Colégio privado de Natal adota livro que trata impeachment de Dilma como golpe e gera indignação; editora se desculpa

Um livro didático utilizado pelo colégio CEI Mirassol está causando frisson nas redes pela abordagem que tem sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, descrito no material de geografia para o 7º ano como golpe.

“Após a consagração de políticas sociais que reduziram a desigualdade, novas cobranças começaram a surgir e a oposição civil-política se mobilizou contra o governo consagrando o golpe que tirou Dilma Rousseff do poder em 2016 e colocou o vice-presidente Michel Temer na cadeira presidencial”, descreve o livro, produzido pela Editora Eleva.

As reproduções do livro são acompanhadas por críticas ao colégio, citado como espaço em que se fomenta militância partidária.

Ao Blog do Dina, se manifestaram o CEI Mirassol e a Editora Eleva, que pediu desculpas “por qualquer desconforto que tenha sido gerado no ambiente escolar. Uma errata foi produzida e será disponibilizada no portal para professores e alunos”.

A editora ainda afirmou que seu objetivo é “fomentar o entendimento dos estudantes sobre discussões relativas aos processos políticos, sociais e econômicos do país, a fim de ajuda-los a analisar a complexidade dos acontecimentos políticos”.

Ela ainda disse em nota que busca neutralizar “quaisquer posicionamentos ideológicos” e que trabalha continuamente na melhoria dos nossos processos internos para minimizar o risco de colocações parciais no nosso material”.

O CEI Mirassol afirmou que sempre que o assunto é abordado em sala de aula os dois lados são ponderados.

“No CEI Mirassol/Zona Sul, esclareceremos em sala que: alguns partidos políticos entendem o fato como golpe;
Outros partidos e juridicamente temos um impeachment”, esclareceu o colégio.

O impeachment

O impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, aconteceu após o processamento de crime de responsabilidade pela petista, comprovado pela fraude fiscal no orçamento público.

A manobra consistiu em tirar dinheiro de bancos públicos para cobrir dívidas da União. Em governos anteriores, havia ajustes que chegavam a 0,1% do PIB. Sob Dilma, os patamares foram a 1%, gerando contabilidade criativa e apresentando uma realidade fiscal que não existia no Brasil, o que é expressamente vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Como Dilma tinha crise com o Legislativo e o país estava em crise financeira, esses aspectos foram considerados para criar a narrativa de que houve golpe na sua destituição.