The Intercept expõe relação fonte-jornalista entre Deltan e O Antagonista, e precisamos falar sobre isso

O site The Intercept Brasil revelou nesse domingo mais uma leva de mensagens com os bastidores do que acontecia na Lava Jato.

Desta vez, Deltan Dallagnol aparece articulando para utilizar movimentos de ruas para pressionar o STF a escolher um novo relator para a Lava Jato na Corte, após a morte de Teori Zavascki.

De ilegal, nada.

E questão ética? Sim. As relações com movimentos sociais podem ser facultadas a qualquer um. Mas no caso de agentes públicos devem ser acompanhadas de transparência. Deltan fazia na surdina.

Para além disso, a reportagem expôs um detalhe que de detalhe só tem cara, visto que toca num vespeiro que merece ser discutido.

A dada altura da reportagem, o The Intercept expõe um diálogo entre um assessor de imprensa do Ministério Público Federal e Deltan Dallagnol.

Na conversa, fica claro que o assessor orienta o procurador sobre condutas abertas  e as discretas, julgando ser mais prudente o movimento de atuar discretamente, como repassar informações para O Antagonista.

Parêntese.

O Antagonista não tem sido apenas defensor de Moro e dos procuradores, como também tem descido alguns degraus. Se utiliza, por exemplo, de apelido para se referir a Glenn Greenwald. O jornalismo virulento tem público.

Fecha parêntese.

Ao expor as fontes do site governista, o The Intercept também não comete nenhum crime. A garantia ao sigilo da fonte é para proteger jornalistas do estado. E repórteres devem ter o compromisso de preservar sua fonte.

Mas se um veículo descobre as fontes do outro, vale publicar?

Em havendo interesse público, sempre vale.

Mas, nesse caso, como o Uol fez ao omitir trechos de mensagens da Vaza Jato para não comprometer investigações, o The Intercept poderia suprimir o nome do veículo, informando apenas que o procurador Deltan Dallagnol avançava vazando informações à imprensa.

Expor o Antagonista parece revanchismo. Parece entrar no campo virulento em que atuam Diogo Mainardi, Mario Sabino e Cláudio Dantas.

O nome do Antagonista só deveria ser revelado quando houvesse material abundante indicando que procurador e veículo mantinham relação intricada.

Nesse caso, o interesse público se sobrepõe de maneira inconteste. Mas não foi isso que o The Intercept revelou em sua mais recente reportagem.

[OPINIÃO] Como o pagamento milionário a membros do MPRN escancara desigualdades e reacende debate sobre moralidade

De como o sistema judiciário escancara as desigualdades

Após a conversão ao cristianismo, o apóstolo Paulo deixou um patrimônio espiritual incontestável em suas cartas. De sua lavra saíram pensamentos atualíssimos.

Um de meus preferidos foi endereçado aos Coríntios, quando Paulo lhes advertiu: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém”.

É um trecho de uma carta cravejada de ensinamentos morais.

O pensamento de Paulo é o que me ocorre diante do pagamento de R$ 4,7 milhões a 22 promotores do Ministério Público do RN em julho.

Através do tempo, a frase de Paulo, aplicada a tais pagamentos, passa por outras citações de pensadores.

“Nem tudo que é legal é moral”, Montesquieu.

“A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta”, Pascal.

“A moral é uma, os pecados são diferentes”, Machado de Assis.

“Onde me devo abster da moral, deixo de ter poder”, Goethe.

Os pensadores acima viveram em épocas distintas.

Suas frases revelam que o problema da moralidade, portanto, é contemporâneo ao próprio tempo.

As jabuticabas do serviço público brasileiro haverão de grassar por esse campo turvo onde se misturam moralidade e legalidade, em caráter antagônicos.

Daí que vale perguntar:

É moral o recebimento de valores mesmo com direito reconhecido?

O sistema judiciário brasileiro se apresenta aos olhos da sociedade, quando se vale desses expedientes, como uma ilha de prosperidade inalcançável pela crise que solapa os demais mortais.

Tudo no pagamento desses valores tem o odor do equívoco.

Por que, por exemplo, eles não são feitos por precatórios? Pela via administrativa, como vêm sendo feitos, podem ser pagos ao sabor dos acordos de gabinete.

Que o sistema judiciário é o remédio para muitos dos males da sociedade é inegável, mas quem remedeia os remédios? Quem arbitra e corrige essas distorções?

A surdez que membros do sistema judiciário oferecem a esse questionamento ajuda a promover desigualdades.

