Precisa-se de internet na Prefeitura de Natal

O Jornal Nacional desse sábado (20) voltou a abordar o caos no sistema público de saúde da região metropolitana de Natal.

A repórter Emily Virgílio reportou para o Brasil que há leitos bloqueados nos hospitais de campanha de Parnamirim e Natal.

Leitos são bloqueados quando faltam insumos para fazê-los funcionar. Dos bloqueados, 11 eram de Natal e 2 de Parnamirim.

Parnamirim afirmou que faltava convênio com o Estado para regularizar os leitos.

Natal informou que seus leitos estão em plenitude e que os dados que embasam a matéria do Jornal Nacional foram baseados em estatísticas equivocadas por culpa da…

…internet.

Mas é claro que é culpa dela, pois não há nenhum reparo na ação municipal de combate à pandemia. Tudo é irretocável, da falta de insumos para agentes de saúde ao corpo mole que foi feito para se cumprir o distanciamento social.

Longe de mim sugerir que não deva ser verdade a alegação da prefeitura. Mas quando a internet voltar e estabilizar, considerando que deve estar muito ruim para prefeitura, fazemos votos de que o portal da transparência também seja atualizado.

Ou que a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde responda as demandas que lhe são enviadas. Talvez, na verdade, a secretaria nem saiba dessas demandas.

Já que há problema na internet.

[OPINIÃO] Prefeito de Natal boicota ações de contenção do coronavírus

O prefeito de Natal, Álvaro Dias, veio a público recentemente se queixar de que pacientes de outras cidades estavam superlotando o sistema de Natal, cobrando medidas da governadora Fátima Bezerra.

A razão assiste a Álvaro Dias nessa cobrança. Mas lhe deixa desamparado quando se pergunta o que prefeito fará para evitar que as pessoas precisem chegar ao hospital.

Enquanto a vacina não chega, o distanciamento social é a medida adotada no mundo todo. Qual o método: primeiro se apertam as medidas de distanciamento para reduzir a demanda sobre o sistema público de saúde.

Depois de afrouxam as medidas e se retomam as atividades, com protocolos de distanciamento social.

Álvaro Dias quer aplicar a segunda etapa sem passar pela primeira. E isso contribui também para a superlotação do sistema de Natal. Para ele, no entanto, sua incapacidade de tomar as medidas que devem ser tomadas resulta de culpa do Estado, e não da sua própria omissão.

Escrevi neste artigo como a responsabilidade está compartilhada entre ambos. Mas de lá para cá, o governo do Estado tomou a coragem de fazer o que devia ter feito lá atrás – pois agora estaríamos na abertura da economia com protocolos de distanciamento dentro da retomada.

Não foi feito lá atrás e debulhar-se em lágrimas sobre o leito derramado não adiantará. A radicalização do isolamento social é medida adotada em todo o mundo e aqui não seria de haver diferente. Esse pensamento, aliás, é compartilhado pelo próprio secretário de Saúde de Natal, que apontou como a cidade estava deixando a desejar.

Se a hora de atravessar tal momento é essa, a atitude da prefeitura de Natal em ser ver alheia e vítima de omissões do Estado reflete, em verdade, que o prefeito Álvaro Dias boicota a contenção do coronavírus.

Governadores no Nordeste não estão isentos do sumiço do R$ 48,7 milhões; foram negligentes e também devem ser cobrados

O desdobramento que levou à prisão os sócios da empresa Hempcare não isenta de responsabilidade os governadores do Nordeste.

A empresa recebeu antecipadamente R$ 48,7 milhões para entregar 300 respiradores. Não entregou nem os equipamentos, nem devolveu o dinheiro.

O fato de haver uma frente ofensiva contra a empresa, a partir dos estados do Nordeste, não exime os governadores.

No mínimo, ele não tiveram a cautela necessária para realizar transação em valor tão elevado. No máximo, podem ser apanhados também.

Para produzir as matérias sobre o tema no Blog do Dina, consultei bancos de dados que traziam expressamente o alerta de que a Hempcare tinha sócios cujo histórico de confiabilidade em honrar compromissos financeiros era baixo, sendo alto o risco de calote.

Se eu fui capaz de acessar informação tão primária, será que nove governadores, com um sistema de inteligência tão amplo, não foram capazes de detectar o mesmo?

Não foram capazes de puxar o histórico da empresa e seus sócios e detectarem o risco de fraude, como acusam hoje publicamente?

