Maior problema do RN não mobiliza protestos no cruzamento do Midway

Metade da população do Rio Grande do Norte, ou 1,7 milhão de pessoas, vive com 289 reais por mês, 69% abaixo da média nacional.

Os dados são do IBGE.

São números desoladores e que, pior, atingiram seu pior patamar.

Nunca antes estivemos tão desiguais.

É o mais grave problema de nosso estado.

De nosso país.

Mas não mobiliza protestos no cruzamento do Midway Mall.

Nem na Avenida Paulista.

Não houve, até o momento, nenhum governante preocupado em promover políticas de crescimento pessoal do indivíduo.

Mas e o Bolsa Família, Dinarte?

É programa assistencial, não política complexa que contemple o desenvolvimento do indivíduo em toda sua plenitude.

Ninguém está preocupado em resolver o pior problema que assola o Brasil.

Que solapa o RN.

COMENTÁRIO EM VÍDEO | Mimizentos passaram do ponto ao quererem passar cantada por crime sexual

Nem Bolsonaro, nem governadores do Nordeste nem ninguém está realmente interessado em resolver as manchas de óleo

Você não está sendo um pouco pesado em generalizar, Dinarte?

Não, não estou.

O interesse é a Venezuela. O foco da discussão é a ideologia da origem ou quem mandou contaminar.

Se é que alguém mandou.

Enquanto isso, em grupo de WhatsApp promotores do Brasil discutem jurisprudência para amparar as pessoas que queiram cancelar pacotes de viagem para o Nordeste sem que lhes haja prejuízo.

No governo Bolsonaro, a inércia de ações é inversamente proporcional às medidas efetivamente tomadas.

As manchas seguem chegando ao litoral.

No Rio Grande do Norte, o governo acaba de divulgar que elas não afetam o turismo. O blog já tinha dado o tema.

É a curiosa divulgação segundo a qual na falta do que dizer sobre o que se faz, melhor conta os resultados positivos da própria inércia.

Ah, sim…

O turismo é a principal atividade econômica da região.

Histórias cruzadas: como a execução de um PM potiguar se encontra com a morte da menina Ágatha

Há muito mais em comum nas histórias do PM Adailton Cristiano Silva e a menina Ágatha.

O primeiro foi executado no fim de semana no Rio Grande do Norte. A segunda teve a vida abreviada por um tiro de fuzil atribuído à polícia do Rio de Janeiro.

As semelhanças nas histórias vão além do “Rio” que está presente nos nomes dois estados.

Para começar, é preciso afastar o raso argumento de que pedir apuração e punição sobre policiais que matam indiscriminadamente significa defender bandido.

Essa régua de falsa equivalência embute uma armadilha, pois o silêncio perante casos como o de Ágatha significa dar permissão para a polícia matar.

E estaremos nivelando a polícia a bandidos.

Assim como há jornalistas maus, há maus policiais.

Mas não era o caso de Cristiano.

A vida do PM potiguar foi interrompida por uma bala disparada por bandidos.

Ágatha e Cristiano são consequências de como seus respectivos estados vem lidando com a política de segurança pública: com negligência.

As polícias de Pernambuco e Espírito Santo apareceram no último Anuário da Segurança Pública como uma das mais combativas.

Por que não há clamor nacional sobre as mortes provocadas por essas polícias? Porque seus policiais foram treinados dentro de uma política de segurança onde a repressão é força canalizada apenas e tão somente contra o crime.

No Rio de Janeiro, o governador Witzel parece empenhado com seu discurso em fazer o contrário: ao invés de canalizar, ele espalha a força da repressão.

É assim que morrem as Ágathas.

E como morrem os Cristianos?

Morrem pela negligência do estado desconsiderar um plano de segurança públca que priorize também a tropa policial. Nos últimos anos, vimos o Rio Grande do Norte agir reativamente, ou seja, provocado por circunstâncias externas.

A falta de planejamento interno agora mostra a face: negligenciada, a polícia morre.

O epitáfio de Ágatha e Cristiano tem a assinatura do Estado.

Policial morre três vezes na Grande Natal e escancara como a PM do RN sangra em praça pública

O sargento da Polícia Militar Adailton Cristiano Silva foi assassinado três vezes na noite dessa sexta-feira.

