Rachadinha: Flávio Bolsonaro e a mulher são intimados para depoimento

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e a mulher dele, Fernanda, foram intimados nesta quinta-feira, 2, pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) a prestarem depoimento durante a próxima semana na investigação sobre o esquema de ‘rachadinha’, a devolução do salário de assessores que supostamente vigorava no gabinete de Flávio enquanto ele era deputado estadual no Rio.

O Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc), do MP-RJ, agendou o depoimento de Fernanda para segunda-feira, 6. Já o senador deve escolher entre a segunda ou a terça-feira , 7, conforme preferir. A defesa de Flávio afirmou que essas datas são ‘uma sugestão’ do MP.

Estadão

Futuro de investigação de Flávio Bolsonaro só deve ser definido em agosto

O pedido do Ministério Público do Rio para que a investigação de Flávio Bolsonaro volte para a primeira instância deve ser levado pelo ministro Gilmar Mendes para análise do colegiado do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto. A corte entrará em recesso a partir desta quarta-feira (1º) e funcionará em esquema de plantão em julho.

Interlocutores do Supremo afirmam que o ministro não pretende proferir nenhuma decisão sozinho e que levará o tema para ser analisado na 2a turma, da qual ele faz parte. Também há chances de o caso ir para o plenário da corte, onde votariam todos os ministros, mas essa não é a tendência hoje.

A coluna apurou que, neste momento, os magistrados do STF veem fundamento no pedido do Ministério Público do Rio. A promotoria fluminense solicitou ao Supremo que a investigação envolvendo Flávio Bolsonaro no caso da “rachadinha” retorne ao juízo de primeiro grau. A base do pedido é uma decisão do ministro Marco Aurélio Mello, na qual ele afirma que a investigação deveria ocorrer na primeira instância.

Com isso, Flávio continua com o foro, ao menos, até agosto e a competência da investigação segue com o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A indefinição vai atrasar a apresentação de denúncia no caso Queiroz, já que o MP só deve formalizá-la após o Supremo definir se vai manter o foro do senador.

Outro fator que pode mudar esse cenário é se o ministro Celso de Mello decidir analisar antes o pedido do partido Rede Sustentabilidade, para que o caso volte à primeira instância. Isso, porém, é considerado pouco provável entre integrantes da corte.

O Globo

STF mandou para a primeira instância casos iguais ao de Flávio Bolsonaro

Na contramão do caso do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o Supremo Tribunal Federal (STF) já mandou para a primeira instância ao menos duas ações penais de parlamentares investigados por irregularidades na época em que eram deputados estaduais. Ambos os casos, assim como na investigação de Flávio, também envolvem a nomeação de servidores em seus gabinetes.

E, da mesma forma que o senador, os dois emendaram mandatos no Congresso Nacional depois de serem deputados estaduais. As decisões são de maio de 2018, pouco depois de o STF ter restringido o alcance do foro privilegiado.

Na época, o ministro Dias Toffoli enviou para uma vara criminal de primeira instância no Paraná uma ação penal do então deputado federal Takayama (PSC-PR). Ele foi acusado de empregar em seu gabinete na Assembleia Legislativa paranaense, entre 1999 e 2003, 12 pessoas que na verdade prestavam serviços particulares. Takayama deixou a legislatura estadual para uma vaga no Congresso em 2003. Depois disso emendou vários mandatos como deputado federal, cargo que ainda ocupava em 2018, não tendo deixado de ser parlamentar no período.

A Constituição do Paraná estabelece que o foro de deputados estaduais é na segunda instância. Mas como o mandato dele na legislatura local já tinha finalizado, essa regra não foi aplicada por Toffoli e o processo foi remetido para a primeira instância. Na Justiça Federal do Paraná, aonde o caso foi parar, a ação acabou sendo arquivada.

Outro ex-deputado estadual com processo remetido para a primeira instância foi Édio Lopes, de Roraima, atualmente deputado federal pelo PL. Em maio de 2018, o ministro Gilmar Mendes, do STF, mandou para a comarca de Boa Vista a ação penal em que ele era acusado nomear funcionários fantasmas em seu gabinete na Assembleia Legislativa entre 2005 e 2006. Em 2007, ele se tornou deputado federal, cargo para o qual vem se reelegendo desde então.

A Constituição de Roraima também estabelece o julgamento de deputados na segunda instância, e não na primeira. Mas a ação penal de Édio Lopes acabou voltando para o próprio STF por outro motivo. Como o processo estava muito avançado e havia risco de prescrição, a Procurdoria-Geral da República (PGR) recorreu para mantê-lo na Corte e ter um desfecho mais rápido. Mas, até o momento, o STF ainda não julgou o caso.

