Processo de demolição do Hotel Reis Magos será iniciado ainda nesta quarta-feira

Comunicado da manifestação da Procuradoria Geral do Estado nos autos do caso do Hotel Reis Magos, o prefeito Álvaro Dias mobiliza esforços para dar início ao processo de demolição das ruínas ainda nesta quarta-feira (8).

Em petição de sete páginas juntada ao caso antes da meia-noite da terça (7), o estado historiou as dificuldades do assunto, para, nas derradeiras linhas, se dizer impedido de agir em virtude do tempo.

Em dezembro, o desembargador Vivaldo Pinheiro fixou 15 dias para o Estado decidir se iria tombar em definitivo ou não as ruínas do hotel. Também determinou que, passado o prazo, sem que houvesse manifestação do Estado, ficaria a prefeitura autorizada a expedir o alvará de demolição.

Fontes que acompanham o caso jurídico de perto confirmaram ao blog que não seria imprecisão noticiar que o processo de demolição seria deflagrado ainda nesta quarta-feira.

A expectativa agora é saber se com a deflagração do processo ainda nesta quarta, o natalense verá as primeiras ruínas virem definitivamente abaixo ou se essas serão as cenas reservadas aos próximos capítulos.

Prefeitura de Natal estima arrecadar quase R$ 74 milhões com estacionamento rotativo

A convocação para licitar a zona azul de Natal foi lançada em 20 de dezembro e prevê vigência de contrato para 10 anos, período no qual a Prefeitura Municipal de Natal estimou que serão arrecadados em valores brutos R$ 74.302.099,20.

A empresa vencedora do certame deverá ser conhecida em 30 de janeiro de 2020, data marcada para abertura das propostas dos interessados no serviço.

Pelo edital, fica fixado que não poderá vencer qualquer proposta que repasse aos cofres municipais menos que 18% do valor da receita líquida, que está estimada em R$ 530.950,42 mensais ou R$ 63.714.050,06 durante todo o contrato.

Atenção natalenses que estacionam o carro por horas na mesma vaga nas ruas da cidade: seus dias estão contados!

Fiz para a Tribuna do Norte uma reportagem sobre a zona azul de Natal. A matéria está aqui.

Já aqui mesmo no blog vai um aviso para quem estaciona o carro por mais de duas horas nas ruas da zona leste ou zona sul: tome nota! A zona azul começa a funcionar em maio pela previsão.

Uma multa aguarda aqueles que descumprirem as regras.

Desembargador autoriza Município a expedir alvará de demolição do Hotel Reis Magos caso Estado não conclua processo em 15 dias

 

O desembargador Vivaldo Pinheiro acolheu pedido do Município de Natal e determinou ao Estado que em 15 dias conclua o processo de tombamento do Hotel Reis Magos.

O magistrado fixou prazo de 15 dias, e não cinco, como o Município pediu, para que o Estado defina se vai converter o tombamento do hotel em definitivo ou se vai retirar a atual proteção provisória.

O prazo passa a contar a partir da citação do Estado.

Além disso, o desembargador determina que, se passarem os 15 dias sem que o Estado se manifeste, o Município fica autorizado a expedir alvará de demolição do hotel.

“Ponderando-se os bens jurídicos em jogo, tem-se que maior será o prejuízo do Município de Natal, do proprietário do imóvel e, mais ainda, da própria população, caso mantida a tramitação ad infinitum do processo administrativo de tombamento do imóvel”, anotou o magistrado.

O processo de tombamento do hotel está aberto desde 2013.

“Não custa repetir que o Processo de Tombamento Provisório nº 299996/2013 tramita na administração pública estadual há mais de 06 (seis) anos, sem que o poder público demonstre, na prática, qualquer intenção de finalizá-lo”, critiou o desembargador em sua decisão.

Primeira advogada trans do RN volta a ser pivô de caso policial em Mossoró e movimenta paixões e ódios

A advogada Maitê Ferreira voltou a ser pivô de controvérsia nesta quarta-feira (18) após virar notícia em que é destacada que ela foi presa por furtar queijo e castanha em um supermercado em Mossoró.

