França suspende hidroxicloroquina como tratamento para covid-19

O governo francês proibiu nesta quarta-feira (27) o uso de hidroxicloroquina no tratamento de doentes com covid-19, depois de dois organismos de saúde pública terem se declarado contra o uso do medicamento. A decisão foi tomada depois de um estudo ter provado não só a ineficácia do remédio no contexto da pandemia, como o aumento do risco de morte dos pacientes.

A França revogou o decreto de 11 de maio que autorizava a administração de hidroxicloroquina a pacientes infectados pelo novo coronavírus.

As conclusões negativas dos dois organismos de saúde pública franceses seguem-se ao estudo publicado na semana passada, na revista científica The Lancet.

Ele é o primeiro ensaio em larga escala sobre os efeitos da cloroquina e da hidroxicloroquina em doentes de covid-19, e os resultados são claros quanto à sua ineficácia e riscos.

O estudo também levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a suspender temporariamente os ensaios clínicos com hidroxicloroquina no combate à doença.

*Com informações da Agência Brasil

Em quais municípios do RN a Covid-19 ainda não chegou? Confira lista

O boletim divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap-RN) apresenta os detalhes dos casos suspeitos, confirmados e das mortes em todos os municípios potiguares. De acordo com os números dessa segunda-feira (25), o estado tem 4.774 casos confirmados da covid-19, além 12.856 suspeitos.

Na lista, há municípios com mais de 300 confirmações que são Natal (1.895) e Mossoró (813) e Parnamirim (399). Outros já têm mais de 100 casos: Apodi (186), São Gonçalo do Amarante (142), Areia Branca (130) e Açu (100).

Por outro lado, ainda há municípios que não registraram nenhum caso da doença, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Sesap-RN. São eles:

  • Água Nova
  • Bodó
  • Coronel Ezequiel
  • Equador
  • Francisco Dantas
  • Japi
  • Jardim de Piranhas
  • João Dias
  • José da Penha
  • Jundiá
  • Lagoa Danta
  • Lucrécia
  • Major Sales
  • Marcelino Vieira
  • Messias Targino
  • Monte das Gameleiras
  • Passagem
  • Pedra Preta
  • Pureza
  • Rafael Fernandes
  • Rafael Godeiro
  • Riacho de Santana
  • Santana do Seridó
  • São Fernando
  • São Francisco do Oeste
  • São José de Campestre
  • São José do Seridó
  • Serrinha dos Pintos
  • Sítio Novo
  • Tangará
  • Timbaúba dos Batistas
  • Triunfo Potiguar
  • Venha-Ver
  • Vera Cruz
  • Vila Flor

Pesquisa mostra que número de casos de coronavírus pode ser sete vezes maior no Brasil

O Brasil pode ter sete vezes mais casos de coronavírus do que os dados oficiais do Ministério da Saúde. É o que indica uma pesquisa coordenada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O levantamento foi feito entre 14 e 21 de maio.

Os números aponta que a cada sete pessoas, apenas uma tem ciência de que está infectada. Das 15 cidades que tiveram maior prevalência, 11 estão na região Norte. Veja os números:

  • Breves, no Pará, 24,8%, ou seja, praticamente um quarto da população está ou esteve com coronavírus
  • Tefé, no Amazonas, quase 20%
  • Belém, mais de 15% tiveram a doença
  • Manaus, 12,5%
  • Macapá, quase 10%.

Na região Nordeste, Fortaleza (8,7%) e Recife (3,2%) têm os maiores índices. No Sudeste, São Paulo lidera com 3,1% da população e o Rio de Janeiro aparece em seguida com 2,2%. No Sul, apenas Florianópolis apresentou prevalência superior a 0,5%. O Centro-Oeste não registrou caso positivo nas nove cidades estudadas, apesar de haver casos e mortes confirmados.

Para o coordenador da pesquisa e reitor da UFPel, Pedro Curi Hallal, o número é “preocupante”. “Essas outras pessoas que têm o coronavírus e não sabem involuntariamente podem transmitir para outras pessoas. E isso faz com que a epidemia continue crescendo nesse ritmo preocupante que tem ocorrido no Brasil”, disse.

Covid-19: Região Metropolitana de Natal tem 96,8% dos leitos ocupados

Os leitos destinados à pacientes com Covid-19 na Região Metropolitana de Natal estão com 97,9% de ocupação. É o que indica o dado da plataforma RegulaRN, que mostra os números da rede pública de saúde, em consulta feita pelo Blog do Dina às 11h20 desta segunda-feira (25).

Se tratando de leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a taxa de ocupação já é de 100%. Já para os leitos de Unidade de Cuidado Intensivo (UCI) a taxa é de 96,4%.

A região Oeste Potiguar também já está perto de atingir a capacidade máxima. Ao todo, a taxa é de 93,6%. O Seridó Potiguar tem situação menos delicada, com ocupação de 70,6% dos leitos.

Em se tratando das ocupações nas unidades hospitalares, o Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, tem 95,45% de ocupação, com 19 UTIs ocupadas e apenas uma disponível. Os números são idênticos no Hospital São Luiz, também na cidade do Oeste. O Hospital Regional de Caicó, com 70,59% de ocupação, tem 12 leitos de UTI ocupados e cinco livres. O Hospital Regional de Pau dos Ferros tem 80% de ocupação.