Houve negligência, portanto.

Para além disso, a investigação que levou à prisão os sócios da empresa nesta segunda-feira é tocada pela Polícia Civil da Bahia.

Convém que tal investigação seja federalizada, o que, de fato, já está em andamento na Polícia Federal, para que se afastem as suspeitas de eventual ingerência sobre as ações da polícia judiciária baiana.

Live do Cabaré Sol e Lua, em Caicó, crucifica a hipocrisia e ressuscita o amor

Uma das passagens mais belas da literatura bíblica é aquela na qual Cristo, ressurgido dos mortos, revela-se, pela primeira vez, a Maria Madalena.

O filho do Todo Poderoso tinha discípulos que lhe expressavam devoção inesgotável; tinha uma mãe que passou para o futuro como um poderoso exemplo de mulher; tinha inimigos a quem podia se apresentar e provar que falava a verdade.

Mas ele escolheu a prostituta convertida para testemunhar a ressurreição.

É que o amor de Maria Madalena não precisava de palavras e rituais em templos. Ele se apresentava em ações. Foram elas, as ações, que atraíram o Cristo a se materializar para Maria Madalena.

Lembrei de Madalena ao ver Lilia Saldanha (foto) desfilar em live com suas garotas do Cabaré Sol e Lua, em Caicó, para, arrecadando donativos, distribui-los às religiões que abrigam um sem fim de fiéis que ainda exprimem seu amor a Deus em palavras, porque incapazes de demonstrá-los em gestos.

As curvas voluptuosas das prostitutas que se exibiram no fim de semana passado pelo Youtube arrecadaram R$ 10 mil, meia tonelada de alimentos e mais 108 cestas básicas.

Tudo está sendo doado para a caridade – e para o próprio sustento das garotas.

As imagens em que Lilia Saldanha aparece repassando o dinheiro para as obras de caridade da Igreja Católica ou para as instituições de denominação evangélica, sem que se lhe faça nenhuma crítica, crucificam a hipocrisia e ressuscitam o amor.

Vem da prostituição o gesto de caridade que muitos que se abrigam sob templos são incapazes de demonstrar.

E, apesar de tudo, o amor não pede nada em troca.

As prostitutas não pedem para que parem com o preconceito com elas.

Como de Lilia Saldanha não se ouviu uma palavra contra os fiéis.

Olhai o exemplo de Maria Madalena. Olhai o exemplo das garotas de Lilia Saldanha.

Tendo Cristo escolhido aquela que expressa seu amor em ações, indague-se se ele se apresentaria a você, que só consegue expressar o amor a Deus em palavras.

O que falta a Álvaro Dias?

Os números do Hospital de Campanha de Natal já saíram de R$ 8 milhões para quase R$ 29 milhões.

Há questionamentos demais. Assim como no caso do Hospital de Campanha da Arena das Dunas, explicações são necessárias.

O Blog do Dina acompanha os dois casos divulgando o que acha de relevante interesse público. Aplicando a ambos a mesma métrica.

Mas não há gritaria em torno dos números da Prefeitura de Natal.

É que falta a Álvaro Dias ser do PT.

OAB-RN cismou que é Ministério Público e expede recomendação sobre covid-19 para prefeitos

Ora, ora.

Se o STF invade competências do Congresso por que não ensaiar uma ofensiva em território do Ministério Público, não é mesmo?

Pois bem.

Em documento laudatório, a seccional da OAB deu publicidade a um documento em que orienta que prefeitos criem um consórcio para combater a covid-19.

Fala-se algo sobre o dinheiro sair da taxa de iluminação pública.

A ideia é assinada pelo advogado Sildilon Maia Thomaz do Nascimento.

É uma proposta tão profunda quanto um prato raso, visto que a formação de consórcio a essa altura da pandemia seria obstáculo.

Quando o consórcio estivesse juridicamente pronto, a pandemia já teria deixado seu saldo de mortos e feridos.

Não há nas 17 páginas nenhuma mísera linha sobre algo mais palpável: por que a OAB não luta para liberar os municípios de pagarem precatórios?

Falta o quê? Para isso, não há proposta para os municípios, não é mesmo?

No plano estadual, o TRT liberou R$ 1,3 milhão para o Estado utilizar no combate à pandemia. O dinheiro era de precatórios de pequeno valor.

A OAB silenciou.

Se silenciou concorda quando é o Estado.