Sua primeira morte foi quando ele pediu para não morrer, em nome de seus cinco filhos, doravante órfãos.

Sua segunda morte sobreveio quando os três bandidos que lhe interceptaram o obrigaram a se ajoelhar.

A terceira morte veio quando, finalmente, a bala transfixou seu crânio e ele pendeu sem vida no chão de barro da estrada da comunidade de Córrego, em Vera Cruz, região Metropolitana de Natal.

Quando um policial precisa pedir para viver e é obrigado a se ajoelhar, todos nós caímos com ele.

Quando um homem a quem foi legalmente instituído o dever de ter o poder de repressão do Estado tomba ajoelhado, a sociedade também tomba ajoelhada.

É vergonhoso para o Estado do Rio Grande do Norte que sua polícia esteja sendo assassinada e as reações mais evidentes sejam notas de condolência.

Notas de condolência nunca bastaram. Agora, chegam a ser desrespeitosas.

Lamentar não é suficiente.

Os R$ 80 milhões de um convênio para equipamentos não são suficientes.

Um plano de segurança pública não é suficiente.

O suficiente é o Estado do Rio Grande do Norte parar de tratar sua polícia como um problema, ao invés de encará-la como uma solução.

Pois chegamos a uma situação em que o último estágio do combate à violência – a repressão – é o que precisa ser feito. E para tanto é preciso que haja tropa.

Em janeiro de 2020, o governo vai convocar mil policiais do concurso público.

Mas quando dezembro de 2019 chegar, mil policiais terão saído para a reserva.

Os números fecham com exatidão. O problema continuará o mesmo.

Quantos Cristianos precisarão cair ajoelhados ainda?

Até quando o Estado vai ser fiador, em sua profunda omissão, dessa sangria?

Janela LGBT para Fátima Bezerra

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública mais recente tem muito material a ser explorado.

Como a seção sobre crimes de ódio.

Nosso Rio Grande do Norte aparece tracejado nas estatísticas.

Ou não temos crimes de ódio ou eles não são registrados pelas autoridades policiais.

Opção dois.

Em 2018, sete estados, incluindo o RN, deixaram de registrar crimes de injúria racial.

O cenário é ainda mais desolador quando se olha para homofobia.

Catorze estados fecham os olhos para a questão, incluindo, de novo, o RN.

A governadora Fátima Bezerra nunca fez de sua sexualidade um amplificador de luta.

Não há registros de que ela tenha convertido tão abertamente sua sexualidade em estandarte. Já ouvimos muito “Como professora, eu…”, “Na condição de mulher…”, e outras variantes.

Mas não se tem notícia de “Como LGBT, eu…”.

Ela deve ter suas razões.

Calada já inquieta a misoginia de covardes.

Imagine, então, se falasse.

É possível, no entanto, falar com atos.

E atos dizem mais que palavras.

Para além do que vem sendo gestado na subcoordenadoria de minorias, que tem projeto para que a polícia passe a monitorar essas estatísticas, a governadora tem a oportunidade de fazer mais.

Criar um delegacia para crimes de ódio no RN, por exemplo.

Há uma janela de oportunidade.

OPINIÃO | Natal é uma cidade hipócrita

[VÍDEO] Marcos Aurélio de Sá e eu debatemos sobre censura a HQs com beijo gay na Bienal

Seria Marcelo Crivella a reencarnação do bispo de Barcelona?

Recordei-me hoje do Espírito da Verdade, nome com o qual se apresentou uma das entidades benevolentes que ajudaram Allan Kardec a escrever o Livro dos Espíritos, na distante Paris de 1857.

A Igreja ficou enfurecida e costurou com poderosos da ocasião vetar o livro.

Em Barcelona, sob as bençãos do bispo Antonio Palau Termes, os livros foram queimados.

Kardec se correu em aflição. Recebeu, então, uma mensagem psicografada do Espírito da Verdade.

O benfeitor lhe acalmou e lhe disse para não lutar. Deixasse, pois, que os livros queimassem, pois não haveria divulgação melhor deles.

Nas semanas seguintes, Barcelona inteira queria exemplares do Livro dos Espíritos.

Antonio Palu Termes pode estar reencarnado em Marcelo Crivella.