Em Natal, o Hospital da PM está com 84,21% de taxa de ocupação. Ao todo, são 10 leitos de UTI ocupados e nenhum disponível. Mas a unidade tem três leitos de UCI disponíveis. O Hospital Dr. Luiz Antônio, Hospital Rio Grande, Hospital Giselda Trigueiro e o Hospital Municipal de Natal estão com 100% da ocupação.

Brasil pode ficar hoje em 2º lugar no mundo em casos confirmados

Passada a marca das 20 mil mortes e dos 300 mil casos confirmados, a perspectiva é de que o Brasil atinja novo patamar nesta sexta. Com uma diferença de 7.467 contaminados em relação à Rússia, o país deve ultrapassar os europeus na lista dos mais atingidos pelo novo coronavírus e assumir o segundo lugar.

Ficará atrás apenas do Estados Unidos, com 1.573.742 notificações. A curva em ascensão lança uma grande preocupação para o futuro. Os pesquisadores que se debruçam a fazer previsões são categóricos ao dizer que ainda não vislumbram sinais de queda no horizonte.

“Há muita incerteza do ponto de vista das previsões. No entanto, todos os modelos com os quais a gente vêm trabalhando apontam que, de uma forma geral, ainda temos um período de atividade da Covid-19 significativo. Ou seja, não se espera que essa atividade decaia nas próximas semanas”, projeta Fernando Bozza, chefe do Laboratório de Medicina Intensiva do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, e coordenador de pesquisa do Instituto D’Or.

Bozza alerta para o fato de que, ao contrário da maioria dos países que ocupam o topo da lista dos mais afetados pela Covid-19, o Brasil passará por uma situação inédita: entrará no período de temperaturas mais baixas com o vírus em alta performance. Na Europa e nos Estados Unidos, a pandemia teve início no fim do inverno.

“De uma forma geral, doenças respiratórias têm uma maior transmissão durante o inverno. A questão é que, no caso da Covid-19, a gente ainda não teve isso. Vai começar agora no hemisfério sul. Nenhum país passou por esse comportamento, de atravessar o período do inverno com a atividade da doença já em alta. Se a contaminação vai aumentar ou não, não há como afirmar. O hemisfério norte estava saindo do inverno e entrando no verão. Então, é mais um fator de incerteza, o que dificulta previsões confortáveis”.

540 mil casos no fim de maio

De acordo com as projeções do grupo Covid-19 Analytics (formado por professores dos departamentos de Engenharia e Economia da PUC-Rio juntamente com o pesquisador Gabriel Vasconcelos, da Universidade da Califórnia), a velocidade de novos contaminados tende a ser maior nos próximas semanas.

A estimativa é de que em 31 de maio, o Brasil chegue aos 540 mil casos. Três dias depois, já estaria nos 636 mil. O número efetivo da taxa de expansão, indicador de quantas pessoas cada infectado contamina, ajuda a entender esta previsão.

“Ele dá uma boa ideia do que esperar em 15, 20 dias. A política pública trabalha para que esse número seja menor do que 1. Enquanto for maior do que 1, o contágio vai aumentar. Estamos entre 2 e 2,2. Mas, se você pega os 20% de municípios com IDH mais alto, este número está mais baixo. É de 1,75, começando a apontar para baixo. Mas nos 20% com IDH mais baixo, estamos na casa dos 3,15”, explica Vasconcellos.

Este dado joga luz para os rumos da Covid-19 no Brasil. Se não é possível precisar quando a doença vai parar de crescer, sabe-se para onde ela está indo. O novo coronavírus caminha para as periferias e cidades do interior.

“As regiões Norte e Nordeste requerem muita atenção. Porque ainda estão com uma taxa de transmissão bastante elevada. No entanto, as periferias das grandes cidades e os municípios pequenos do Sudeste são um foco importante de preocupação. Até porque a gente tem menos informação em relação à testagem nesses lugares. É neles onde temos mais problemas de subnotificação de uma forma geral”, acrescenta Bozza.

Números podem ser maiores

As poucas testagens dão aos pesquisadores a certeza de que a realidade brasileira é ainda maior do que os 310.087 casos confirmados nesta quinta. Uma pesquisa financiada pelo Ministério da Saúde e coordenada pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) tenta estimar o tamanho real do contágio.

Os primeiros dados apontaram que em Manaus o número de pessoas que já tiveram contato com vírus é 20 vezes maior do que o oficial. Os resultados da pesquisa serão apresentados na próxima segunda.

“Tem que tomar muito cuidado em usar dados de contaminados. Porque as estatísticas são muito ruins. O número de casos é subestimado em quase todos os lugares. Depende das políticas de testagens. Então tem que considerar que o número de casos é subnotificado e que esta subnotificação varia de lugar para lugar”, comentou Pedro Hallal, reitor da Ufpel e coordenador do estudo nacional e de um realizado nos mesmos moldes apenas no Rio Grande do Sul.

“Aqui no Brasil nós temos o nosso estudo no Rio Grande do Sul, que estimou a subnotificação em 10 vezes. Se olhar um que foi feito no Espírito Santo, também deu 10 vezes. Quando a gente pega o de Manaus, a estimativa é de 20 vezes. Então não se trata de um fenômeno igual em tudo que é lugar. Depende da disponibilidade de testes”, finalizou.