Pois suas excelências perdem o senso de Justiça quando o assunto lhes toca o próprio bolso.

Volto a Paulo.

Da mesma carta em que pincei o trecho com o qual abri esse artigo, há este pensamento: “Vocês mesmos causam injustiças e prejuízos, e isso contra irmãos!

Ilegalidade seletiva: por que um áudio de 2014 sobre Erick Pereira só foi vazado agora?

A edição que está nas bancas digitais da revista Crusoé traz um áudio em que Ricardo Saud (JBS) fala com o advogado Erick Pereira dizendo que precisará deste para tratar de coisas sobre o pai, o ministro do TST, Manoel Pereira.

Antes de prosseguir:

1) O Ministério Público Federal no RN pediu que a PGR apurasse o envolvimento do ministro do TST em irregularidades;

2) A PGR negou porque não viu elementos para subsidiar uma apuração criminal e determinou que o caso prossiga apenas com investigação sobre Erick.

3) Em 28 de junho, o TRF5 determinou que as provas obtidas na Operação Balcão, contra Erick Pereira, sobre compra e venda de sentença no TRE-RN, fossem lacradas até posterior deliberação, porque havia evidências de que material que não tinha relação com o caso estava sendo utilizado para outros fins, o que foi proibido pela Justiça;

4) Nesse contexto, um áudio de 2014 é sacado de processos protegidos por sigilo judicial e vira manchete da Crusoé. Atentem que estou chamando atenção para o vazamento, e não a publicação. Ao contrário do gado que defende investigação sobre o The Intercept, acredito que a Crusoé fez seu papel.

“Ai, lá vem você defender corrupto, Dinarte”.

É mesmo? Talvez o histórico de meu blog lhe ajude. Tenho contado a história desse caso sem ocultar detalhes.

Que defesa estranha a que faço de corruptos.

Superada a fulanização, cumpre perguntar: vale tudo para promover Justiça?

Se você acha que vale, deve se lembrar que sua resposta não discrimina sujeitos e que o uso do Estado para retaliar hoje é praticado contra pessoas de quem você não gosta, e por isso o endosso.

É a ilegalidade seletiva, muito em voga nos tempos atuais.

Mas e quando esse leviatã se insurgir contra quem você tem, vamos usar essa palavra, simpatia?

Aí você vai cobrar a promoção da Justiça dentro do ordenamento legal.

Que estou cobrando agora independentemente do fulano emaranhado no caso.

Embustes de liberais se calam sobre invasão da prefeitura em propriedade privada em Mossoró

Rá!

Alguns episódios são especialmente saborosos por trazerem à luz o embuste de liberalidade que alguns carregam.

Certa gente costuma com muito alarde criticar o MST quando invadem terras alheias.

E vá lá que estão certos.

Sou defensor do direito à propriedade privada e mesmo a terra improdutiva, que pode ser desapropriada para fim social, deve obedecer ao rito de desocupação desenhado no ordenamento legal.

Invasão é coisa de bárbaro.

Mas agora que um terreno lá em Mossoró foi içado ao assunto da cidade por ter sido invadido pela prefeitura, os liberais sumiram.

Alguns, na verdade, até estão em defesa do município. Como não conhecem de coerência, não têm vergonha a passar.

Por evidente, essa gente não é a favor do direito à propriedade privada, ela só é a favor das suas conveniências.

É o embuste de liberal.

No fim de semana, informa o jornalista Saulo Valle, a Justiça decidiu que a prefeitura recolha-se ao seu lugar e tire a cerca que atravessou dentro do terreno alheio.

Na decisão judicial está reconhecido o valor, liberal, vejam só, do inalienável direito à propriedade privada.

Após repercussão de palestra sobre ser ‘mulher, mãe, trabalhadora e esposa’, Teatro Riachuelo apaga post e evento some da agenda

Sumiu do instagram e do site do Teatro Riachuelo o conteúdo da palestra de Rossandro Klinjey.

No site da promotora do evento, a Uhuu, a página de compra foi retirada do ar.

“Ser mulher, mãe, trabalhadora e esposa. É possível manter todos esses papéis?”

Sob esse título, se convidava para uma palestra de Rossandro Klinjey, em 11 de dezembro, no Teatro Riachuelo em Natal.

O título da palestra, por óbvio, gerou forte reação negativa.

Pois a pergunta lançada na reflexão parte admite o princípio de que, vejam só, não seria possível ser mulher, mãe, trabalhadora e esposa.

E sabemos que, sim, há mulheres que não conseguem fazer tudo isso.

Como também há homens – e muitos – que sabem transar e fazer filhos, mas não querem ser pais.