E os municípios?

Quando encontrarem a coerência desses atos me avisem por favor.

Marcelo Alves e o vírus da demência

Costumo ler os artigos que o procurador-regional do Ministério Público Federal, Marcelo Alves, escreve como articulista na Tribuna do Norte.

Um dos meus preferidos é de maio do ano passado, um tratado sobre moderação, onde Alves escreveu andar preocupado com “estes tempos em que radicais e amalucados pululam na nossa Justiça, na nossa política e na condução geral de nosso país.”

Mas não é sobre esse artigo que quero falar, mas sobre o mais recente, que recebi por WhatsApp seguido pelos emojis de aplausos, pois meu interlocutor concordava com o que lá estava escrito. Preferi abri o texto original, na Tribuna do Norte. Ei-lo aqui.

Se chama ‘O vírus da demência’. Ao terminar de lê-lo, imediatamente liguei para Marcelo.

O repórter dentro de mim tinha perguntas para fazer.

Já na abertura do texto, o chefe do Ministério Público Federal no Nordeste anota que ocupa o tinteiro para falar ‘Do e dos amalucados que querem mandar as pessoas às rumas sem a menor preocoupação com a saúde de todos e, sobretudo, daqueles mais vulneráveis’.

A elipse empregada me inquietou: Marcelo objetivou o plural genericamente, mas deixou um sujeito singular escondido.

Ele falou do e dos amalucados.

Estaria o chefe do Ministério Público Federal no Nordeste criticando pela omissão da elipse o presidente da República?

Liguei para Marcelo para perguntar porque me soa espantosa a ideia de que a politização do Brasil invada o Judiciário e os órgãos congêneres.

A mim é dado o direito de chamar Bolsonaro de tresloucado.

Do chefe do MP Federal, por mais que concorde com esse posicionamento, se espera a moderação de que Marcelo mesmo falou no artigo que mencionei anteriormente.

Solícito, Marcelo Alves atendeu. Introduzi o assunto, mas fui interrompido.

“O artigo fala por si. É um artigo de articulista de jornal. Não tenho o que acrescentar a ele. Você pode reproduzi-lo, mas não darei entrevista até porque está uma correria danada na Procuradoria”, cravou o procurador.

Não deu tempo de perguntar mais nada.

Mas não ficarei com as dúvidas só para mim, quais sejam:

Dá para dissociar entre a figura de articulista e de membro do MPF?

Está entre as missões institucionais de membro do MPF transitar no pantanoso terreno da política?

Concordo com o que Marcelo escreveu.

No artigo sobre moderação.

São tempos loucos.

Bem-vindo, coronavírus: RN recebe voo com passageiros do exterior sem nenhum controle epidemiológico

Bem-vindo, corona, seu lindo!

Entre no Rio Grande do Norte pelo aeroporto de São Gonçalo do Amarante, onde só tem um fiscal da Anvisa, que nada faz, conforme já contei aqui.

Sinta-se em casa. Tem gente trabalhando contra você e vai lhe incomodar, certamente.

Mas na sua chegada pelo aeroporto de Natal, como deve ter sido ontem, você não vai encontrar nenhuma dificuldade.

Contamos com a consciência das pessoas que estavam nesse voo para que se isolem espontaneamente.

Gente que estava nos EUA e Europa e finalmente conseguiu chegar a Natal após conseguir voar para São Paulo.

Você, corona, está tendo uma entrada confortável, mas sua estadia aqui será dura.

Tem gente mobilizada, apesar do descaso das autoridades federais.

Aliás, o que o Governo do RN está esperando para pedir à Justiça interdição de competência?

No Ceará, o estado já fez isso e tomou o controle da vigilância epidemiológica no aeroporto de Fortaleza.

Nota do redator: cansado desse tema, Dinarte decidiu escrever o texto em outro formato. As informações deste post foram checada.

Disseram que não se combate uma pandemia com estádios, mas a Arena das Dunas pode provar o contrário se abrir mão por enquanto das parcelas milionárias que recebe do RN

Há um certo blá blá blá que mistura má-fé e ignorância no ar com esse papo de que estádios não resolvem uma pandemia.

Resolvem, sim.

No Rio Grande do Norte, todo mês saem entre R$ 8,5 milhões e R$ 12 milhões, em média para a prestação de pagamento do estádio Arena das Dunas.