O caso foi noticiado pelo portal Agora RN.

Seria um caso do cotidiano com acusação e defesa não fossem os contornos que ganharam a história de Maitê.

Ela é a primeira advogada trans do RN e engajada no movimento de lutas sociais. Sua visibilidade desperta paixões e ódios e as versões com que suas histórias chegam ao público tendem a reproduzir a intensidade das emoções envolvidas em torno dela.

Na semana passada, Maitê enfrentou a acusação de tráfico após ser apanhada pela polícia dentro de sua casa com maconha, que ela admitiu consumir, mas não traficar.

O episódio tem versões extremas entre apoiadores e desafetos. Dentro da própria polícia se considera frágil a versão de tráfico. Dentro do círculo de pessoas de Maitê, se considera que ela deveria ser mais discreta pela visibilidade que atrai.

Tanto a prisão da semana passada quanto a desta semana foram feitas pelo mesmo policial, o que, para a Polícia Militar, é apenas coincidência, argumento reforçado pelo fato de que a ocorrência foi motivada pelo estabelecimento, e não pela própria polícia.

“Tratamos esse como todos os outros casos. O estabelecimento acionou a PM e o policial estava em patrulha quando se dirigiu ao local”, informou a corporação ao Blog do Dina.

Procurado para comentar, o policial responsável pela prisão em flagrante de Maitê não atendeu nem retornou as chamadas até a publicação desta matéria.

Para a assistência jurídica de Maitê, feita pelo Núcleo de Prática Jurídica da Ufersa, não dá para se manifestar ainda em razão de não se ter conhecimento formal de acusação.

“Já fomos procurados e estamos esperando a apresentação da acusação para construir a defesa técnica. Nao temos sequer condições de falar porque não tomamos ainda conhecimento formal da acusação”, informou o professor Jairo Ponte.

Também procuramos Maitê Ferreira, mas sem sucesso. Fontes próximas reportaram que a advogada apresenta quadro psicológico adverso em razão da transição de gênero, lhe tornando mais reativa a situações.

No Facebook, Maitê postou na noite de terça uma foto com a legenda “Eu digo é valha”.

Polícia não tem dúvida quanto a autoria do crime em que padrasto envenenou e matou enteado de 5 anos em Natal; ele foi solto em audiência de custódia

Em contato com o Blog do Dina, o delegado Ernani Leite foi taxativo: “Não resta dúvida para a polícia”.

A afirmação foi sobre a autoria do crime que resultou na morte de João Victor Soares de Brito, no sábado, em Candelária, na zona Sul de Natal.

O garoto tinha 5 anos.

De acordo com as investigações, a criança passou mal quando estava em casa acompanhada apenas do padrasto. Ela foi levada ao hospital, acompanhada da mãe, onde a equipe médica levantou a suspeita de envenenamento e sugeriu que a polícia fosse acionada, informou o Agora RN.

O padrasto, preso desde então, foi solto na segunda em audiência de custódia.

O juiz que o liberou decidiu assim por não ter flagrante para manter a prisão.

 

Público em blocos do Carnatal chega a até 80% de visitantes

Roberto Bezerra, da Destaque, conversou Ênio, Marcos Aurélio e eu ontem no Jornal das 6.

Lhe perguntei sobre se há uma ideia da composição de turistas no Carnatal.

Ele disse que antes não dava para saber, mas com as vendas online, é possível dimensionar.

O bloco de Ivete Sangalo, por exemplo, chega a ter 80% de público predominantemente externo.

Coisa semelhante acontece no bloco de Bell Marques, mas só no sábado.

Na quinta, por outro lado, os foliões são predominantemente de Natal.

Na avaliação dele, no entanto, é o bloco de Cláudia Leitte que tem mais identificação com foliões da cidade.