O prefeito do Rio de Janeiro ordenou ainda a censura sobre a Bienal do Livro pela exposição “Vingadores – A Cruzada das Crianças”.

Invocou o Estatuto da Criança para ordenar o confisco.

Invocou errado.

A determinação do estatuto só se aplica a casos em que há imagens de nudez ou sexo explícito. No caso do livro da Marvel, há somente uma imagem de um beijo entre dois homens inteiramente vestidos dentro do livro, não na capa.

Quando os fiscais da Secretaria Municipal de Ordem Pública estiveram no início da tarde desta sexta-feira, 6, na Bienal do Livro do Rio, deram viagem perdida.

Menos de 40 minutos depois da abertura da bienal, o livro já estava esgotado nos 520 estandes.

“Podem-se queimar os livros, mas não se queimam as ideias; as chamas das fogueiras as super-excitam em lugar de abafá-las. As ideias, aliás, estão no ar, e não há Pirenéus bastante altos para detê-las; e quando uma ideia é grande e generosa, ela encontra milhares de peitos prontos para aspirá-la”

Foi o que Kardec escreveu diante da fogueira que tentou abafar o Livro dos Espíritos.

O pensamento continua atual.

Pode se retardar o progresso, mas nunca detê-lo.

A liberdade de pensamento jamais conseguirá ser sufocada.

Secretário de Planejamento do RN posta ataque contra jornal de Mossoró por erro não intencional

O secretário de Planejamento do Rio Grande do Norte, Aldemir Freire, utilizou sua conta no Twitter neste sábado para postar um ataque em reação a uma matéria do Jornal de Fato, de Mossoró.

As reproduções do secretário são da versão impressa do jornal.

Na matéria da versão online, no entanto, as informações estão corretas.

Uma busca nos arquivos do jornal revela que o assunto sempre foi tratado como corte de R$ 300 mil mensais e que nunca houve informação sobre corte de R$ 300 milhões.

Os links estão aqui, aqui e aqui

O caso atacado pelo secretário evidencia um erro de grafia entre ‘milhões’ e ‘mil’ e afasta erro de apuração.

O Blog decidiu registrar o caso por ser imperioso apontar que não se trata apenas de uma figura no Twitter, mas de alguém com posto oficial atacando publicação jornalística.

A despeito do erro, o ataque, quando visto à luz da cobertura correta dos fatos, não se justifica.

Procuramos o jornalista Cesar Santos. Ele não atendeu a chamada.

Debate de baixo nível expõe Cícero Martins prestando continência à vergonha

O vereador Cícero Martins se encastelou na defesa da moralidade nessa quarta-feira para esbravejar contra o projeto de lei que se propõe a legalizar o incesto no Brasil.

É mentira, como contei aqui.

Não cabe sequer a interpretação que tentam empurrar sobre incesto, pois, para tanto, na legislação brasileira, seria preciso que o projeto atual fizesse menção expressa de revogar a lei que proíbe união entre pais e filhos.

Sim, existe uma lei que proíbe tal união. Chama-se Código Civil, uma das mais conhecidas do Brasil.

O vereador é um homem que faz leis, mas Cícero Martins parece delas não ter conhecimento.

Como também demonstra enorme desconhecimento a princípios humanos básicos.

Respeito, por exemplo.

Ao se encastelar como defensor da moralidade da tradicional família brasileira, ele desferiu golpes contra, não pude deixar de notar, mulheres.

Primeiro, disse que o projeto de lei sobre incesto é de Manuela Dávila. Não é. É de Orlando Silva.

Depois, apartou a fala da vereadora Divaneide Basílio, que discordou do vereador, chamando-a de imbecil.

Cícero presta continência ao machismo e ao preconceito. Sua fala está aqui, depois da qual prossigo:

 

 

O que, na sua profundidade psíquica, é tão ameaçado para ele reagir com virulência à possibilidade de famílias não tradicionais serem reconhecidas pelo estado?

A agenda liberalizante de costumes desperta paixões. Os limites da lei estão aí para mantê-las circunscritas ao plano do respeito.

O próprio projeto em questão deve ser alvo de mais debate. Eu mesmo não o defendo em sua integralidade, mas, como liberal, por princípio, defendo que não é papel do estado se meter na vida privada do cidadão.

Tampouco negar-lhe direitos.

