Revista retrata reações de políticos sem foro: ficam doentes, deprimidos ou largam amantes; matéria cita Agripino e Garibaldi

A Piauí que está nas bancas traz, na seção ‘Esquina’, um texto sob o título ‘Os sem foro’.

A matéria retrata o temor dos políticos que não conseguiram se reeleger e perderão a prerrogativa de serem julgados no STF.

Transcrevo um trecho da reportagem.

Políticos que perderam o foro privilegiado em 2019 tentam aparentar tranquilidade.

São 25 pessoas enroscadas em acusações na Lava Jato ou suas derivações.

São caciques emedebistas, como Edison Lobão, 82 anos, Garibaldi Alves Filho, 71, e Valdir Raupp, 63.

São figuras outrora invulneráveis de outros partidos, como José Agripino, 73 anos, e Heráclito Fortes, 68, ambos do DEM, Jutahy Magalhães, 63, do PSDB, e Zeca do PT, 68.

Nenhum deles está disposto a admitir o próprio temor.

Como o goleiro diante do pênalti, enfrentam solitariamente a angústia do inevitável.

“Você acha que um vai perguntar ao outro se está com medinho?”, perguntou um político.

Outro contou que um colega está “deprimido” e que “fulano até ficou doente”. “E tem beltrano, que largou a amante e voltou pra esposa”, completou.

O senador Garibaldi Alves Filho disse estar “muito tranquilo”, apesar das acusações feitas pelo ex-presidente da Transpetro (Petrobras Transporte s.a.), Sérgio Machado, que delatou um esquema que movimentou cerca de 100 milhões de reais em propinas via doação oficial na processadora de gás.

No inquérito, Alves Filho é citado ao lado de Calheiros, Jucá e do ex-presidente José Sarney.

“Não fico falando desse assunto. Estou seguro, seja com foro ou nas instâncias inferiores.”

Depois de mais de cinco décadas de vida política, ele diz que não ficou abalado com a derrota e vai fazer uma pausa. “Talvez definitiva”, disse.

As 905 ligações que dificultam a defesa de Agripino na acusação de associação criminosa e peculato

Novecentas e cinco ligações telefônicas entre 2012 e 2014 entre o senador José Agripino e Raimundo Alves Maia Júnior e nenhuma entre o senador ou Raimundo e Victor Neves Wanderley sustentam a denúncia que a Procuradoria Geral da República apresentou nesta quinta-feira contra eles por peculato e associação criminosa. 

O senador afirmou em nota através da assessoria de imprensa que “A acusação que me fazem não é verdadeira. Nunca tive nos quatro mandatos de Senador que exerci nenhum funcionário fantasma no meu gabinete. Asseguro que isso ficará demonstrado na resposta que oferecerei à denuncia”.

A denúncia da PGR conta que Victor foi nomeado no Senado Federal, no gabinete de Agripino Maia, mas o dinheiro era desviado para Raimundo, que não podia assumir o posto formalmente porque era servidor efetivo da Assembleia Legislativa. A Constituição Federal veda acúmulo de funções.

Agripino alegou inicialmente que Victor trabalhava em seu escritório em Natal. Victor confirmou a versão e informou que tratava com o senador via telefone.

As interceptações mostraram que nunca houve conversas telefônicas entre Victor e Agripino, mas houve 905 entre Agripino e Raimundo, apontado como homem de confiança do senador.

No período em que esteve lotado no Senado, entre 2013 e 2016, Victor, aponta o MPF, trabalhava na farmácia de um tio em Natal.

De acordo com o MPF, foram feitos repasses de R$ 433 mil da conta de Victor Neves, que seria o dinheiro recebido pela lotação do Senado, direto para a conta de Raimundo. Às autoridades, eles afirmaram se tratar de despesas relativas à habitação.

Houve ainda mais de R$ 26 mil repassados para esposa e filha de Raimundo Alves Maia Júnior.

O MP está pedindo o ressarcimento de R$ 590,6 mil e indenização por danos morais coletivos de R$ 1.181.266,86.

6 perguntas para entender o que é fato e o que é fake na ação da PF que envolve o senador José Agripino

 

A Polícia Federal desencadeou nesta terça-feira (11) um desdobramento da Operação Patmos, a Operação Ross, e cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Aécio Neves e sua irmã, Andrea Neves.

O caso está ligado à delação do premiada dos executivos do grupo J&F.

E onde Agripino entrou na história?

Além de Aécio Neves, mais dois senadores são investigados Antonio Anastasia e José Agripino, além dos deputados federal Cristiane Brasil, Paulinho da Força e Benito Gama.

Qual a acusação?

Eles são investigados pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O grupo estaria envolvido em negociações que envolvem com a J&F R$ 100 milhões

E por que estão dizendo que a PF está na casa de Agripino?

A confusão provavelmente começou porque a PF incluiu o nome de Agripino entre os alvos de busca a apreensão.

Mas e aí?

E aí que quem faz esses pedidos é a Procuradoria Geral da República. A PGR excluiu Agripino e Antonio Anastasia dos pedidos porque viu que não havia elementos para tanto.

Mas estão sendo cumpridos mandados no RN?

Sim. A casa de José Agripino não foi alvo, mas os mandados estão sendo cumpridos no Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Tocantins, e Amapá.

E o que senador disse?

Reforçou que não foi alvo de busca e apreensão. Também disse que, enquanto presidente nacional do Democratas buscou, seguindo a legislação eleitoral vigente, doações para o partido, que, solicitadas a diversas empresas, foram voluntariamente feitas sem que o ato de doação gerasse qualquer tipo de compromisso entre o doador e o partido ou qualquer dos seus integrantes. Ele ainda se disse à disposição das autoridades.

*Atualizada às 11h04 para acréscimo de informações