A grandeza do monumento encravado em Lagoa Nova combina com gestos igualmente grandes.

Gestos como se dispor a renegociar os termos de pagamento, permitindo que o Estado use provisoriamente, se não a totalidade, parte da parcela destinada ao estádio para socorrer as ações contra a covid-19.

Se combate uma pandemia com estádios, sim!

Covid-19: Autoridades de saúde estão perdendo a batalha, mas a vítima mesmo é quem mais precisa

A pandemia de coronavírus, quando tiver passado, vai nos obrigar a abraçar mudanças irreversíveis.

O que está em curso é calamitoso em todos os sentidos.

Enquanto o vírus se espalha em progressão geométrica, as autoridades reagem em progressão aritimética.

Estamos perdendo.

No Rio Grande do Norte, o senhor secretário estadual de Saúde já tem a informação de que o quadro é de uma gravidade sem precedentes.

Já sabe que o quadro geral é de que o Brasil está em contágio comunitário.

Oficialmente, no entanto, a ordem é repassar as estatísticas vencidas.

O vírus vai mirando no futuro enquanto estamos detidos em reações do passado.

É bem verdade que a responsabilidade é de todos no enfrentamento da situação. Mas todos esperam liderança. Esperam posturas mais coerentes com a gravidade do que se lhes apresentam.

As vítimas fatais já feitas pelo coronavírus são, vejam só, as que mais precisam.

Foram pessoas sem assistência hospitalar. Elas são várias.

É insulto à dignidade de todos, especialmente de quem mais precisa – o quadro que se desenha.

Por que os postos de gasolina do RN lutam na Justiça para não revelar como compõem o preço da gasolina que vendem

Por que lutam?

Sim, eles lutam.

Lutam desde 2014.

Tudo começou com uma lei municipal que obrigava os postos a discriminar o preço do combustível. Isso permitiria que quem fosse abastece soubesse o quanto estava pagando exatamente pelo combustível.

Mas o Sindipostos/RN não gostou e foi bater na Justiça.

De lá, conseguiu decisões laudatórias sobre a livre iniciativa.

Livre iniciativa e setor de combustível de Natal são expressões que não cabem na mesma frase.

Foi esse setor que fez inferno travestido de lobby na Câmara Municipal de Natal para manter restrição de concorrência.

O caso terminou no Cade, que arquivou acusações de cartel, mas lembrou ser inconstitucional a regra que proibia postos em hipermercados ou supermercados.

Foi depois desse fuzuê que se propôs então que se discriminassem os preços.

Os donos dos postos dizem que é uma afronta à livre iniciativa revelar o lucro operacional.

O Tribunal de Justiça concordou e declarou a lei inconstitucional, mas determinou que o processo fosse para o STJ.

Aparentemente, no entanto, o caso se perdeu nas masmorras do Tribunal de Justiça, porque a decisão para remeter ao STJ é de meados de 2019 e até o presente momento, enquanto a gasolina em Natal vale um colar de pérolas, o caso não chegou ao Superior Tribunal de Justiça.

Eu escrevo e você lê no mesmo país em que há uma lei federal que permite ao consumidor ter em sua nota fiscal os impostos discriminados dos produtos que compramos.

Livre iniciativa haveria se fosse dado ao natalense o direito de saber quanto ele está pagando de imposto, de combustível e de lucro.

Pois seriam iniciativas como essas que estimulariam, vejam só, concorrência.

Projeto que nasceu no ‘Setembro Cidadão’ vira lei para promover ética nas escolas do RN, para onde os agentes da pós-verdade deveriam voltar

A governadora Fátima Bezerra sancionou uma lei que dispõe sobre a inclusão de conteúdos sobre ética, cidadania e política na rede estadual de ensino.

O ato, mera formalidade, foi suficiente para que os agentes da pós-verdades se passassem a falar em doutrinação ideológica na rede estadual de ensino.

Os idiotas poderão vencer porque são muitos, é bem verdade, mas não chegarão ao pódio sem antes passarem a vergonha de serem desmascarados.

A quem interessar possa, existe no calendário gregoriano um mês chamado setembro.

Neste mês, designou-se que seria um período voltado à conscientização da cidadania, como outubro é dedicado ao combate ao câncer de mama, e novembro, ao da próstata.

Virou Setembro Cidadão.

Foi das audiências e discussões desse mês que o movimento no RN liderado pelo juiz Jarbas Bezerra apresentou a ideia à Assembleia Legislativa de incluir na rede estadual de ensino matérias sobre o tema.