Mas não há palestra fazendo sucesso de mulheres ensinando a esses homens que masculinidade vai além de penetrar com sucesso uma vagina.

É mais um caso de falta de sintonia com o espírito do tempo.

Pois se sabe que Rossandro é uma espécie de unanimidade e que teria algo de edificante a falar.

Mas assim como piadas dos Trapalhões com gays só faziam sentido e sucesso na década de 1970, abordagens como essas também ficaram no passado.

Porque, felizmente, a marcha da igualdade pode ser retardada, mas não detida.

Não adianta lutar contra o progresso.

Ele vai chegar.

Não admitindo o suspiro de qualquer coisa que possa lembrar que um dia homens ensinavam mulheres sobre como se comportar.

Delírio ideológico pelo Hotel Reis Magos já é caso de Hospital João Machado

Não há mais nada que sustente a defesa pelos interesses de causas ambientais na intransigente defesa para manter as ruínas do Hotel Reis Magos.

É intrigante que agentes públicos, financiados com dinheiro público, prestem serviço tão contraproducente, tentando a loucura não pelas leis, mas pela psicodélica vontade de manter a vergonha que corta a orla da Praia do Meio, como mais uma vez demonstrado, desta feita pelas lentes de Canindé Soares (imagem)

Qual é o problema em aceitar que há decisões judiciais que autorizam a demolição do monstrengo? A razão não assiste a essa causa. Em sua falta, portanto, convém recomendar ajuda psiquiátrica.

O Estado deveria ter a óbvia postura de abrir mão da disputa e aceitar o que está posto: as ruínas do hotel precisam ser varridas.

E quem insiste em gastar dinheiro público para patrocinar loucura em sentido oposto deveria também ser responsabilizado pelo mau emprego do erário.

[OPINIÃO] The Intercept Brasil perde ao focar apenas em Moro e ter atuação com forte viés ideológico

Desde que as primeiras revelações do The Intercept Brasil (TIB) vieram a público na noite de 9 de junho, a pauta do país está vinculada ao que está por vir.

É possível olhar para caso da Vaza Jato, nome dado à série de reportagens, fora do olhar binário de bem versus mal.

Não precisa ser inteligente.

Só responsável.

Ou em outras palavras: não olhem para o episódio apenas sob uma perspectiva.

Se, por um lado, o material é escandaloso por revelar união entre acusação e juiz; por outro, a estratégia do TIB fragiliza a credibilidade.

Na primeira reportagem, o site expôs a dobradinha entre os procuradores e o juiz e cumpriu seu papel. De lá para cá fica fazendo alarido nas redes sociais e divulgando conversas que não acrescentam novos episódios, mas só reforçam os primeiros diálogos.

O TIB não é órgão judicial e não está obrigado a ser imparcial, por exemplo. Mas o que exatamente o difere do que Sérgio Moro fez?

Ao mirar apenas em um personagem, e ao adotar um estilo verborrágico com forte viés partidários, o TIB enodoa o alcance que poderia ter do material, que, vejam só, repercute muito bem na esquerda e muito mal na direita.

Ao contrário do que pretendem os editores do site, quando dizem que a sociedade tem o direito de saber o que houve nas entranhas da Lava Jato (concordo!) para que, a partir daí, decida que Brasil quer para si, as reportagens mais têm contribuído para aprofundar a cisão atual do fla x flu do que para gerar reflexão.

Como os editores mesmo espalham que só estão no início, só resta esperar se os rumos da estratégia de divulgação serão mantidos.

Ou corrigidos.

Aviso aos leitores do Blog do Dina

Alguns leitores do blog me perguntam reservadamente se a cobertura ficará focada no caso das mensagens vazadas da Lava Jato.

Sim e não são as respostas.

Em primeiro lugar, compreendo que o assunto está além da paixão que envolve os temas ‘Lula Livre’ e ‘Lula Preso’ – lembrando de nada do que foi revelado até o momento inocenta o ex-presidente ou qualquer outro condenado.

Mas a hipótese de que representantes do Judiciário se uniram em conluio com os do Ministério Público tem potencial para desestabilizar de vez o país na medida em que, até agora, tínhamos como natural que corrupção se limitava apenas à classe política.

MP e Judiciário eram tidos como fortalezas inexpugnáveis de moralidade. E, em verdade, ainda se pode ter essa ideia, na medida em que o atual escândalo afeta membros dessas instituições e não configura caráter de conduta de todos os seus integrantes.