O Globo

Casos de covid-19 no mundo ultrapassam 5 milhões

Os casos de Covid-19 no mundo superaram a marca de 5 milhões nessa quarta-feira (20), com a América Latina ultrapassando os Estados Unidos e a Europa na última semana, ao registrar a maior parcela de novos casos diários globalmente.

Isso representa nova fase na disseminação do vírus, que atingiu o auge primeiramente na China em fevereiro, antes de surtos em grande escala na Europa e nos Estados Unidos.

A América Latina representou cerca de um terço dos 91 mil casos relatados no início desta semana. A Europa e os Estados Unidos foram responsáveis por pouco mais de 20% cada.

Grande parte dos novos casos ocorreu no Brasil, que recentemente superou a Alemanha, França e o Reino Unido, tornando-se o terceiro país com maior número de casos no mundo, atrás dos Estados Unidos e da Rússia.

Os casos no Brasil estão aumentando a um ritmo diário que o coloca em segundo lugar em termos de velocidade da pandemia, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Os primeiros 41 casos de coronavírus no mundo foram confirmados em Wuhan, na China, em 10 de janeiro, que demorou até 1º de abril para atingir o primeiro milhão de casos. Desde então, cerca de 1 milhão de novos casos são relatados a cada duas semanas, de acordo com contagem da Reuters.

Com mais de 5 milhões de casos, o vírus infectou mais pessoas em menos de seis meses do que o total anual de casos graves de gripe, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima em torno de 3 milhões a 5 milhões em todo o mundo.

A pandemia já matou mais de 326 mil pessoas, embora o número real possa ser maior, já que os testes ainda são limitados e muitos países não incluem mortes fora dos hospitais nas contas oficiais. Mais da metade do total de mortes foram registradas na Europa.

Apesar do aumento contínuo de casos, muitos países estão abrindo escolas e locais de trabalho após semanas de isolamento para conter a disseminação. Os mercados financeiros também foram levemente impulsionados por resultados iniciais promissores do primeiro teste de vacina em seres humanos nos EUA.

Foto: Brian Snyder/Reuters

RN tem primeiro caso confirmado de coronavírus no sistema penitenciário

O Governo do Rio Grande do Norte confirmou o primeiro caso de coronavírus em um detento do sistema penitenciário. De acordo com o secretário de Estado da Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio, o preso está bem, apresentando sinais de tosse seca, e está em isolamento, recebendo atendimento médico diário.

Ainda segundo o governo, o nome do detento e a unidade prisional onde está custodiado não serão divulgados. Os apenados que dividiam a cela foram testados e os resultados deram negativos. “Por medida de segurança, todos estão em isolamento”, acrescentou a Seap.

Florência destacou ainda, em coletiva nessa terça-feira (19), que 74 policiais penais estão afastados. Desses, 14 foram diagnosticados com Covid-19 e os demais estão suspeitos ou estão em teletrabalho por pertecerem aos grupos de risco.

Medidas para evitar contágio

O secretário esclareceu ainda que os presos que chegam diariamente são encaminhados para Ceará-Mirim, unidade que recebeu uma ala exclusiva. ” “Ao chegar eles tomam banho, têm o cabelo cortado, recebem uniforme e fazem exame de saúde. Ficam em quarentena sem contato com os presos antigos para reduzir a possibilidade de contágio”, explicou.

Além disso, policiais e detentos usam máscaras nos deslocamentos, os corredores e celas são constantemente desinfectadas, o banho de sol tem maior duração e os colchões também são expostos ao sol.

A Seap também está implantando teleatendimento e televisita por videoconferência. “A lei prevê o contato com advogados e familiares e há tensão no sistema porque os presos e familiares estão sem contato há quase 70 dias”, finalizou.

Foto: Elisa Elsie/Governo do RN

Ministério da Saúde muda protocolo e amplia possibilidade de uso de cloroquina em casos leves

Após determinação do presidente Jair Bolsonaro, o Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira (20) um documento que amplia a possibilidade de uso da cloroquina e hidroxicloroquina, medicamentos usados no tratamento da malária, também para pacientes com sinais e sintomas leves do novo coronavírus.

A decisão ocorre sem que haja evidências científicas de eficácia e em meio a alertas sobre riscos do uso do medicamento para uso em situações não comprovadas.

Até então, o protocolo adotado pelo Ministério da Saúde previa o uso do medicamento apenas por pacientes graves e críticos e com monitoramento em hospitais.

Já o novo modelo traz “orientações” de uso também para pacientes com quadros leves da Covid-19 e traz dosagens específicas.

O documento prevê a indicação de cloroquina com azitromicina, com dosagens diferentes conforme a sequência do tratamento e o quadro do paciente.

A indicação deve ficar a critério médico e ocorrer após análise de exames.

“Apesar de serem medicações utilizadas em diversos protocolos e de possuírem atividade in vitro demonstrada contra o coronavírus, ainda não há meta-análises de ensaios clínicos multicêntricos, controlados, cegos e randomizados que comprovem o beneficio inequívoco dessas medicações para o tratamento da COVID-19”, aponta.

“Assim, fica a critério do médico a prescrição, sendo necessária também a vontade declarada do paciente”, completa.