Apresentado pelo deputado Ezequiel Ferreira de Souza, o projeto buscava, basicamente, tratar de políticas ligadas à cidadania.

Aprovado, passou à sanção da governadora.

Nada nele fala sobre doutrinação ideológica, como querem crer os agentes da pós-verdade.

Houvesse conhecimento sobre ética, tais agentes teriam descoberto tudo isso.

Talvez voltem às escolas onde as disciplinas serão ministradas para aprender.

Ficamos na torcida.

[VÍDEO] O vereador Cícero Martins me chama de mentiroso, mas o processado por calúnia é ele

Em atenção aos leitores do blog e para repor a verdade, publiquei esse vídeo no meu Instagram:

 

The Intercept cruza linha inaceitável e expõe relação entre procuradores e jornalistas do Antagonista

O site The Intercept Brasil cruzou uma linha inaceitável nesta segunda-feira (20) ao expor a relação entre procuradores da República e jornalistas do Antagonista.

Os dois sites polarizam uma disputa em torno da Lava Jato. O The Intercept expõe numa sucessão de reportagens medidas questionáveis dos procuradores baseados em Curitiba.

Já O Antagonista se notabilizou pelo apoio incondicional à Lava Jato e os procuradores. Sua cobertura já indicava que ele recebia informações privilegiadas da Lava Jato.

A relação entre fontes e jornalistas é baseada, no geral, em interesse de quem passa as informações. As motivações vão das mais baixas, como passar informação para prejudicar um adversário, às mais altas, como repassar informações, tão somente e apenas, pelo interesse público.

Cabe ao jornalista, ao receber as informações, dosar se quem vai ser mais beneficiado é a fonte ou o interesse público.

Ao expor a relação entre os jornalistas do Antagonista e procuradores da Lava Jato, o site The Intercept Brasil cruzou uma linha inaceitável na medida em que não traz, em nenhum momento de seu texto, as razões de porquê o fez.

Qual é o interesse público em revelar que os jornalistas de o Antagonista tinham acesso privilegiado a algumas informações?

A falta de clareza nessa resposta dá margem para afirmar que a publicação do The Intercept nesta segunda-feira é movida pelo revanchismo contra o Antagonista, crítico mordaz do site liderado por Glenn Greenwald.

O próprio The Intercept Brasil teve acesso privilegiado às conversações de dezenas de autoridades e esperava-se, com isso, que apenas o que fosse de relevância pública viesse à superfície.

Cumpre lembrar que se houve crime na relação entre procuradores e O Antagonista, ele foi praticado por procuradores ao repassar informações sigilosas aos jornalistas, como o criminoso foi o hacker que invadiu as contas do Telegram de autoridades e repassou o conteúdo ao The Intercept.

Em ambos os casos, nem os jornalistas do Antagonista nem do The Intercept incorreram em crime ao receber informações.

Quem conseguiu fazer uma imersão nessa relação e levantar a discussão sem cruzar a linha do aceitável foi o jornalista Ricardo Balthazar, ao explanar como os procuradores discutiam como iriam vazar informações. Balthazar, no entanto, não quebrou o anonimato de nenhum jornalista com sua fonte.

Esperava-se do The Intercept, que veio com o discurso moralizador do jornalismo, honrar suas convicções e não atirá-las na vala comum em nome do revanchismo.

Discurso modernizador de Álvaro Dias é arrastado pelo aguaceiro da chuva e desemboca nas ruínas do Hotel Reis Magos

As chuvas que açoitaram Natal nas últimas horas expuseram mais uma vez a fragilidade do equipamento urbano e arrastaram à lama o discurso modernizador que Álvaro Dias bradou para botar abaixo o Hotel Reis Magos.

Parêntese que, sim, sou a favor de colocar aquele horror abaixo. Uma busca no arquivo do blog expõe meus motivos.

É que há uma intersecção nas palavras e gestos do prefeito de Natal que unem a demolição à inércia diante da chuva sobre a cidade.

Em dezembro passado, Álvaro Dias mandou cercar o hotel em ação de marketing. Alardeou, na ocasião, iminente risco de desabamento.

Hoje, com a desfaçatez que é própria a quem não sabe o que fazer, disse que não podia prever os efeitos das chuvas na cidade.

Previu um desabamento incerto e se fez de cego ao aguaceiro que é tão certo de acontecer.