Negar a núcleos afetivos o direito de serem reconhecidos como família é encarado como cruzada delirante. É como se disso dependesse a manutenção de uma segurança interna.

Por que Cícero Martins se sente tão inseguro é uma resposta que só ele pode dar a si na inviolabilidade do seu silêncio, ao qual, aliás, ele deveria se recolher sempre que sentisse o ímpeto de prestar continência à vergonha.

The Intercept expõe relação fonte-jornalista entre Deltan e O Antagonista, e precisamos falar sobre isso

O site The Intercept Brasil revelou nesse domingo mais uma leva de mensagens com os bastidores do que acontecia na Lava Jato.

Desta vez, Deltan Dallagnol aparece articulando para utilizar movimentos de ruas para pressionar o STF a escolher um novo relator para a Lava Jato na Corte, após a morte de Teori Zavascki.

De ilegal, nada.

E questão ética? Sim. As relações com movimentos sociais podem ser facultadas a qualquer um. Mas no caso de agentes públicos devem ser acompanhadas de transparência. Deltan fazia na surdina.

Para além disso, a reportagem expôs um detalhe que de detalhe só tem cara, visto que toca num vespeiro que merece ser discutido.

A dada altura da reportagem, o The Intercept expõe um diálogo entre um assessor de imprensa do Ministério Público Federal e Deltan Dallagnol.

Na conversa, fica claro que o assessor orienta o procurador sobre condutas abertas  e as discretas, julgando ser mais prudente o movimento de atuar discretamente, como repassar informações para O Antagonista.

Parêntese.

O Antagonista não tem sido apenas defensor de Moro e dos procuradores, como também tem descido alguns degraus. Se utiliza, por exemplo, de apelido para se referir a Glenn Greenwald. O jornalismo virulento tem público.

Fecha parêntese.

Ao expor as fontes do site governista, o The Intercept também não comete nenhum crime. A garantia ao sigilo da fonte é para proteger jornalistas do estado. E repórteres devem ter o compromisso de preservar sua fonte.

Mas se um veículo descobre as fontes do outro, vale publicar?

Em havendo interesse público, sempre vale.

Mas, nesse caso, como o Uol fez ao omitir trechos de mensagens da Vaza Jato para não comprometer investigações, o The Intercept poderia suprimir o nome do veículo, informando apenas que o procurador Deltan Dallagnol avançava vazando informações à imprensa.

Expor o Antagonista parece revanchismo. Parece entrar no campo virulento em que atuam Diogo Mainardi, Mario Sabino e Cláudio Dantas.

O nome do Antagonista só deveria ser revelado quando houvesse material abundante indicando que procurador e veículo mantinham relação intricada.

Nesse caso, o interesse público se sobrepõe de maneira inconteste. Mas não foi isso que o The Intercept revelou em sua mais recente reportagem.

[OPINIÃO] Como o pagamento milionário a membros do MPRN escancara desigualdades e reacende debate sobre moralidade

De como o sistema judiciário escancara as desigualdades

Após a conversão ao cristianismo, o apóstolo Paulo deixou um patrimônio espiritual incontestável em suas cartas. De sua lavra saíram pensamentos atualíssimos.

Um de meus preferidos foi endereçado aos Coríntios, quando Paulo lhes advertiu: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém”.

É um trecho de uma carta cravejada de ensinamentos morais.

O pensamento de Paulo é o que me ocorre diante do pagamento de R$ 4,7 milhões a 22 promotores do Ministério Público do RN em julho.

Através do tempo, a frase de Paulo, aplicada a tais pagamentos, passa por outras citações de pensadores.

“Nem tudo que é legal é moral”, Montesquieu.

“A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta”, Pascal.

“A moral é uma, os pecados são diferentes”, Machado de Assis.

“Onde me devo abster da moral, deixo de ter poder”, Goethe.

Os pensadores acima viveram em épocas distintas.

Suas frases revelam que o problema da moralidade, portanto, é contemporâneo ao próprio tempo.

As jabuticabas do serviço público brasileiro haverão de grassar por esse campo turvo onde se misturam moralidade e legalidade, em caráter antagônicos.

Daí que vale perguntar:

É moral o recebimento de valores mesmo com direito reconhecido?

