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Dos 19 governadores que disputam novo mandato, 15 lideram corridas estaduais; saiba quais

5 de setembro de 2022

Governadores que buscam novo mandato lideram as disputas eleitorais em 15 dos 19 estados nos quais há possibilidade de recondução, restando pouco menos de um mês para o primeiro turno. Levantamento do GLOBO com base em resultados de pesquisas do Ipec aponta ainda que, mesmo à frente, boa parte desses governantes não conseguiu até agora converter em intenções de voto o maior volume de avaliações positivas de suas gestões — um indicativo de que podem não ter atingido seu teto de votos.

Em São Paulo, único estado em que o titular do Executivo não aparece na ponta, o governador Rodrigo Garcia (PSDB), terceiro colocado, mira nesta conversão de aprovação da gestão em votos de olho numa vaga no segundo turno. Em outros três estados, Amazonas, Rondônia e Alagoas, os atuais governadores estão numericamente em primeiro, mas tecnicamente empatados com adversários.

Atrás de Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), Garcia, que tem 10% das intenções de voto, segundo o Ipec, é o governador que até o momento menos converteu em votos as avaliações positivas de eleitores. De acordo com a pesquisa mais recente do Ipec, divulgada na última segunda-feira, a atual gestão paulista é considerada ótima ou boa por 26% dos entrevistados.

Neste grupo, segundo a pesquisa, Garcia tem o mesmo desempenho que Haddad: o atual governador e seu adversário do PT têm a preferência, cada um, de cerca de três em cada dez eleitores que estão satisfeitos com a gestão. Garcia assumiu a cadeira em abril, após a renúncia do então governador João Doria (PSDB), que articulava à época uma candidatura à Presidência.

Outros casos de candidatos com o apoio de menos da metade dos eleitores que consideram os atuais governos ótimos ou bons são Paulo Dantas (MDB), em Alagoas, e Carlos Moisés (Republicanos), em Santa Catarina.

No Rio Grande do Sul, estado que desde a redemocratização nunca reelegeu o governador, há um caso singular: depois de renunciar para tentar viabilizar uma candidatura presidencial — empreitada que não foi adiante —, Eduardo Leite (PSDB) voltou ao jogo estadual. Entre os eleitores gaúchos que aprovam a gestão de seu sucessor e aliado, Ranolfo Vieira Jr (PSDB), 46% declaram voto em Leite, segundo dados do Ipec.

Dantas e Moisés apresentam índices de aprovação de seus governos mais de dez pontos acima de suas intenções de voto atuais. Já os governadores Carlos Brandão Jr. (PSB), do Maranhão, Marcos Rocha (União), de Rondônia, e Cláudio Castro (PL), do Rio, embora figurem com intenções de voto mais próximas a suas avaliações positivas, somam pouco mais de metade da preferência entre eleitores que consideram suas gestões ótimas ou boas, segundo o Ipec. Moisés e Rocha se elegeram em 2018 pelo PSL, na onda bolsonarista, enquanto Dantas, Brandão e Castro assumiram o Executivo já durante o mandato e têm menos tempo na cadeira do que outros postulantes à reeleição.

Castro, por exemplo, tem 56% dos votos no grupo de eleitores que avaliam positivamente sua gestão. Entre os que avaliam o governo como regular, ele atinge 25%, contra 18% de Marcelo Freixo (PSB), seu principal adversário nas pesquisas. No quadro geral de intenções de voto, o atual governador tem 26%, segundo levantamento do Ipec divulgado na semana passada, contra 19% de Freixo.

Reeleições em alta

Em sete estados, por outro lado, os atuais mandatários ultrapassam 70% das intenções de voto entre eleitores que aprovam suas gestões. Nesse grupo, estão candidatos como Romeu Zema (Novo), em Minas Gerais, Renato Casagrande (PSB), no Espírito Santo, e Gladson Cameli (PP), no Acre, que têm ampla vantagem em relação aos rivais na corrida estadual, com possibilidade de vitórias no primeiro turno. O melhor desempenho é da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), que já tem o apoio de oito em cada dez eleitores que definem sua gestão como ótima ou boa. Além de converter votos entre eleitores satisfeitos com o governo, Fátima tem intenções de voto gerais, de 46%, superiores ao índice dos que aprovam sua gestão, que é de 38%.

Descolamento nacional

Zema, eleito em 2018 declarando voto no então presidenciável Jair Bolsonaro, hoje procura se descolar dele na tentativa de manter uma base eleitoral ampla. Em Minas, Bolsonaro tem hoje 30% das intenções de voto, contra 45% para o ex-presidente Lula (PT). Na disputa estadual, Zema aparece com 44%, segundo o Ipec, contra 24% de Alexandre Kalil (PSD), que é apoiado por Lula. Carlos Viana (PL), candidato oficialmente apoiado por Bolsonaro, tem 3%.

As pesquisas mostram que Zema vai melhor do que Kalil entre eleitores mais pobres, católicos e mulheres, nos quais Lula tem ampla vantagem para Bolsonaro no estado. O descompasso entre as chapas formais e o comportamento dos eleitores foi apelidado de voto “Luzema” em Minas. No Rio, em um fenômeno semelhante, indícios do chamado voto “Castrolula” — que chegou a ser defendido pelo PT fluminense — aparecem principalmente entre os mais pobres, segmento em que Castro pontua nove pontos acima de Freixo e onde Lula tem sua maior vantagem para Bolsonaro no estado.

A cientista política Márcia Ribeiro, da UniRio, avalia que a influência da eleição nacional é maior onde há “vácuo de poder”, mas que em boa parte das disputas as dinâmicas locais acabam prevalecendo.

— O peso das questões regionais em alguns estados vai ser grande. Zema tem um resultado eleitoral hoje mais associado ao seu desempenho governamental — afirmou.

O cientista político Josué Medeiros, da UFRJ, também destaca o peso da experiência de governo nas eleições estaduais, mas chama atenção para o fato de que candidatos mais à direita que se afastam de Bolsonaro, como Zema e Castro, têm conseguido penetrar num voto que nacionalmente está com Lula.

— Esses candidatos sabem que têm adversários que vão tentar uma nacionalização da campanha e evitam entrar nesse jogo.

O GLOBO

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