Para isso, o paciente deve assinar um termo de consentimento que afirma que a cloroquina e hidroxicloroquina podem causar efeitos colaterais “como redução dos glóbulos brancos, disfunção do fígado, disfunção cardíaca e arritmias, e alterações visuais por danos na retina”.

O termo frisa ainda que “não existe garantia de resultados positivos, e que o medicamento proposto pode inclusive agravar a condição clínica, pois não há estudos demonstrando benefícios clínicos”.

Folha de São Paulo

Lula avalia positivamente o impacto do coronavírus sobre agenda liberal: ‘Ainda bem que a natureza criou’

Em transmissão ao vivo nesta terça-feira, o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o novo coronavírus tem como impacto positivo o enfraquecimento de teses defendidas por adeptos à agenda do liberalismo econômico, cuja pedra angular consiste em interferências quase nulas do Estado na economia de uma nação. Paulo Guedes, ministro da Economia do governo do presidente Jair Bolsonaro, é alinhado a essa doutrina. Lula chegou a afirmar que “ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus”. Nas últimas 24h, o Brasil registrou 1.179 mortes em decorrência da Covid-19, doença causada pelo vírus.

A declaração do ex-presidente ocorreu durante uma iniciativa promovida pela revista “Carta Capital” por meio de videochamada, ainda nos primeiros minutos de transmissão.

“Eu, quando eu vejo os discursos dessas pessoas falando… Quando eu vejo essas pessoas acharem que tem que vender tudo que é público e que tudo que é público não presta nada… Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar, que apenas o estado é capaz de dar solução a determinadas crises”, afirmou Lula, comparando o momento atual com aquele atravessado em 2008, com a crise financeira global.

Em seguida, o petista fez menção ao auxílio emergencial de R$ 600 paga pelo governo federal a pessoas financeiramente afetadas pela pandemia da Covid-19, que demandou interrupção de atividades econômicas como forma de garantir um isolamento social que impeça ou atrase o avanço do contágio pelo novo coronavírus.

“Imagina quando Roosevelt teve que agir na guerra. Você acha que ele estava preocupado com orçamento? Não! Ele tinha que fazer armas para vencer a guerra. Na guerra contra o coronavírus, eles não cumprem sequer a promessa de dar R$ 600 reais para as pessoas ficarem em casa e se protegerem”, comparou Lula, usando como referência o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e a atuação dele durante a Segunda Guerra Mundial.

Em outros momentos da transmissão, com falas registradas em publicações no Twitter, Lula disse ainda que terá 77 anos em 2022, ano da próxima eleição para Presidente da República, e que “não tem porque ser candidato a presidente”, uma vez que já esteve nesse papel. O ex-presidente disse, no entanto, que pretende atuar politicamente para “não deixar o país voltar a ter um presidente da ‘qualidade’ do Bolsonaro”.

Solto desde novembro do ano passado após um ano e sete meses de prisão em decorrência de uma condenação em um processo que corre no âmbito da Operação Lava-Jato, Lula tem feito oposição a Bolsonaro em declarações públicas como a entrevista concedida nesta terça-feira.

O Globo

Foto: Ricardo Stuckert

Brasil responde por 1 em cada 7 novos casos de coronavírus no mundo

Passados quase três meses desde o primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil (em 26 de fevereiro) e pouco mais de dois meses desde que foi registrada a primeira morte em decorrência da doença (17 de março), o Brasil alcançou ontem a marca de mil mortes registradas em 24 horas. Também bateu o recorde de casos notificados em um dia. O País já responde por 14%, um em cada sete, dos novos casos em todo o mundo.

Segundo o Ministério da Saúde, 17.971 pessoas perderam a vida no País por complicações da covid-19 (foram 1.179 registros nas últimas 24 horas, o maior relato até agora). O recorde anterior havia ocorrido na terça-feira passada, quando 881 novas mortes confirmadas para covid-19 foram registradas. No total, oficialmente 271.628 pessoas já foram infectadas. Houve 17.408 novos registros em 24 horas.

Apesar dos recordes, o ministério, que está sem um titular desde a saída de Nelson Teich, na última sexta-feira, usou a coletiva de imprensa de ontem para apontar somente que houve queda na doação de leite durante a pandemia. Não houve manifestação do governo sobre o crescimento dos casos.

Considerando a evolução da pandemia em todo o mundo, o Brasil parece estar se tornando o novo epicentro da doença. Na última semana (entre os dias 12 e 18), o País respondeu por algo entre 12% e 14% dos novos casos notificados em todo o mundo – dependendo da fonte, se a Organização Mundial da Saúde ou a Universidade Johns Hopkins (que tem buscado dados mais recentes da pandemia).

Isso significa que a cada 7 pessoas identificadas com a doença no planeta, uma delas estava no Brasil. Os números do País, porém, são bastante subnotificados. Estudo recente feito em São Paulo, com testes de sorologia, indicou que pelo menos 5% da população da capital pode já ter se contaminado.

Em números totais, o Brasil é o terceiro em número de casos (atrás de Estados Unidos e Rússia) e o sexto em mortes (atrás de Estados Unidos, Reino Unido, Itália, França e Espanha). Nesta semana que passou, entre as nações que ainda estão com taxas crescentes da doença, o Brasil também se destaca como aquele em que o crescimento está mais acelerado, à frente de Índia, Arábia Saudita, Peru e Rússia.