Assistência a diabéticos piora e RN tem a maior taxa de mortalidade entre amputados do Brasil

Desde que o governo do estado entrou no impasse sobre o Hospital Ruy Pereira, a assistência a diabéticos vira e mexe volta a pauta.

Dados do Ministério da Saúde revelam as consequências da irresponsabilidade: o RN é o terceiro do país nas taxas de amputações.

Amputação é, em verdade, resultado da demora na assistência ao paciente.

No primeiro semestre de 2019, a taxa de pacientes internados com diabetes foi de 18,26 para cada 100 mil habitantes no RN. Do total, 369 pessoas dentre as internadas precisaram de amputações.

Entre os amputados, a taxa de mortalidade foi de 14,61%, a maior do país.

Em 2018, a taxa do RN ficou em 12,26%.

Muito ouro, inshalá: PF desarticula no RN grupo que contrabandeou 1,2 tonelada do produto, avaliada em R$ 230 milhões

A Polícia Federal realizou na manhã desta sexta-feira (6) uma operação para desarticular uma quadrilha formada por brasileiros e venezuelanos que contrabandeou ao menos 1,2 tonelada de ouro nos últimos três anos, avaliada em R$ 230 milhões. O mineral teria sido extraído de garimpos da Venezuela e de garimpos clandestinos em Roraima.

A PF cumpriu 85 mandados nos estados do Amazonas, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e São Paulo, expedidos pela 4ª Vara Federal de Roraima após representação do órgão policial e manifestação do Ministério Público Federal. A Justiça autorizou ainda o bloqueio de até R$ 102 milhões dos suspeitos.

A PF não divulgou detalhes ligados às prisões.

Foram cumpridos 17 mandados de prisão preventiva, 5 de prisão temporária, 48 buscas e apreensões e 15 bloqueios de bens.

Professor que provou na Justiça assédio moral, injúria e difamação contra UFRN e colega de departamento expõe fascismo disfarçado de luta social dentro da instituição

06.12.2019

O cientista social Alípio de Sousa Filho, do Instituto Humanitas, da UFRN, afirmou em entrevista ao Blog do Dina que casos como o seu não são exceção, mas que a maioria dos professores se cala temendo ser exposta às “fossas sociais”.

Em 2018, Sousa Filho foi lançado à polêmica sob a acusação de ter expulsado uma aluna de sua aula em razão da presença da filha de cinco anos. Ele foi à Justiça, que reconheceu ter havido contra Alípio campanha ‘injuriosa e difamatória’, conforme revelou o site Justiça Potiguar.

Pelo caso, a UFRN e o professor César Sanso foram condenados, solidariamente, a pagar R$ 36 mil e R$ 4 mil respectivamente.

“Qual a responsabilidade da direção da UFRN no caso? É que não quis apurar a verdade. Logo aceitou como verdadeiro uma versão mentirosa do ocorrido e nenhuma de suas instâncias me ouviu sobre o assunto. Nenhuma!”, apontou o docente.

“Hoje, são diversos os professores, e no país inteiro, que se queixam que trabalham sob o temor da agressão de alunos manipuladores de bandeiras identitárias, prontos a inventar racismo, homofobia, misoginia, machismo, sexismo, gordofobia, magrofobia, ricofobia etc. por atitudes dos professores em seu trabalho e papel na educação de crianças, jovens e adultos. A manipulação de bandeiras identitárias se transformou, na mão de certas seitas ideológicas, em fascismo. São fascistas camuflados de militantes da transformação”, afirma Alípio.

Na entrevista abaixo concedida por email, ele comenta sobre disputas de ego e como movimentos agem dentro da UFRN para aniquilar aquilo que considere contrário.

 

A vitória que foi sentenciada em seu favor responsabiliza a UFRN e o professor César Sanson. Em sua avaliação, por que um colega e a instituição em que o senhor trabalha teriam motivos para lhe detratar?

