Em triste fim, presidente da República é denunciado no inquérito dos Portos

No Antagonista

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, acaba de denunciar ao STF o presidente da República, Michel Temer, no inquérito dos portos.

A acusação criminal foi apresentada no último dia antes do recesso do Judiciário, que começa nesta quarta (20).

Em outubro, a PF informou ao Supremo ter encontrado indícios de que Temer e mais dez pessoas integraram um esquema para favorecer empresas específicas na edição de um decreto sobre o setor portuário.

 

Por que denúncias sobre corrupção são tratadas como verdade consumada e as de violência sexual não

 

Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha de S.Paulo, adverte o maior jornal do país em sua coluna neste domingo sobre a necessidade de se criar mecanismos para investigar denúncias de assédio sexual.

Ela destaca como o assunto é recheado do protecionismo nos círculos de poder, inclusive dentro dos jornais.

A coluna vem na esteira do caso do médium João de Deus.

Costa questiona algo extremamente pertinente. Reproduzo trecho de sua coluna:

Publicam-se longos relatos de delações premiadas, muitas das quais baseadas em inferências e em reprodução de conversas de terceiros. Nos casos de assédio, o relato de vítimas é tratado com desconfiança máxima, exigindo provas concretas, como se a maioria dos crimes sexuais pudesse ser (e tivesse de ser) atestada por meio de exames médicos e perícias científicas. A realidade mostra que não é assim.

A ombudsman relembra que, em 2009, a Folha foi o primeiro jornal a explorar relatos de denúncias contra o médico Roger Abdelmassih. Mas houve muitas precauções: A reportagem não foi editada na capa do caderno nem tinha chamada na primeira página.

Parêntese meu: é indispensável o direito ao amplo contraditório e não se devem tomar denúncias como fatos consumados. Mas é preciso mexer no pensamento vigente que ainda predomina sobre desacreditar as vítimas de violência sexual.

As 905 ligações que dificultam a defesa de Agripino na acusação de associação criminosa e peculato

Novecentas e cinco ligações telefônicas entre 2012 e 2014 entre o senador José Agripino e Raimundo Alves Maia Júnior e nenhuma entre o senador ou Raimundo e Victor Neves Wanderley sustentam a denúncia que a Procuradoria Geral da República apresentou nesta quinta-feira contra eles por peculato e associação criminosa. 

O senador afirmou em nota através da assessoria de imprensa que “A acusação que me fazem não é verdadeira. Nunca tive nos quatro mandatos de Senador que exerci nenhum funcionário fantasma no meu gabinete. Asseguro que isso ficará demonstrado na resposta que oferecerei à denuncia”.

A denúncia da PGR conta que Victor foi nomeado no Senado Federal, no gabinete de Agripino Maia, mas o dinheiro era desviado para Raimundo, que não podia assumir o posto formalmente porque era servidor efetivo da Assembleia Legislativa. A Constituição Federal veda acúmulo de funções.

Agripino alegou inicialmente que Victor trabalhava em seu escritório em Natal. Victor confirmou a versão e informou que tratava com o senador via telefone.

As interceptações mostraram que nunca houve conversas telefônicas entre Victor e Agripino, mas houve 905 entre Agripino e Raimundo, apontado como homem de confiança do senador.

No período em que esteve lotado no Senado, entre 2013 e 2016, Victor, aponta o MPF, trabalhava na farmácia de um tio em Natal.

De acordo com o MPF, foram feitos repasses de R$ 433 mil da conta de Victor Neves, que seria o dinheiro recebido pela lotação do Senado, direto para a conta de Raimundo. Às autoridades, eles afirmaram se tratar de despesas relativas à habitação.

Houve ainda mais de R$ 26 mil repassados para esposa e filha de Raimundo Alves Maia Júnior.

O MP está pedindo o ressarcimento de R$ 590,6 mil e indenização por danos morais coletivos de R$ 1.181.266,86.