Os EUA, apesar de serem o país com mais notificações no total (1,5 milhão) e ainda baterem o recorde de casos e de mortes por dia, parecem estar entrando em curva descendente, assim como ocorreu com os países europeus

Já o Brasil ainda apresenta uma taxa de transmissão crescente. Estudo feito pelo Imperial College de Londres sobre o País, publicado no dia 8, estimou que o chamado número de reprodução está acima de 1, o que significa que cada pessoa infectada está transmitindo a doença para mais de uma, o que faz com que o número de casos novos seja sempre maior.

Os autores alertam que a epidemia ainda não está sob controle no Brasil e é preciso tomar medidas mais dramáticas. O lockdown vem sendo recomendado por vários pesquisadores, enquanto o governo federal deseja afrouxar o isolamento.

Fora de controle

“O número de casos está dobrando, em média, a cada 12 dias. Em dois meses, nesse ritmo, vai crescer 30 vezes”, diz o matemático Renato Pedrosa, professor do Instituto de Geociências da Unicamp, que trabalha com modelagens da expansão da doença. “Não é impossível imaginar que poderemos acabar superando os Estados Unidos em casos. Não temos política coesa do governo federal com Estados e municípios, cada um faz uma coisa diferente. A situação pode sair do controle completamente.”

Ele divulgou na semana passada um cálculo baseado na expansão observada em abril, indicando que a taxa de contágio para o Estado de São Paulo é de 1,49, e para a capital, de 1,44. O número é semelhante ao obtido no cálculo do Imperial College, de 1,47 para o Estado. Ou seja, cada 100 paulistas infectados transmitiam o novo coronavírus para quase 150 pessoas, em média – o Estado também registra recorde casos diários.

O Brasil se junta ao grupo de quatro países no mundo que superaram a marca de mil óbitos atestados para a doença em um dia. Segundo a plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford, apenas Estados Unidos, Reino Unido, França e China chegaram a ter mais de mil mortes confirmadas para o novo coronavírus em 24 horas.

O País, porém, foi o que levou mais tempo entre todos para chegar à marca de mil óbitos registrados em 24 horas. No 30.º dia após a primeira morte por coronavírus, o Reino Unido superou a barreira dos mil mortos em 24 horas. Já os EUA alcançaram o recorde em 33 dias. A França, por sua vez, atingiu pela primeira vez os mil mortos 50 dias após seu primeiro registro de óbito. Já o Brasil chegou aos mil mortos no 64.º dia.

Estadão

Justiça decide por ilegitimidade de sindicato e nega pedido de lockdown no RN

O juiz Luiz Alberto Dantas Filho, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), arquivou o processo impetrado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (Sindsaúde-RN) que pedia lockdown em Natal e Região Metropolitana pelo período de, no mínimo, 15 dias. Em decisão assinada às 20h26 dessa segunda-feira (18), o magistrado apontou que o sindicato não tem legitimidade para pedir o isolamento mais rígido para combate à propagação do novo coronavírus e declarou “extinção do feito sem resolução de mérito”.

“Pela leitura da peça inicial apresentada pelo Sindsaúde, constata-se com clarividência que sua pretensão é de caráter absolutamente heterogêneo, porquanto na hipótese de ser concedida a tutela judicial pretendida, notadamente a decretação do isolamento social completo (lockdown), a medida restritiva total alcançará toda população dos 15 Municípios que integram a Região Metropolitana da Capital, a saber: Natal, Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Extremoz, Ceará-Mirim, São José de Mipibu, Nísia Floresta, Monte Alegre, Vera Cruz, Maxaranguape, Ielmo Marinho, Arês, Goianinha e Bom Jesus”, avaliou.

De acordo com o TJ, para tomar a decisão, além das apreciações apresentadas pelo Estado do Rio Grande do Norte e o Município de Natal, o juiz ainda levou em consideração o posicionamento de 16 pessoas jurídicas, entidades representativas de várias atividades no RN, requererem a participação na ação movida pelo Sindsaúde-RN.

Das entidades, 15 delas – ASPIRN, FCDL/RN, ACRN, CDL NATAL, FACERN, AEBA, SINMED, SINCODIVRN, ANORC, SINDUSCON/RN, FIERN, FETRONOR, FECOMÉRCIO/RN, FAERN e SEBRAE/RN – já antecipadamente expuseram os seus pontos de vista, em discordância com a pretensão autoral e apenas o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancário do Rio Grande do Norte se aliou à defesa do pleito do Sindsaúde. Outras duas pessoas físicas (dois advogados) também se uniram ao pensamento das quinze instituições.

Foto: Ney Douglas

15 mil empregos ladeira abaixo

A ABIH está concluindo levantamento para dimensionar o estrago que a pandemia de covid-19 está fazendo diretamente sobre a indústria de hotéis no RN.

O setor emprega diretamente 15 mil pessoas. Com os postos indiretos, chega a 70 mil.

Chama atenção no levantamento parcial que os grandes hotéis são os que mais demitem. Neles, a taxa de demissão está acima de 50%, segundo informou ao Blog do Dina o presidente da ABIH, José Odécio.

