórica das Solicitações de Leitos COVID disponível no REGULARN, vemos que em 20 novembro eram 22 solicitações diárias. Em 31 de Dezembro, as solicitações foram para 32 na média móvel.”

É assim que se faz ciência?

Além de não ser verdade (imagem abaixo), pois a média móvel do dia 31 de dezembro foi de 23 solicitações – não muito superior às 20 do dia anterior – a farsa deixa no ar uma pergunta:

Qual o critério para escolher 20 de novembro?

Por que não dia 16, que foram 32 solicitações também, a exemplo do número que José Dias sacou para revestir de verdade sua vontade?

Houvesse seriedade no artigo, ele estaria numa publicação científica sujeita ao escrutínio de outras pessoas.

Mas aí haveria o risco evidente de o trabalho voltar porque precisaria de dados, não de opinião, para sustentar um ponto de vista.

Papel pode até aguentar tudo, mas trabalho científico não comporta ficção.

Dias tentou passar por média móvel dia 31 o que eram solicitações apenas daquele dia. Ora, ora…

Onde está o perigo

É opinião, no fundo, no fundo, que move o artigo do cientista.

Senão vejamos neste outro trecho, onde o itálico é meu, mas o grifo é de Dias.

A pergunta menos significante diante da vida humana, porém importante mesmo assim, seria, quanto custou em termos de leitos de UTI esta festa PRIVADA?

Ah, aí estão os rancores, a caixa alta e o negrito não deixam dúvidas.

É aí que mora o perigo. Tendo decidido que seria contra o Carnatal, o cientista espremeu números para produzir um elixir com o qual nos despertasse da ignorância.

Seu tônico para nos tirar de um delírio negacionista, todavia, não passa de placebo.

Por sorte, já estamos imunizados.

Não olhe para cima

Por fim, ninguém reparou na corrupção moral do personagem protagonizado por Leonardo DiCaprio em “Não Olhe Para Cima”?

Ficou tanta gente focada na óbvia comparação com o negacionista que nos preside, que deixamos passar que o cientista do filme – que, aliás também é astrônomo – usa o saber e o prestígio que conseguiu para obter vantagens pessoais.

E para se embevecer na vaidade humana, no belíssimo corpo de Cate Blanchet

Mas deve ser ficção. Na vida real, esses cientistas não devem existir.

Comentários


4 respostas para “A ficção do astrônomo: como um cientista usa seu prestígio para criar uma farsa sobre o Carnatal”

  1. Tormenta disse:

    Não olhe para cima, também explicita o quanto escrachamos os cientistas sérios, inclusive pela mídia, como a personagem que deu o nome ao meteoro.

  2. Ti Branco disse:

    Brinquei os 4 dias dr Carnatal e sem problemas
    Evento organizado e com grande controle.

  3. Lucianobrito disse:

    A faça deste mercador da morte não foi longe.

  4. […] cientista José-Dias rebateu meu texto em que descrevo haver uma farsa na cruzada dele contra o Carnatal. Trata-se de o óbvio direito ao contraponto. Vai […]

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