A sentença restabelece a verdade e faz justiça. Um juiz seríssimo, em sua sentença, faz o que eu chamaria de uma verdadeira análise de discurso das falas e das ações dos envolvidos em práticas de assédio moral, responsáveis também pela produção de uma mentira, de uma farsa: expulsão, que não existiu, de uma aluna de sala de aula. Penso que, nos cursos de direito, dever-se-ia tomá-la para estudo, tão tecnicamente perfeita ela é, tão criterioso o juiz foi na análise do caso.

Na sentença, que é pública e que pode ser acessada e lida por todos, pode-se reconhecer não apenas os atos do principal acusado, mas o papel coadjuvante de vários outros personagens, que, como o juiz observa, mesmo sabendo que nenhuma expulsou houve, insistiam, nos seus “testemunhos” em usar o termo, numa pura retórica de invenção do fato; eu, acrescentaria, ao que parece, para continuamente perpetuarem a mentira na qual se agarraram para dar seguimento aos atos de assédio, perseguição e violação de normas legais.  O fato já era conhecido: um grupo de alunos e professores atuou para produzir uma mentira: eu teria expulsado uma aluna da sala de aula, por não aceitar que ela trouxesse a filha de cinco anos consigo.

Desde o primeiro dia, declarei se tratar de uma mentira, uma farsa. Da qual participou a própria aluna. Uma farsa montada por um grupo de professores e alunos numa tentativa vã de macular minha imagem como professor. E algo já premeditado, pois se trata de um grupo que já agia no Departamento, por ciúme ideológico de minha estima e admiração pelos estudantes.

Aliás, no centro de tudo, estava a vontade de alguns deles de “tomarem” a disciplina Introdução à Sociologia para que outros deles passassem a ministrá-la no meu lugar, pois acusavam que eu tinha transformado a disciplina no meu “feudo”, “ninguém mais a ministrava”. Uma bobagem porque não há “donos” de disciplinas na Universidade. Pois bem, “tomaram” a disciplina à força, à base da quebra de toda institucionalidade e legalidade, para entregá-la a quem sequer era da área de sociologia.

Uma vez que permaneci com aqueles estudantes que optaram por ficar nas minhas turmas de Introdução à Sociologia naquele semestre, o que ocorreu, por mais de uma vez, é que recebi alunos, que foram descolados para as novas turmas abertas, pedindo para voltar para minhas turmas, insatisfeitos que estavam com a mudança. Alguns passaram a participar das aulas como ouvintes, já que não puderam refazer suas matrículas.

Outros arrependidos de tudo, pediam-me (às escondidas) a bibliografia que estava trabalhando em sala de aula nas minhas turmas. Diga-se, aqui, que todos os estudantes que ficaram nas minhas turmas passaram a ser perseguidos por alunos e professores, ostensivamente, alguns deles que decidiram por deixar a UFRN, trancaram seus cursos. Algo bastante grave, e nenhuma medida foi tomada pelas instâncias administrativas da UFRN, embora alguns alunos tenham denunciado o caso à Ouvidoria. 

Um tenente-coronel, um delegado da polícia civil, profissionais de outras áreas, com maturidade e experiência, que estavam nas turmas naquele momento, foram francamente hostilizados e mesmo ameaçados em sala de aula e, pasmem!, até mesmo por pseudoprofessores….

Algo bastante ridículo se passa na cabeça dessa gente: como a visão não é a do educador, do cientista, mas de quem age motivado politicamente, construíram o entendimento segundo o qual quem ministra Introdução à Sociologia “faz a cabeça” dos ingressantes no curso de ciências sociais, e, certamente, para tal pensamento estúpido, passa a ter também o amor dos estudantes: uma espécie de “amor à primeira vista”.

Ora, após o assalto à minha disciplina, após agirem como o Boko-Haram Universitário, sequestrando alunos de minhas turmas, obrigando-as a mudarem de turma, utilizando-se da própria máquina administrativa para isso, descobriram que professores não “fazem a cabeça” de estudantes, nem são por eles amados e respeitados, por simplesmente ministrarem alguma disciplina no primeiro semestre de curso: se não se tem conteúdo, se não se tem capacidade intelectual, se não se é mestre em seu ensino, pode-se dar mil disciplinas no primeiro semestre e permanecer-se-á ignorado pelos estudantes.