Empresários cobram sinalização do governo do RN para reabertura do comércio, mas saem de reunião com governadora frustrados

Após mais de três horas entre entidades do setor produtivo do Rio Grande do Norte e agentes do Governo do Estado, incluindo a chefe do Executivo, a governadora Fátima Bezerra, decidiu-se que haverá a formação de um grupo de trabalho para municiar com informações o novo decreto, previsto para quinta-feira (23), e no qual será prorrogado a quarentena no RN.

A questão objeto de conflito é se a prorrogação se dará nos termos atuais, com o fechamento do comércio, ou se reeditará ato de março, quando parte do comércio podia funcionar, desde que houvesse precauções sanitárias.

“Serão quatro pessoas das entidades de classe, mais quatro do governo e também queremos a participação de consultores”, explicou ao Blog do Dina o presidente da Fecomercio, Marcelo Queiroz.

Durante a reunião, o secretario de Planejamento do Estado, Aldemir Freire, afirmou que ensaiar a reabertura do comércio neste momento seria “um risco muito grande”.

Com a formação de um grupo de trabalho, as entidades do setor produtivo esperam que pelo menos um meio termo seja alcançado, ou seja, um decreto mais amenos que o atual, mas mais rígido do que o permitiu à abertura parcial do comércio.

O clima no setor produtivo é de frustração.

O setor não esperava que o governo dissesse quando vai abrir o comércio, mas que sinalizasse com gestos que indicassem a retomada gradual.

“Tudo tem que ser estudado. O que a gente não gosta é de ver decretos prorrogando o estado atual, com tudo fechado, sem nem ter ideia de quando podemos retomar aos poucos”, desabafou ao Blog do Dina outra participante da reunião, que pediu para ser preservado.

Prefeitura de Natal ignora pedido por transparência e não apresenta processos que resultaram em contratação após concorrência entre empresas com mesmos donos

Vinte e sete horas após ter sido procurada pelo Blog do Dina, a Secretaria Municipal de Saúde ignorou os pedidos por transparência sobre os processos que resultaram na contratação direta de empresas para enfrentar a pandemia de covid-19 em Natal.

Reportagem do blog mostrou nessa quinta-feira que a Secretaria Municipal de Saúde selecionou diretamente seis empresas para concorrência. Quatro delas pertencem às mesmas pessoas.

Das quatro, três não apresentaram propostas. A que apresentou, disputou com outras duas dentre as seis, e venceu a concorrência, conforme nota enviada pela própria empresa, a T&N Serviços.

Às 9h41 da quinta-feira, o Blog do Dina procurou a assessoria de imprensa da secretaria municipal de saúde (SMS), com quem teve o seguinte diálogo:

A mensagem original com toda a demanda foi também copiada para o secretário George Antunes, não respondeu às mensagens. A assessoria de imprensa parou de responder nessa quinta após o blog pedir atualização por respostas, às 12h31.

Nesta sexta-feira, o blog voltou a fazer contato com a assessoria de imprensa da Sesap. O diálogo terminou da seguinte forma:

Até a publicação desta matéria, não houve mais retorno da assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde.

Embate

Na noite de quarta-feira (15), o prefeito Álvaro Dias atacou o Blog do Dina durante o Jornal das 6 e o acusou de fazer ilações sem procurar antes a sua administração.

Na noite dessa quinta-feira (16), o prefeito voltou ao assunto em entrevista à rádio 95 FM.

Não é procedimento de jornalista expor conversa com fontes, mas o blog reproduz as conversas para mostrar que tem procurado a gestão em busca de informações.

A primeira conversa, inclusive, se deu um dia antes de o prefeito acusar a reportagem do blog de não procurar sua equipe em busca de informações, conforme a conversa abaixo, na terça-feira (14):

Como se vê, foi a própria equipe de comunicação do prefeito que informou ao Blog do Dina que as contratações seriam para o Hospital de Campanha de Natal, fato que o prefeito desmente.

Memórias de minhas putas tristes: como a covid afetou a sobrevivência de mais de 500 prostitutas de bordéis em Natal

Desde que abraçou a mais antiga das profissões, Diana Soares, hoje aos 61 anos, nunca atravessou momento tão escasso de homens.

Como Rosa Cabarcas, a cafetina aposentada de ‘Memórias de Minhas Putas Tristes, romance de Gabriel Garcia Marques, Diana não largou a missão de facilitar a vida de suas representadas. Mas a empreitada está difícil.

A pandemia de covid-19 afastou clientes, fechou bordéis e agravou as incertezas de mais de cerca de 510 prostitutas que se abrigam sob a precária Associação dos e das Profissionais do Sexo e Congêneres do RN (Asprorn).

A maioria dos clientes, explica Diana, são homens que se enquadram em grupo de risco. Já o perfil das prostitutas são de mulheres da periferia, de baixa renda, acima dos 30 anos.

“Nos tempos de vacas gordas, eram 10 ou 15 programa num dia. Antes da pandemia, a gente só conseguia bater essa meta na semana. Agora, está ainda mais difícil”, detalhou Diana. Segundo ela, há solidariedade entre as prostitutas: aquelas que conseguem fazer um programa, às vezes partilham o dinheiro que conseguiram com outras.