Ora, ora.

Desde que Adão e Eva foram expulsos do paraíso que é sabido que Natal não resiste aos ventos alísios carregados de umidade.

Precipitações atmosféricas fazem-se acompanhar de gestores precipitados.

Aplicássemos ao prefeito de Natal o mesmo rigor com que cobramos da governadora Fátima Bezerra medidas sobre o Hotel Reis Magos, talvez houvesse uma abertura no noticiário que favorecesse o prefeito de Natal.

Mas não há.

Não só não há, como o prefeito não contribui. Instado a se manifestar sobre o caso, disse, por palavras outras, que a culpa é da chuva, pois não haveria como prever os estragos.

Tão logo saíram de sua boca, as palavras foram arrastadas pela força da água que colocou Natal sob alerta e desembocaram nos primeiros escombros de demolição do Hotel Reis Magos.

Pois não há como rejeitar as semelhanças das circunstâncias.

Ao pó retornarás.

A ascensão de BG e a falta de lideranças políticas apontadas em pesquisa em Natal

A pesquisa que o Instituto Seta trouxe à luz nesta segunda-feira tem dados curiosos.

Lá pelas tantas, indaga-se ao natalense quem é o maior líder político da cidade.

A resposta é uma retumbante negativa: 80% não respoderam ou não souberam responder.

Por outras palavras, é esse o percentual de pessoas que não reconhece grandes líderes em Natal.

O desempenho dos dois principais citados é sofrível. Fátima Bezerra é a maior liderança para 6,2%. Já o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves aparece como guia para 3,3%.

Daí para os números da pesquisa estimulada para prefeito há um elo, pois não deixa de ser um fenômeno interessante constatar que o apresentador Bruno Giovanni pontua entre pessoas que têm mandato eletivo e sólida trajetória na política. 

Sem nenhuma surpresa, o prefeito Álvaro Dias pontua acima de 22% nos quatro cenários de disputa, que variam com a inclusão ou exclusão dos nomes de Natália Bonavides ou BG, para citar os principais colocados.

Os nomes de Kelps Lima e Hermano Morais, francos pré-candidatos, aparecem em todos os levantamentos, empatados com BG, no patamar dos 5%.

A falta de reconhecimento de líderes pode refletir a rejeição à política que ainda é marca do pleito de 2018.

Nesse sentido, a eleição de 2020, que é municipal e com fatores de escolha adversas da presidencial, se inclina a repetir alguns dos filtros que conduziram Bolsonaro à presidência.

Fica mais fácil para BG canalizar essa expectativa, já que o ‘outsider’, a pessoa sem mandato e vida partidária, é ele entre os nomes que pontuaram.

Bruno, no entanto, diz que não está em seus projetos disputar a prefeitura. Procurado mais uma vez pelo blog, reiterou essa posição.

Operação contra governo socialista da PB afeta coalizão de esquerda formada no Nordeste contra Bolsonaro

A investida nesta terça-feira (17) contra a cúpula do governo da Paraíba desfere também um golpe na imagem que o Consórcio de Governadores do Nordeste vem construindo.

O grupo é visto como antítese de Bolsonaro.

A operação que decretou a prisão do ex-governador Ricardo Coutinho e determinou busca e apreensão contra João Azevedo, atual governador, atinge o argumento dos governadores de que o modelo de governo desenhado nos estados do Nordeste é a melhor resposta à agenda de Brasília

Em que pese a autonomia de cada estado e os oitos demais não terem responsabilidade sobre o que se passou na Paraíba, foi esse o estado contra o qual o presidente Bolsonaro, em julho, se insurgiu, ao dizer que o governador paraibano, junto com o do Maranhão, Flávio Dino, eram os piores da região.

A declaração levou os demais governadores a saírem em defesa da Paraíba, do Maranhão e do Nordeste. Fátima Bezerra, inclusive, chamou o presidente à época de ‘coronel’.

Para além disso, o ex-governador que teve prisão decretada, Ricardo Coutinho, já na condição de ex-mandatário, foi recebido com pompa pelos atuais governadores em seminário da revista Carta Capital, indicando afinidade e chancela de que ainda goza no grupo dos atuais chefes dos executivos estaduais.

Em política, as imagens e o que não é dito valem muito.

As imagens estão aí falando por si nas reuniões em que os governadores do Nordeste se apresentam como solução moral e econômica.