No Brasil, vários cargos dão direito a foro privilegiado. No STF, por exemplo, são julgados senadores, deputados federais e ministros. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), governadores e conselheiros de tribunais de contas estaduais. Várias constituições estaduais determinam ainda que prefeitos, deputados estaduais e secretários sejam julgados no Tribunal de Justiça local.

Em maio 2018, o STF aplicou um novo entendimento: só seria processado no tribunal quem é investigado por fatos relacionados ao mandato cometidos enquanto o parlamentar estiver no cargo. Desde então, a Corte vem mandando para a primeira instância várias investigações, mesmo quando os supostos crimes tenham ocorrido enquanto ocupavam outro cargo com foro privilegiado. Com isso, inquéritos e ações penais de parlamentares que eram governadores, prefeitos ou deputados estaduais foram para a primeira instância, e não para o STJ ou para tribunal local.

Em agosto de 2018, por exemplo, o ministro Edson Fachin mandou para primeira instância da Justiça Federal um inquérito do então senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Ele era acusado de irregularidades na época em que era prefeito de Nova Iguaçu, cargo que, segundo a Constituição do Rio de Janeiro, lhe dá foro privilegiado na segunda instância.

Um caso de ex-governador que teve processo enviado para a primeira instância e não para o STJ foi o do deputado Aécio Neves (PSDB-MG). Em maio de 2018, quando ele ainda era senador, o ministro Alexandre de Moraes enviou o inquérito aberto para investigar irregularidades nas obras da Cidade Administrativa, sede do governo mineiro, para a justiça criminal estadual de primeira instância.

O GLOBO

Além de Flávio Bolsonaro, denúncia da ‘rachadinha’ na Alerj deve atingir mais um político

As primeiras denúncias do Ministério Público estadual (MP-RJ) contra os envolvidos no esquema da rachadinha da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) devem atingir mais de um político.

Para evitar críticas a um eventual direcionamento de investigações, as acusações a serem encaminhadas ao Judiciário, para abertura de ação criminal, vão focar em pelo menos dois gabinetes: o do ex-deputado e hoje senador Flávio Bolsonaro Republicanos-RJ), incluindo o seu suposto operador, Fabrício Queiroz, e de um outro deputado que figura na lista original do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), cujos relatórios de inteligência deram início às investigações em 2018.

As denúncias, aguardadas para os próximos dias, terão como principal fundamento o suposto crime de peculato, uma vez que os favorecidos teriam se apropriado de dinheiro público ao obrigar os servidores da Alerj a transferirem parte de seus vencimentos. Outros crimes tipificados deverão ser o de organização criminosa e de lavagem de dinheiro. No caso de Fabrício Queiroz e sua mulher, Márcia, também estará incluída a obstrução de Justiça, razão da prisão preventiva do casal .

Produzido no âmbito das investigações da “Furna da Onça”, uma das operações da força-tarefa da Lava-Jato no Rio, o relatório do Coaf citava inicialmente 75 assessores ou ex-assessores da Alerj ligados a 22 deputados estaduais à época. O Ministério Público Federal (MPF), porém, remeteu parte destes nomes para o MP-RJ por entender que a rachadinha não tinha relação direta com o esquema de corrupção patrocinado pelo ex-governador Sergio Cabral.

Desde o começo de março, dois grupos de trabalho do MP-RJ passaram a trabalhar de maneira organizada para concluir as investigações relativas às rachadinhas, unificando o trabalho: o Grupo de Atribuição Originária Criminal (Gaocrim), que atua coordenado pelo procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, e o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc), que trabalha no caso de Flávio Bolsonaro.

Agora, o Gaocrim possui nove investigações e o Gaecc está com nove também. Mesmo durante a pandemia do novo coronavírus, os promotores seguem trabalhando em home office para tentar dar celeridade às investigações e colocar os casos que chegaram mais recentemente no mesmo ritmo dos anteriores. Serão destas duas unidades que sairão denúncias contra os políticos envolvidos — pode ser até mais de duas — e contra servidores que integraram o esquema.

Os promotores da área criminal do MP-RJ geralmente só pedem uma prisão preventiva quando a denúncia contra o investigado está pronta. Sendo assim, se o juiz concordar, a pessoa já entra na cela na condição de ré. Uma exceção foi aberta com a prisão de Fabrício Queiroz, pela oportunidade surgida com a descoberta do seu paradeiro em Atibaia.