Um atendimento custa em média R$ 50,00, na modalidade expressa. “Papai e mãe. O serviço completo, faz tudo, todas as formas de sexo, chega a R$ 100 até R$ 150”, explicou a representante da Asprorn. “

Ela atendeu pela última vez há dois meses. “Era um cliente antigo, estava doente. Ele até arrumou uma forma de me compensar, me chamando para ser acompanhante, cuidadora”, completou.

Sem aposentadoria, Diana conta com a filha para ajudar em casa. “Ela também está na luta. Chegou duas da madrugada, mas só conseguiu atender um cliente”, conta ela.

Para se proteger da covid-19, vale passar precaução por fetiche. “Algumas mulheres têm usado máscara e apelado para o fetiche. Usam para se proteger, mas fazem tipo a Tiazinha”, revelou.

A triagem para sondar a saúde do cliente é feita em conversa. As mulheres vão sondando, se equilibrando entre a necessidade de conseguir um cliente e manter o meio de sobreviver. Para as que têm local próprio, a situação é menos difícil.

“As mulheres que moram no ambiente em que batalham ainda contam com a sorte de terem clientes ajudando aqui e acolá”, contou ela ao Blog do Dina.

A Asprorn atende mulheres especialmente situadas na zona Norte e bairros de baixo perfil econômico da zona Leste de Natal, como Rocas, Alecrim e Cidade Alta.

Franca na conversa, Diana preferiu reserva na hora de detalhar os atendimentos. “Não vou dizer onde há atendimentos porque estou falando de bordéis. E a polícia, se souber, fecha”, avisou.

Com a renda fortemente afetadas, as prostitutas se viram com rendas alternativas. Para muitas, a principal renda neste momento está sendo o Bolsa Família. A renda provisória de R$ 600,00 dada pelo governo federal também tem chegado para algumas. A desinformação, no entanto, ainda atrapalha bastante.

“A maioria das mulheres que nos procuram tem um perfil que não é das garotas novas que têm acesso a notebook e fazem o dinheiro delas mais facilmente”, analisou a representante da Asprorn.

“A associação meio que se perdeu. Mas eu ainda sou muito procurada por elas. A atividade sexual já estava muito prejudicada com toda essa história de tráfico e drogas e agora piorou. Mas continuamos ajudando aquelas que nos procuram”, garantiu.

Bonequinhas de luxo

Já em outra zona de Natal, a Sul, o perfil de prostituição é o oposto. Tão oposto que as garotas com quem o Blog do Dina conversou ao longo desta manhã sequer sabiam da existência da Asprorn.

“Nunca ouvi falar”, revelou Dany Araújo. Ela cadastrou seu perfil em site que oferece o serviço. Diz ter 27 anos e “safada na medida certa”. Ela suspendeu os atendimentos porque, explicou, tem renda alternativa.

Já Anitta, auto-proclamada dona de um oral inesquecível, explicou que seus atendimentos caíram para até três por dia. Ela explica que conseguiu ainda manter alguns clientes porque atende em lugar próprio, o que facilita nesse momento.

É a mesma situação de Bianca. Ela está atendendo até seis clientes por dias, dando de ombros para o risco de se contaminar.

União reserva dois imóveis em Natal e um em Mossoró para mais hospitais de campanha no RN

Além dos hospitais de campanha da Prefeitura de Natal, no Parque da Costeira, e do Governo do Estado, na Arena das Dunas, o Rio Grande do Norte poderá ter, pelo menos, mais três equipamentos do tipo.

A secretaria que cuida do Patrimônio da União (SPU) entregou ao Ministério da Economia uma lista com imóveis encomendada pelo Palácio do Planalto para construção de hospitais de campanha.

A prioridade são capitais e centros urbanos.

No RN, foram selecionados Natal e Mossoró. Na capital as áreas mapeadas foram as zonas militares situadas no Alecrim e Tirol, conforme a descrição abaixo entre pela SPU ao Ministério da Economia.

Rio Grande do Norte

  • Terreno de 19 mil m² em Natal, no bairro Alecrim
  • Terreno de 4,1 mil m² em Natal, no bairro Tirol
  • Terreno de 14,2 mil m² em Mossoró

Os três tipos de pessoas que descumprem o isolamento pessoal e estão dando trabalho à PM

Há três tipos de pessoas com as quais a PM está tendo de lidar neste momento em face da pandemia de covid-19.

Nos últimos dias, a PMRN já empreendeu várias ações para dispersar aglomerações, cumprindo decreto governamental.

Na zona Norte, por exemplo, 23 pessoas terminaram presas depois que a PM foi intervir para dispersar uma festa e também encontrou drogas e armas.

A primera ação é sempre de orientação. Quem descumpre ou é apanhado em crime concomitante, termina no xilindró.

Depois de tantas abordagens, a PM traçou o perfil de três tipos de pessoas:

1) O completo ignorante: gente que realmente não sabe o que está acontecendo. Não sabe que há um decreto proibindo aglomerações. Gente que ouviu alguma coisa sobre coronavírus, mas não tem a dimensão do evento.

2) Trabalhador: gente que sabe que não pode, mas vai. É o ambulante de praia em torno do qual pode haver aglomeração. A PM orienta a dispersas. Eles atendem sob protesto, mas atendem.

3) O salafrário: esse sabe de tudo, sabe que não pode, mas decide fazer mesmo assim. É a pessoa que tem acesso à informação e às orientações, mas prossegue adiante descumprindo tudo conscientemente.