O que está em jogo é grave, muito além da guerra ideológica resultado da última eleição. Está jogo sabermos se o Brasil será um vale-tudo onde os meios justificarão os fins – em qualquer aspecto.

Esse enredo já tinha sido visto na política. O mensalão e o petrolão foram isso, não é mesmo, roubo em nome de um projeto social liderado pelo PT.

Olhar para o Judiciário e o MP e ver que fizeram o mesmo – transgredir as leis em nome do combate à corrupção – é um expediente tão nefasto quanto àqueles que arrastaram empreiteiros e políticos para as teias da Lava Jato.

O que está em jogo, portanto, é se princípios serão obedecidos ou a vontade por justiçamento à margem da lei. Está em jogo se a corrupção se limitará ao que sabemos sobre ela ou será espalhada para as demais instituições.

E o resultado disso desenhará o Brasil como nação devotada ao sebastianismo de super-heróis ou como um lugar onde as instituições e seu papel social dentro da legalidade darão a ordem.

Sem prejuízo, portanto, a noticiar outros eventos, entendo que essa pauta é definitivamente mais importante do que qualquer outra coisa.

 

[OPINIÃO] Ministro da Educação eleva desprezo pela pasta ao sugerir que alunos das federais do RN substituam terceirizados

Ao sugerir que alunos das federais do RN façam manutenção e limpeza, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, desce mais uma degrau na escada do desprezo que tem pela pasta que ocupa.

Não é algo exclusivo, se olharmos de forma mais abrangente. O ministro do Meio Ambiente detesta políticas ambientais e a de Direitos Humanos está apavorada com Elsa sapatão.

Miram-se, pois, no presidente da República, sem apreço pela democracia.

E também sem apreço pelo conhecimento e pelos estudantes, que seriam, como são mesmos as palavras?, idiotas úteis.

Que o País está parado é sabido há cinco anos. Foi para resolver isso que esse equipe foi colocada pelo povo onde está.

Se é preciso haver amputações, por um lado; não é necessário jogar sal na ferida, por outro.

A iniciativa do confronto com declarações partindo de quem deveria ter moderação e liderança é de causar desesperança.

No próximo degrau da escada, não se impressionem, o ministro da Educação deverá descer ao patamar de sugerir que estudantes abandonem as salas de aulas se não estiverem satisfeitos.

E, depois, abandonem o Brasil, esse colosso que ou se ama ou se deixa, como se cravou na ditadura.

[OPINIÃO] A curiosa auditoria sobre a Arena das Dunas

O deputado estadual Sandro Pimentel (PSOL) provocou e a governadora Fátima Bezerra (PT) anuiu.

Mandou-se instalar uma auditoria para verificar a execução do contrato da Arena das Dunas. Em entrevista ao Blog do Dina, o chefe da Controladoria Geral do Estado, Pedro Lopes, descartou ilegalidades no contrato

Mas fica o cheiro de algo errado no ar, não é mesmo?

A Arena das Dunas tem seus pagamentos mensais quitados, na ordem sempre de R$ 10 milhões, enquanto o salário dos servidores sofre com dificuldade para ser quitado.

É uma contraposição superficial tratar esse tema sob esse aspecto.

Para além de ser a favor ou contra esse pagamento da Arena das Dunas, é preciso considerar que se trata de instrumento jurídico consolidado.

Com as partes, portanto, obrigadas a deveres. E credoras de direitos.

Em identificando haver direito para ruptura dos atuais pagamentos, que seja feito dentro da lei.

Em nome da transparência pública, é bem verdade, a sociedade entre o governo e a Arena das Dunas patina na divulgação de informações.

Qual, por exemplo, o lucro do equipamento? Trinte e sete mil e quinhentos mil reais por mês. Muito pouco para uma obra em que o Estado pagará por 20 anos cerca de R$ 400 milhões, correto?

Sim. Mas quando o Rio Grande do Norte entrou nessa empreitada sabia o que vinha pela frente. As correções, repito, devem vir na forma da lei.

É no mínimo estranho, contudo, que o próprio estado, parte contratual, por iniciativa de um deputado, e não da Casa Legislativa, instaure uma auditoria para verificar a execução do contrato.

É como se pudéssemos nos dar ao luxo de mandar aos investidores a mensagem de que aqui não é um lugar com segurança jurídica.

O Tribunal de Contas do Estado, em 2016, verificou que houve sobrepreço no pagamento da obra, e os valores passaram a ser diluídos em abatimentos nas parcelas mensais.

Desde então, não se tem notícia de irregularidade neste contrato.

Mas mais será revelado.

A auditoria está aí.