O sistema judiciário brasileiro se apresenta aos olhos da sociedade, quando se vale desses expedientes, como uma ilha de prosperidade inalcançável pela crise que solapa os demais mortais.

Tudo no pagamento desses valores tem o odor do equívoco.

Por que, por exemplo, eles não são feitos por precatórios? Pela via administrativa, como vêm sendo feitos, podem ser pagos ao sabor dos acordos de gabinete.

Que o sistema judiciário é o remédio para muitos dos males da sociedade é inegável, mas quem remedeia os remédios? Quem arbitra e corrige essas distorções?

A surdez que membros do sistema judiciário oferecem a esse questionamento ajuda a promover desigualdades.

Pois suas excelências perdem o senso de Justiça quando o assunto lhes toca o próprio bolso.

Volto a Paulo.

Da mesma carta em que pincei o trecho com o qual abri esse artigo, há este pensamento: “Vocês mesmos causam injustiças e prejuízos, e isso contra irmãos!

Ilegalidade seletiva: por que um áudio de 2014 sobre Erick Pereira só foi vazado agora?

A edição que está nas bancas digitais da revista Crusoé traz um áudio em que Ricardo Saud (JBS) fala com o advogado Erick Pereira dizendo que precisará deste para tratar de coisas sobre o pai, o ministro do TST, Manoel Pereira.

Antes de prosseguir:

1) O Ministério Público Federal no RN pediu que a PGR apurasse o envolvimento do ministro do TST em irregularidades;

2) A PGR negou porque não viu elementos para subsidiar uma apuração criminal e determinou que o caso prossiga apenas com investigação sobre Erick.

3) Em 28 de junho, o TRF5 determinou que as provas obtidas na Operação Balcão, contra Erick Pereira, sobre compra e venda de sentença no TRE-RN, fossem lacradas até posterior deliberação, porque havia evidências de que material que não tinha relação com o caso estava sendo utilizado para outros fins, o que foi proibido pela Justiça;

4) Nesse contexto, um áudio de 2014 é sacado de processos protegidos por sigilo judicial e vira manchete da Crusoé. Atentem que estou chamando atenção para o vazamento, e não a publicação. Ao contrário do gado que defende investigação sobre o The Intercept, acredito que a Crusoé fez seu papel.

“Ai, lá vem você defender corrupto, Dinarte”.

É mesmo? Talvez o histórico de meu blog lhe ajude. Tenho contado a história desse caso sem ocultar detalhes.

Que defesa estranha a que faço de corruptos.

Superada a fulanização, cumpre perguntar: vale tudo para promover Justiça?

Se você acha que vale, deve se lembrar que sua resposta não discrimina sujeitos e que o uso do Estado para retaliar hoje é praticado contra pessoas de quem você não gosta, e por isso o endosso.

É a ilegalidade seletiva, muito em voga nos tempos atuais.

Mas e quando esse leviatã se insurgir contra quem você tem, vamos usar essa palavra, simpatia?

Aí você vai cobrar a promoção da Justiça dentro do ordenamento legal.

Que estou cobrando agora independentemente do fulano emaranhado no caso.

Embustes de liberais se calam sobre invasão da prefeitura em propriedade privada em Mossoró

Rá!

Alguns episódios são especialmente saborosos por trazerem à luz o embuste de liberalidade que alguns carregam.

Certa gente costuma com muito alarde criticar o MST quando invadem terras alheias.

E vá lá que estão certos.

Sou defensor do direito à propriedade privada e mesmo a terra improdutiva, que pode ser desapropriada para fim social, deve obedecer ao rito de desocupação desenhado no ordenamento legal.

Invasão é coisa de bárbaro.

Mas agora que um terreno lá em Mossoró foi içado ao assunto da cidade por ter sido invadido pela prefeitura, os liberais sumiram.

Alguns, na verdade, até estão em defesa do município. Como não conhecem de coerência, não têm vergonha a passar.

Por evidente, essa gente não é a favor do direito à propriedade privada, ela só é a favor das suas conveniências.

É o embuste de liberal.

No fim de semana, informa o jornalista Saulo Valle, a Justiça decidiu que a prefeitura recolha-se ao seu lugar e tire a cerca que atravessou dentro do terreno alheio.

Na decisão judicial está reconhecido o valor, liberal, vejam só, do inalienável direito à propriedade privada.