Mas, ainda todas as tentativas, nada conseguiram quanto ao intento de macular minha imagem. Todos que foram e são meus alunos sabem quem eu sou, reconhecem-me como um professor competente e amoroso com os estudantes; nunca reprovei nenhum estudante por nota desde que ingressei na Universidade, em 1986, não valorizo o sistema de notas, um sistema que considero de imbecilização do aluno e do professor; o que valorizo é a leitura, a pesquisa dos temas, o estudo constante e o debate das ideias em sala de aula; todas as minhas aulas são exposições dialogadas, são todas conversacionais.

Claro, mas isso só vale para aqueles que são estudantes, aqueles que merecem esse nome; não entram aí aqueles que são falso-estudantes, aqueles que apenas se matriculam continuamente nas graduações para agir politicamente; alguns que o sistema universitário já deveria ter repelido por usurpar o lugar de autênticos estudantes. Não são estudantes, mas ativistas que se deixam manipular por partidos, seitas políticas ou por professores inescrupulosos, que agem politicamente para prejudicar colegas, ao mesmo tempo que, na aliança inescrupulosa com alunos, tentam esconder a mediocridade de suas incapacidades como professores. Isso é bem conhecido no meio universitário e pelos bons estudantes.

Exemplos não faltam… No meio universitário, há muita inveja, ressentimentos, gente chateada com o sucesso do outro, pessoas tóxicas, de mal com a vida, que não cessam de desejar a infelicidade de quem é feliz. Não é estranho, pois, que existam “colegas” que queiram detratar outros… Mas, quando se trata de assédio moral no trabalho, aí já é o caso de levar o fato para os tribunais.

Qual a responsabilidade da direção da UFRN no caso? É que não quis apurar a verdade. Logo aceitou como verdadeiro uma versão mentirosa do ocorrido e nenhuma de suas instâncias me ouviu sobre o assunto. Nenhuma! Os responsáveis pelas instâncias concernidas ao assunto, à época, pelo contrário, tomaram partido em favor da mentirada toda jogada nos esgotos das chamadas “redes sociais”, que deveriam ser chamadas “fossas sociais”. A pergunta que ficou é por que deixaram de agir? Ficaram reféns de qual temor? Populismo político? 

Qual a dimensão desse evento no contexto do ambiente universitário? Casos como o seu são corriqueiros e silenciados ou estamos falando de um episódio que é exceção?

 

São muitos os casos, mas são silenciados. Não são exceção. O que ocorre é que a maioria dos professores teme ser expostos às “fossas sociais”. Algo que eu não temo. Cedo, li Guimarães Rosa: a vida pede coragem. E não sou apenas um estudioso da obra de Michel Foucault, sou um seu aplicador: o dizer franco (a parrésia) é um dever intelectual. Só os covardes se calam! 

Mas, infelizmente, muitos colegas temem reagir à ação de grupelhos políticos, seitas ideológicas que sequer tem verdadeiros estudantes no seu seio. Hoje, são diversos os professores, e no país inteiro, que se queixam que trabalham sob o temor da agressão de alunos manipuladores de bandeiras identitárias, prontos a inventar racismo, homofobia, misoginia, machismo, sexismo, gordofobia, magrofobia, ricofobia etc. por atitudes dos professores em seu trabalho e papel na educação de crianças, jovens e adultos. A manipulação de bandeiras identitárias se transformou, na mão de certas seitas ideológicas, em fascismo.

