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Partidos já têm disputa entre parlamentares e presidenciáveis por verbas do fundo eleitoral

10 de janeiro de 2022

O crescimento do fundo eleitoral aprovado pelo Congresso — para R$ 4,9 bilhões neste ano, 192% a mais que nas eleições passadas — atendeu à vontade dos partidos, e ao mesmo tempo faz detonar a segunda etapa da disputa por recursos: a briga pelo rateio interno do dinheiro. Nas legendas que terão nome ao Planalto, a pressão sobre o comando das siglas costuma opor os presidenciáveis às bancadas parlamentares, interessadas em primeiro lugar na própria reeleição.

Os principais nomes postos ao Planalto enfrentam, em maior ou menor grau, este conflito interno. Pelo protagonismo na política nacional e posição nas pesquisas de intenção de votos, Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devem ter menos obstáculos internos para uma campanha rica, mas mesmo nessas siglas já há previsão de divergência. Sergio Moro, recém-chegado ao Podemos, Ciro Gomes (PDT) e João Doria, que já tem a antipatia prévia de boa parte da bancada federal do PSDB, podem enfrentar uma disputa mais conflituosa pelas verbas.

Para candidatos que ainda precisam consolidar o nome na disputa, como Rodrigo Pacheco (PSD) e Simone Tebet (MDB), por exemplo, a briga fratricida por recursos, se aliada a uma dificuldade de crescimento, podem acabar sendo fatais para a candidatura.

A legislação em vigor estabelece que os presidenciáveis podem usar até R$ 70 milhões em suas campanhas e outros R$ 35 milhões caso passem ao segundo turno. O aumento do bolo total deve permitir um crescimento do que foi gasto pelos presidenciáveis em 2018. Lideranças partidárias acreditam, porém, que os valores extras serão direcionados em sua maior parte para as campanhas de deputados federais.

Bolsonaro entrou no PL — um partido acostumado a priorizar a eleição para a Câmara — porque queria uma sigla com mais estrutura (e dinheiro) do que teve há quatro anos. A legenda terá R$ 286 milhões do fundão, e sabe que terá que destinar uma fatia generosa do fundo para a campanha presidencial. A aposta dos caciques passa pela conta de que Bolsonaro garantirá grande exposição aos candidatos ao Legislativo, mas há pressão por mais verbas para todos.

No PT, a segunda sigla no ranking da distribuição do fundo, com R$ 490 milhões, a expectativa é que a candidatura do ex-presidente Lula conte com o máximo de recursos que a legislação permitir. Os atuais deputados querem prioridade nos repasses, mas há uma segunda camada da disputa: uma forte pressão, desde a eleição de 2020, da juventude da legenda para ter acesso a mais dinheiro com o argumento de que deve ser promovida uma renovação de quadros. Um parlamentar experiente prevê uma “guerra” pelo dinheiro nos próximos meses.

Veja a matéria completa.

O GLOBO

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