E o que não é dito não é menos importante. Por ora, o silêncio das lideranças do Nordeste sobre o que se passa na Paraíba é o registro mais importante a ser notado.

Convém saber se o ministro da Educação pretende apenas substituir os maconheiros de esquerda pelos cheiradores de pó da direita ao atacar as universidades federais

A primeira vez que fumei maconha na vida foi na UFRN.

Foi ali em algum lugar do Setor II.

Os maconheiros estão aí por toda parte.

Dizem que são de esquerda.

Já a direita é cheiradora de pó.

Parece haver algum sentido nessa divisão ideológica de entorpecentes.

Antes de ter overdose por cocaína e parar com esse estilo de vida, eu estava cercado por eleitores de Aécio. E eu não estava na universidade.

Mas que diabos, por que este preâmbulo?

Ah, sim. O ministro da Educação, Abraham Weintraub reafirmou hoje que há produção de drogas nas universidades federais.

Para embasar a fala, o ministro exibiu uma série de reportagens sobre o tema.

O problema é que as reportagens falam uma coisa – que alunos consumiram drogas em universidades como a UnB e a UFMG – e a fala do ministro diz outra: que há produção de drogas pela instituição, com permissão, portanto, dos gestores das universidades.

É uma coisa absurda de ser. Mas fica ainda mais inimaginável se dita da boca de um ministro da Educação.

O problema das drogas não existe nas universidades na mesma medida em que existe a corrupção na política, a pedofilia na igreja católica e a extorsão nos templos evangélicos.

Pois enquanto nas universidades os gestores não concorrem para disseminar a prática de uso de drogas, na igreja católica, evangélica e na política, os crimes que citei ocorrem sob anuência de suas lideranças.

É aviltante que alguém encarregado de promover políticas de Educação abrace, em nome da guerra ideológica, um ataque tão atroz a instituições que oferecem muito mais do que alunos maconheiros.

É bem verdade que o ambiente universitário é, por excelência, o campo onde as esquerdas dominam.

Mas se o ministro da Educação tem por objetivo reverter o cenário precisa agir com políticas, não com fake news.

A menos que sua intenção seja meramente acabar com os maconheiros de esquerda nas universidades.

E substitui-los pelos cheiradores de pó da direita.

É uma discussão inócua, mas não qual já vamos perdendo mais tempo do que deveríamo.

É uma discussão tão destrutiva quanto a maconha ou a cocaína.

Desembargador nega exorcismo de demônios que prefeitos ajudaram a criar em ação contra o Proedi

 

O desembargador Cláudio Santos negou a oito municípios do RN pedido semelhante ao que Natal arrancou de Vivaldo Pinheiro.

Esse viu perigo no Proedi para Natal.

Aquele viu perigo para o Rio Grande do Norte não na negativa, mas no pedido formulado.

E não é que Cláudio Santos enxergue demônios imunes ao exorcismo, ou por outras palavras, sua decisão não é irrevogável.

Os prefeitos terão, portanto e por ora, de conviver com os demônios que ajudaram eles mesmos a criar quando, por um lado, arriscaram um estilo de governança sem compromisso fiscal e majoritariamente dependente de repasses externos.

Quando, por outro, fecharam acordo com o estado sobre o Proedi para, ato contínuo, desfazerem tudo em ação na Justiça.

Santos não vê razão para, em liminar, conceder medida tão atabalhoada, capaz de mexer com a lógica fiscal de municípios, estado e empresas.

Capaz, acima de tudo, de promover insegurança jurídica.

Maior problema do RN não mobiliza protestos no cruzamento do Midway

Metade da população do Rio Grande do Norte, ou 1,7 milhão de pessoas, vive com 289 reais por mês, 69% abaixo da média nacional.

Os dados são do IBGE.

São números desoladores e que, pior, atingiram seu pior patamar.

Nunca antes estivemos tão desiguais.

É o mais grave problema de nosso estado.

De nosso país.

Mas não mobiliza protestos no cruzamento do Midway Mall.

Nem na Avenida Paulista.

Não houve, até o momento, nenhum governante preocupado em promover políticas de crescimento pessoal do indivíduo.

Mas e o Bolsa Família, Dinarte?

É programa assistencial, não política complexa que contemple o desenvolvimento do indivíduo em toda sua plenitude.

Ninguém está preocupado em resolver o pior problema que assola o Brasil.

Que solapa o RN.