São fascistas camuflados de militantes da transformação. Agem de modo policialesco, apoiados na mentira e na manipulação de dados, fatos e informações. São capazes de tudo, são capazes de transformar uma passeata de cinco em cinco mil. Aí, que ocorre? Temos uma situação na qual professores, seja na escola básica, seja na Universidade, demitem-se de seu papel e mesmo de suas responsabilidades e obrigações (o que inclui impor disciplina, regras, normas, horários, cobrança de tarefas, avaliações, reprovações etc.), por temor de alguma acusação infundada, mentirosa, de “racismo” se o estudante for negro ou de algum outra etnia, de “homofobia” se se tratar de gays ou lésbicas, de “transfobia” se o aluno for travesti, de “misoginia” se se tratar de uma mulher.

Isso é bastante grave porque, se isso se mantiver, sem que os professores tenham o amparo das instituições nas quais trabalham, teremos brevemente o fim completo da educação, se é que não já chegou, à jamais, à sua destruição. 

As bandeiras identitárias nascem como bandeiras civilizatórias, com propósitos emancipatórios, e não podem ser apropriadas por seitas ideológicas que as transformam técnicas do fascismo, em verdadeiros cilícios do pensamento. Espanta-me ver como essas bandeiras tem sido destruídas irresponsavelmente por certos grupos que a utilizam, embora não representem, de fato, as correntes mais sérias que se ocupam com o assunto, de modo a fazer que, hoje, não apenas no Brasil, mas também em outras partes, a própria sociedade adire a uma visão reacionária em relação a esses mesmos assuntos, incluindo apoiar uma direita política selvagem, devastadora de todos os projetos emancipatórios. É o caso de dizer que essas seitas ideológicas juntam-se à direita política na destruição de todo um legado importante que produzimos no último século a propósito das lutas por reconhecimento e direitos humanos. 

É, por exemplo, bizarro que irresponsáveis na UFRN acusem-me de “misoginia” e, pasmem, de homofobia, por um fato que não envolve discriminação nem a mulheres nem a gays ou lésbicas, mas algo relacionado às minhas responsabilidades como professor em sala de aula. Sou o criador da Bagoas, uma revista acadêmica de estudos gays, a primeira e única do gênero na universidade brasileira e na América do Sul. Uma revista cuja vocação crítica logo ganhou a adesão de diversos pesquisadores do Brasil e do exterior, que já está em sua 20ª edição. Fui o único professor da UFRN que participou da Primeira Conferência Nacional LGBT, entre os 100 pesquisadores brasileiros convidados pelo governo federal como observadores da Conferência, uma iniciativa do governo Lula.

Publiquei artigos e livros que abordam os assuntos da homossexualidade, dos direitos gays etc. Mas ativistas de seitas ideológicas acusam-me de misoginia e homofobia, sem que exista qualquer ato ou fala minha que legitima tal acusação.  Uma irresponsabilidade política de agentes que contribuem para a autodestruição da esquerda no país. Enquanto gente que se autoproclama “de esquerda” ataca quem promove a teoria e a política da emancipação humana, não haverá outro resultado que o da autodestruição (que já está em curso) de um setor social que não deveria desconhecer seu papel, mas o que parece ser o caso. Lamentavelmente!

Jamais permitirei estudantes agirem, em sala de aula, em desobediências às normas da instituição universitária: não querem obedecer às normas da instituição? Saiam dela! Fundem universidades sem normas! Viver exige conviver com normas sociais; se não é isso, é a barbárie. Pois bem, não me convidem a formar perversos e delinquentes sociais: e o que vejo que está bem diante de nossos olhos é toda uma geração que não aceita ser educada para a vida social, para dividir a existência com o outro; para alguns, sequer há um outro; uma geração que não aceita nenhum “não”, que não admite limites.