Cresce em cartórios do RN emissão de certidões de óbitos por problemas respiratórios

Em março de 2020, os cartórios do RN registraram mais óbitos por problemas respiratórios do que o mesmo mês do ano anterior.

Os problemas respiratórios são a principal complicação da covid-19. Mas não dá para associar todas as mortes ao coronavírus. Os números, no entanto, são termômetro.

De 1º a 31 de março deste ano foram registradas 140 mortes por insuficiência respiratória e 275 por pneumonia. No mesmo período do ano passado, foram 118 mortes por insuficiência respiratória e 247 por pneumonia.

Os dados foram obtidos pelo Blog do Dina na base de dados de registro civil mantida pelo Conselho Nacional de Justiça.

O Rio Grande do Norte tem quatro óbitos confirmados pelas autoridades de saúde. Pessoas que morrem com suspeita da doença só tem o oficialização da causa da morte após resultado do exame.

Maioria dos potiguares continua saindo para trabalhar, revela serviço de geolocalização do Google

No relatório sobre o Rio Grande do Norte a respeito da localização de dispositivos móveis, o Google registrou também que a queda na movimentação das pessoas entre suas casas e o trabalho caiu 34% na quarentena.

Ou seja, 66% continuam saindo para trabalhar.

Curiosamente, a mobilidade para lugares como transporte público, hubs como estações de metrô, ônibus e trem caiu 62%

SERÁ QUE VOCÊ ADIVINHA QUAL O ÚNICO MOVIMENTO QUE CRESCEU NO RN? VEJA AQUI

No RN, pacientes com principal complicação da covid-19 esperam até 6 dias por tratamento

Pacientes com complicações respiratórias estão levando até seis dias para serem atendidos nos hospitais públicos e privados do Rio Grande do Norte.

As complicações, chamadas tecnicamente de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), são o principal quadro que levam a óbito na pandemia de covid-19.

Na décima terceira semana epidemiológica, compreendida entre 15 e 21 de março e quando a estimativa era de 13 pacientes com SRAG na rede pública e privada, o tempo médio de atendimento era de 3,5 dias, chegando a 6 dias.

Os dados foram obtidos pelo Blog do Dina a partir da Fiocruz.

O comparativo com outros estados do Nordeste do porte do RN deixa os potiguares em situação mediana. No Piauí, a demora é de até quatro dias e feita em média em dois. Já em Alagoas, pacientes esperam até 10 dias, com média de atendimento em quatro.

A evolução dos números no Rio Grande do Norte mostra que houve melhora com relação a semanas anteriores, quando o tempo médio era de cinco dias, mas o máximo ainda era de seis.

Caso

Um dos primeiros sintomas da Síndrome Respiratória Aguda Grave, conforme reportam as cartilhas sobre o tema, não é, curiosamente, a falta de ar, mas o quadro de gripe comum que evolui para febre acima de 38 graus Celcius.

Foi o caso da primeira morte em Natal, a do estudante Matheus Aciolle, 23. Na entrevista que concedeu ao Blog do Dina, um dos familiares informou que na segunda-feira (23), ele tinha o quadro de febre acima de 38 graus.

O tratamento de Aciolle para combater a síndrome, que é a internação, só veio acontecer na sexta-feira (27), quatro dias depois dos primeiros sintomas.

Questões de classe: Por que dois terços dos casos de covid-19 em Natal se concentram em bairros nobres

A capital do Rio Grande do Norte tem 36 casos de covid-19 confirmados até o momento, é quase metade dos 77 casos reportados no Estado.

De acordo com a ferramenta desenvolvida pelo Laboratório de Inovação Tecnológica da UFRN (Lais), 66,67% dos casos estão distribuídos em Tirol, Petrópolis e Ponta Negra.

As razões têm origem econômica. “Se você observar as falas do ministro da Saúde, Mandetta, ele mesmo explicou que a doença foi trazida para o Brasil pela classe média alta”, explicou ao Blog do Dina o coordenador do Lais, Ricardo Valentim.

Tirol, Petrópolis e Ponta Negra são bairros com renda média 6 vezes maior do que a média de Natal, conforme o anuário da Prefeitura de Natal.

A transmissão de um vírus se dá em três fases. O papel dos bairros nobres de Natal se enquadra da fase dois, a chamada importação da doença.

Ao revisitar os boletins epidemiológicos da Secretaria Estadual de Saúde é possível observar que os primeiros casos de covid-19 reportados em Natal foram de pessoas que estavam ou na Europa ou em estados do Brasil como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, onde o vírus já estava em fase de transmissão.

Apesar disso, explica Valentim, não dá para afirmar que Natal tem um epicentro de transmissão, especialmente sobre Tirol e Petrólis, que são vizinhos e concentram 50% dos casos.

“Teremos que esperar para analisar os próximos dados e ver o comportamento e evolução da transmissão. Não dá para falar em epicentro ainda”, explicou Valentim.

Distribuição de casos por bairros de Natal em percentual:

Tirol – 28,57%

Petrópolis – 19.05%

Ponta Negra – 19,05%

Capim Macio – 9,52%

Lagoa Nova – 4,76%

Candelária – 4,76%

Pajuçara – 4,76%

Potengi – 4,76%