A última tentação de Deltan, o Cristo

Deltan Dallagnol tinha uma conversa consigo mesmo no Telegram.

Nada demais.

Eu tenho uma comigo mesmo no WhatsApp que uso como lembrete e rascunho.

As conversas de Deltan consigo mesmo tinham caráter divino.

Na mais recente Vaza Jato, veio a público o humano Deltan falando para o divino Deltan sobre seu plano de disputar o Senado no ano passado.

“Tenho apenas 37 anos. A terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado. Apesar de em 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Álvaro Dias, se for para ser, será. Posso traçar plano focado em fazer mudanças e que pode acabar tendo como efeito manter essa porta aberta”, escreveu, em 29 de janeiro de 2018, numa longa mensagem enviada para ele mesmo”.

Deus deve ter olhado para Deltan e o tocado como messias.

Sim, o Criador, em sua imensa obra, com suas infinitas criaturas, deve ter parado em algum momento para reservar atenção especial às ambições humanas de Dallagnol porque ele é o escolhido, o predestinado.

Partido da Lava-Jato queria eleger um terço do Senado

O último episódio da Vaza Jato mostra como Deltan e seus colegas procuradores costuraram um plano ambicioso, abortado, no entanto.

Eles queriam eleger um candidato ao Senado por estado.

O próprio Deltan considerou ser candidato.

Os procuradores, no entanto, tentaram, sem sucesso, manobra para que disputassem eleições sem precisar se demitir do MPF, como é exigido por lei.

Após vazamentos, Deltan só consegue dormir à base de remédios

Chefe da força-tarefa da Lava-Jato, o procurador Deltan Dallagnol confidenciou a amigos que, recentemente, só consegue dormir à base de remédio.

Na semana passada, o Conselho Nacional no Ministério Público (CNMP) desarquivou uma reclamação disciplinar contra Deltan e seu colega, Roberto Pozzobon, devido aos diálogos revelados pelo site “The Intercept”. Ainda há outras representações contra o investigador que serão analisadas.

Os processos podem culminar no afastamento do chefe da Operação Lava-Jato.

Bia Megale, no Globo

Deltan concede primeira entrevista ao vivo após repercussão sobre ter lucrado com empresa citada na Lava Jato

O coordenador-da força tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, concedeu entrevista ao vivo ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, em que rebateu os novos desdobramentos das revelações das mensagens hackeadas de seu telefone.

É a primeira manifestação de Deltan de forma incisiva. Desde que as mensagens começaram a ser publicadas, ele só utiliza o Twitter ou se pronuncia por nota, não respondendo questionamentos.

Reportagem da Folha de S.Paulo e do The Intercept Brasil nesta sexta-feira revela que ele lucrou R$ 33 mil em palestra contratada pela Neoway, que foi implicada na Lava Jato.

Deltan explicou que quando deu a palestra não tinha conhecimento de que a empresa tinha sido pega na investigação.

Quando tomou conhecimento, se afastou do caso e tomou a iniciativa de comunicar o caso à corregedoria do Ministério Público.

Na entrevista, para reforçar a retidão de sua conduta, ele afirma ter encaminhado à redação da Jovem Pan quatro convites de palestras que recusou porque as empresas eram envolvidas nas investigações.

No caso da Neoway, um vídeo de Deltan falando à empresa foi ainda usada por ela para promover a si mesma. Questionado pela jornalista Vera Magalhães se era papel de procurador ser garoto-propaganda de empresa, Deltan disse que não tinha responsabilidade sobre o uso de sua imagem.

Outras questões

Como foi a primeira entrevista do procurador, outras questões foram feitas sobre o todas as revelações.

Uma delas foi sobre por que o procurador não nega categoricamente o conteúdo divulgado e se as mensagens não deixam evidente que houve colaboração entre juiz e procurador.

Sobre esses temas, Dallagnol afirmou que sua conduta foi de retidão e que não tem como afirmar ou negar nada porque não tem mais acesso às mensagens. Ele disse que sua falta de acesso, portanto, o impede de dizer se o que está sendo publicado corresponde ao que foi escrito.

Sobre a suposta parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro, ele explicou uma tese de quatro vertentes focando em uma delas, segundo a qual pode ser possível que juiz atropele formalidades desde que não venha a prejudicar direitos fundamentais do jurisdicionado e que tudo seja registrado nos autos do processo.

Confrontado, então, que tal conduta não foi registrada nos autos, mas em mensagens no Telegram, ele não respondeu.

Operação Spoofing: Alvos de ação da PF são associados a tráfico de drogas, além de crimes online

No ACidadeOn, de Araraquara (cidade onde a PF cumpriu mandados para prender suspeitos de estarem ligados a invasão de dados de autoridades)

Na ação de Araraquara, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em duas casas: na Vila Xavier e no Selmi Dei. Na Vila Xavier, na região da Vila Renata, na casa da avó de um suspeito, foram apreendidos documentos para apurar o caso.

O suspeito não foi encontrado porque já estava foragido por outro crime. O ACidadeON apurou que ele seria um ex-estudante universitário do curso de Direito e já tem envolvimento principalmente com o tráfico de drogas.

Pelo Selmi Dei, um bairro periférico da cidade, o alvo foi a casa da família do rapaz detido pela PF em São Paulo, onde estaria morando. Ele também já teria se envolvido em outros crimes anteriormente relacionados a fraudes online.

Os nomes deles não foram informados. O ACidadeON/Araraquara apurou que esse homem de Araraquara foi detido em São Paulo, onde estaria morando em um apartamento atualmente.

Ariovaldo Moreira é advogado e foi contratado pela família. “Até o momento não temos informação de onde ele está, mas trata-se de um cliente meu antigo. Só falei com a família e estamos buscando o seu paradeiro”, diz o defensor que confirma o teor da operação policial ligada ao Telegram do ministro da justiça.