Chegam na Universidade e querem que seus professores tudo admitam. Bem, eu não aceito. Não aceito, por exemplo, aluno que chega sistematicamente atrasado e quer sua presença no dia e aprovação; não aceito aluno que não lê os textos indicados para estudo e discussão. Não aceito aluno que não admite que o professor dê sua aula; alguns que querem falar mais que o professor em sala de aula. Claro que há professores que, escondendo suas incapacidades, preferem o fazer de conta de pseudopedagogias “libertárias” e fazem de suas salas de aula uma aberração pedagógica, uma aberração cognitiva. Os bons estudantes, aqueles verdadeiramente vocacionados para a vida de estudos, para a ciência, sabem bem reconhecer a degradação do ensino universitário que se pratica nesses arremedos de sala de aula. 

 

Como foram os desdobramentos deste episódio que trouxe o caso a público? Como se deram as condições de seu trabalho posteriormente? Em que medida o episódio na vida profissional atingiu outras áreas de sua vida?

 

Uma parte dos desdobramentos já falei antes. Foram vários na vida, sobretudo, de vários estudantes do curso de graduação em ciências sociais que passaram a sofrer perseguição e assédio por me apoiarem e vários deles por terem optado permanecerem em minhas turmas de Introdução à Sociologia naquele semestre.

Vários foram agredidos em sala de aula por professores e alunos.  Aliás, eles bem poderiam ter entrado com uma ação coletiva contra a UFRN, pois ficaram desamparados e seguiram sendo violentados, como ainda estão sendo até hoje. Que esses alunos contem as perseguições que têm sofrido!

Circula uma nota assinada por entidades estudantis que é uma bizarrice: além de apoiarem um professor condenado pela Justiça por assédio moral, algo jamais visto na história do movimento estudantil!, também falam mentiras. Na nota, falam que fui “proibido” de dar aulas, que houve “afastamento das turmas”.

Isso é outra mentira. Nunca foi proibido de coisa nenhuma na UFRN, nem afastado de nenhuma atividade. Permaneci com minhas turmas naquele semestre e permaneço ministrando cursos/disciplinas na graduação e na pós-graduação. Aliás, finalizei neste semestre atual um curso sobre Filosofia Política do Reconhecimento e Direitos Humanos, com uma maravilhosa turma de estudantes de graduação e pós-graduação (que reuni num só grupo), que, num belo congraçamento, foi encerrada com um banquete de comidas e bebidas, com canto e música. Uma turma de 30 maravilhosos estudantes, sedentos de saber, amantes da ciência e da filosofia. 

Atualmente, e pelos próximos quatro anos, sou diretor do Instituto Humanitas, a mais nova unidade acadêmica especializada da UFRN, que congrega colegas professores que comigo saíram do Departamento de Ciências Sociais para uma experiência docente e de pesquisa inspirada na amizade, na camaradagem, no respeito à diferença e à diversidade, sem competição mesquinha, sem a deslealdade comum nos departamentos universitários. Uma nova unidade acadêmica também em sua visão de ensino e que pretende realizar estudos integrados, transdisciplinares, acabando o taylorismo acadêmico ainda hegemônico das ciências universitárias. 

 

Em 2018, muito do que aconteceu teve atuação midiática, com enfoque na notícia de que o senhor expulsou a aluna da sala. O noticiário deu ao senhor o direito ao contraditório? O senhor tem alguma crítica ao trabalho da imprensa nesse sentido?

Não sou midiofóbico, como são as seitas ideológicas que estão aí vociferando contra o que chamam “mídia”; sei reconhecer os setores da mídia que sabem fazer bem o seu trabalho. Há outros que não sabem. Tive, sim, espaço em alguns jornais, rádios e TV para falar e expor a verdade.

Apenas num canal de TV uma repórter se meteu a interpretar o caso, ignorante dos fatos e da verdade. Meteu-se a interpretar o que não conhecia. Ficou feito para ela. Caída na ideologia do amor materno, fez pregação sem saber do que falava. Aliás, essa farsa fez algo incrível: pseudofeministas defendendo a ideologia do amor materno, ideologia da mulher-mãe, quando o movimento feminista se constituiu justamente para desconstruir o aprisionamento das mulheres na ideologia que as transformou em seres destinados inevitavelmente ao casamento heterossexual e a ser esposas, mães, recatadas e do lar.

