IFRN tem o terceiro maior corte entre institutos, mas fica na elite do Enem

O Instituto Federal do Rio Grande do Norte registrou o terceiro maior corte entre seus equivalentes.

Ele teve bloqueado pelo Ministério da Educação R$ 28.372.018,00, ficando atrás apenas do IFCE (R$ 34 milhões) e o IFMA (R$ 29,3 milhões).

O valor do IFRN foi cortado sobre um orçamento de R$ 94,5 milhões, o que corresponde a 30%.

Apesar disso, as unidades do IFRN estão na elite do ENEM, cujos resultados, por escola, incluindo públicas e privadas, foram divulgadas nesta semana.

Os campus de Mossoró, Natal e Parnamirim foram, respectivamente, o sexto, sétimo e oitavo lugares.

UFRN é a segunda universidade do Brasil mais atingida por cortes de bolsas da Capes

 

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte é a segunda mais atingida do Brasil com o corte de bolsas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, do Ministério da Educação.

Na terça, o MEC anunciou o corte de mais 2,7 mil bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Em números absolutos, as instituições que tiveram mais cortes de bolsas de mestrado e doutorado foram a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, seguida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

As três tiveram, respectivamente, 183, 168 e 123 bolsas congeladas.

Ao anunciar os cortes, o MEC justificou que situações como a de cursos com duas avaliações nota 3 consecutivas e cursos avaliados com nota 4 e que caíram de qualidade.

Cada aluno de mestrado recebe, por exemplo, R$ 1,5 mil durante os estudos, e de doutorado, cerca de R$ 2 mil. Com o bloqueio, a Capes deixará de desembolsar R$ 4 milhões

Inquérito: Procuradora da República reage à declaração de ministro da Educação sobre alunos das federais do RN

A procuradora da República Carolina Maciel informou ao Blog do Dina que considera medidas diante das declarações do ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Em reunião com reitores da UFRN, IFRN e Ufersa, com a bancada federal, nessa segunda-feira em Brasília, ele sugeriu que os funcionários terceirizados sejam substituídos pelos próprios alunos, que fariam limpeza e manutenção.

Maciel foi procurada pelo Blog do Dina em razão de ser autora de procedimento instaurado na semana passada para acompanhar se os cortes anunciados pelo ministro vão comprometer as instituições.

Ela se mostrou surpresa com as declarações.

Em seguida, explicou que o caso pode se enquadrar no inquérito aberto, ou seja, que eventuais medidas no sentido do proposto pelo ministro serão objeto de apreciação do Ministério Público Federal para serem investigados.

O blog também procurou a reitora da UFRN, Ângela Paiva. Ela ainda está em Brasília e não comentará o assunto. Ainda não conseguimos contatar os reitores do IFRN e Ufersa.

OPINIÃO: Corte na educação superior é convite à autocrítica para a UFRN sobre o uso que tem feito de recursos públicos

A reitora da UFRN, Ângela Paiva, anunciou nesta quarta-feira que se o governo federal mantiver os cortes que foram fixados atualmente, em mais de 30%, a universidade poderá parar em setembro próximo.

Trata-se de uma informação alarmante. Mas, para além da falta de programas do governo de Jair Bolsonaro, é preciso que a universidade chame para si a responsabilidade que tem no contexto atual.

O orçamento da UFRN já chegou a ser o terceiro do Rio Grande do Norte, ficando atrás apenas do Governo do Estado e da Prefeitura de Natal. Com porte de grande cidade, a UFRN replica problemas na dimensão de sua estrutura.

A pujança de recursos que permitiu durante os governos passados o desenvolvimento da UFRN veio acompanhada da falta de governança.

Agora, com o corte drástico, olhamos para trás e perguntamos mais uma vez onde estava a UFRN quando se permitiu entrar no rolo de R$ 247 milhões do Campus do Cérebro.

O equipamento, que rendeu uma briga de alcance nacional na comunidade científica brasileira, hoje está subutilizado.

Ao nos virarmos para o passado, também questionamos como a UFRN se permitiu ser líder de ranking em servidores irregulares, como foi divulgado pelo TCU em 2013.

Ou ainda como a universidade se enfiou em irregularidades nos pagamentos do Pronatec ou como ela permite que seu patrimônio seja utilizado para fins adversos, como vimos outro dia seus ônibus serem utilizados para fins políticos pelo MST.

O que dizer do rumoroso contrato de R$ 2,1 milhões firmado com empresa de tecnologia, sob condições suspeitas, e denunciadas em primeira mão por este escriba que vos fala, e que terminou alcançando o ex-reitor José Ivonildo Rêgo em ação do MPF?

Em que pese a situação acima envolver verbas de custeio e pessoal, distintas na forma da lei, a falta de critérios da universidade resultou em omissão que deve servir de convite para reflexão neste momento.

Agora, tudo isso é preciso que seja relembrado e que a universidade assuma seu papel, qual seja, não apenas o de questionar os cortes, mas de se comprometer que esse histórico não se repetirá.

Pois não espero nada de Jair Bolsonaro.

Mas as instituições que me formaram, o IFRN e a UFRN, me ensinaram a assumir meu papel no mundo com consciência crítica.

Mesmo que tal consciência crítica seja para questionar a quem devo minha formação.