O incrível é ver o discurso ideológico antifeminista na boca de pseudofeministas. Digo pseudofeministas, porque as autênticas feministas da cidade e do país me escreveram em particular em meu apoio, pois sabiam bem que a mentira da expulsão da aluna nunca foi um caso de discriminação à mulher.

Fortaleza lançará ‘uber’ para transporte público enquanto Natal ainda tem labrojeiro serviço de ônibus

29.11.2019

Leio n’O Povo que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) lançará um aplicativo similar ao Uber por meio da utilização de vans modelo Sprinters Mercedes Benz, em Fortaleza.

O serviço será disponibilizado via aplicativo próprio, o TopBus+.

Ele consiste em um transporte coletivo solicitado por demanda. A iniciativa é fruto da parceria entre o Sindiônibus e a empresa norte-americana Via Mobility.

Os detalhes da nova modalidade de transporte serão divulgados no dia 3 de dezembro em um evento restrito a convidados e jornalistas, e o serviço passará a operar no dia seguinte, 4.

Enquanto Fortaleza prepara um ‘uber’ para seus usuários de transportes públicos, Natal se arrasta com um serviço labrojeiro sendo incapaz até de realizar uma licitação.

Mais luz para todos

Na noite desta terça-feira, dia 27, a Prefeitura de São Gonçalo do Amarante/RN concluiu mais uma etapa do programa Luz pela Paz.  Na comunidade Olho D’água do Chapéu foram instaladas 45 luminárias de LED na iluminação pública, além de 10 refletores na quadra de esportes.

A expectativa é que até final de dezembro 70% do município esteja com a nova iluminação.

Análise conclui que não foi navio grego o responsável por derramamento de óleo que atingiu o Nordeste

Uma nova análise da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) indica que o recente vazamento de óleo bruto na costa do Nordeste teria sido causado por um navio fantasma – e não por um petroleiro grego, como aponta o governo brasileiro.

A embarcação teria passado pela costa brasileira com o sistema de rastreamento por satélite, o transponder, desligado para não ser detectada pelas autoridades. Os dados de navegação usados na pesquisa são provenientes da plataforma Marine Traffic, provedora mundial de trajetórias de navios.

Na semana passada, o blog trouxe o primeiro desdobramento do caso. O MPF no RN, responsável pela ação judicial contra o navio Bouboulina, tem reiterado sua investigação.

O governo do senhor Jair Bolsonaro precisa explicar por que dispunha de conhecimento capaz de frear o avanço do óleo e não fez nada

Há uma informação intrigante no release distribuído pelo Ministério Público Federal sobre a operação que detectou a origem do vazamento de óleo que atingiu o litoral do Nordeste. 

Transcrevo parte da notícia.

“O Inquérito Policial sobre o caso, no RN, teve acesso a imagens de satélite que partiram das praias atingidas até o ponto de origem (ponto zero) de forma retrospectiva. O relatório de detecção de manchas de óleo, de autoria de uma empresa privada especializada em geointeligência, indicou uma mancha original, do dia 29/07/2019”.

Desde quando as autoridades tinham ciência dessa informação?

O serviço de geointeligência é capaz de detectar de onde e para onde as manchas avançam. Por que as autoridades que tinham acesso a essa informação preferiram a inação?

Por que o governo do senhor Jair Bolsonaro tratou o caso como tratou?

A cidade do RN que virou alerta nacional pelo risco de proliferar doença que causa paralisia infantil

Cem municípios brasileiros estão com cobertura contra a pólio abaixo de 50% – o ideal é acima de 95%.

Nenhum caso é tão preocupante quanto o de Lagoa Salgada.

No município potiguar, 0,92% do público-alvo foi vacinado.

Por extenso, zero vírgula noventa e dois por cento.

Poliomielite é a doença que resulta em paralisia infantil. É provocada por vírus.

Altamente contagiosa.

Todas as crianças com menos de cinco anos devem ser vacinadas.