Esta situação, contudo, obrigará o MP-RJ a apressar a denúncia contra Queiroz e os demais envolvidos no esquema. A prisão preventiva possui prazo de 90 dias para reavaliação. Se os promotores demorarem a oferecer denúncia, no meio da ação penal, as defesas alegarão excesso de prazo na instrução criminal para obter o relaxamento das prisões.

O Globo

Capitão Adriano integrava ‘núcleo’ de grupo de Flávio, diz MP

Pela primeira vez desde o início das investigações sobre o gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, o Ministério Público Estadual encontrou provas de que pessoas ligadas ao senador mantinham contato com o miliciano Adriano Magalhães da Costa Nóbrega, chefe da milícia Escritório do Crime, no período em que este era procurado pela Justiça. O chefe do grupo criminoso teria participado da elaboração de um plano de fuga da família do ex-assessor Fabrício Queiroz e integrava, segundo o MP, “o núcleo executivo da organização criminosa” liderada pelo atual senador.

Até então, as relações de Adriano com o gabinete de Flávio haviam acontecido no período em que, de acordo com as investigações, ainda não era pública a associação do ex-capitão com o crime organizado. Flávio, por exemplo, havia homenageado o então policial na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Também o visitara na cadeia, quando ele respondia a um processo por homicídio. Por fim, empregou a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a ex-mulher dele, Danielle Mendonça da Costa, como funcionárias fantasmas em seu gabinete na Alerj, segundo a investigação.

No caso de Raimunda, o Ministério Público apresentou à Justiça provas de que ela nunca esteve na Alerj. Examinando os deslocamentos de seu telefone celular, foi possível verificar que o aparelho jamais se aproximou do prédio em que ela devia trabalhar. Raimunda é sócia de uma pizzaria com o filho. Da conta da pizzaria saíram R$ 69,2 mil para Fabrício Queiroz.

Tanto Raimunda quanto Danielle pertenceriam ao esquema de “rachadinha”, na qual parte do dinheiro pago aos assessores do gabinete seria apropriado pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro.

No pedido de prisão de Queiroz apresentado à 27.ª Vara Criminal, o Ministério Público do Rio afirma que o capitão Adriano “se valia de parentes para integrar o núcleo executivo da ORCRIM (organização criminosa)”. O documento estima que ele repassou mais de R$ 400 mil para contas administradas por Queiroz, acusado de ser o operador financeiro da organização.

As pistas que ligavam o chefe da milícia ao esquema da rachadinha surgiram em outra investigação do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Eram dados extraídos do telefone celular apreendido com Danielle na casa do miliciano durante a Operação Intocáveis.

No WhatsApp da ex-mulher do criminoso – que morreu em tiroteio com a polícia baiana em 9 de fevereiro deste ano – foram achadas conversas com Queiroz. Segundo os promotores, ela tinha ciência de que era funcionária fantasma e temia a origem ilícita do dinheiro. Por fim, dizem os investigadores, Queiroz e Adriano “tentaram embaraçar a investigação”, mandando Danielle faltar no depoimento no MP. Eles enviaram um advogado para conversar com ela, “deixando claro que a organização criminosa, além de poder pressionar e intimidar as testemunhas dos fatos, estaria abordando as pessoas intimadas e articulando a combinação de teses defensivas fantasiosas entre os autores e partícipes dos crimes”.

Tudo isso antes de Adriano ter sua prisão decretada. O caso mais grave ocorreu depois e foi descoberto com a apreensão do celular da mulher de Queiroz, Márcia Oliveira Aguiar, ocorrida em 18 de dezembro de 2019.

Naquele dia, conforme o relatório do MP, ela pretendia embarcar para São Paulo, onde ia se esconder com Queiroz, que era mantido na casa do advogado Frederick Wassef, em Atibaia. Para não ser descoberto, Queiroz desligava o celular quando entrava na região de Atibaia – Márcia era orientada pelo “Anjo”, o homem que monitorava Queiroz, a fazer o mesmo.

O plano, segundo o MP, começara a ser traçado um mês antes, em reunião na cidade do interior paulista entre Queiroz, o advogado Luis Gustavo Botto Maia, que defende Flávio Bolsonaro, e o Anjo. Eles aguardavam o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal sobre o compartilhamento de dados do Coaf e temiam uma decretação de prisão. Mensagens de Queiroz à mulher mostram que o ex-assessor mandou Márcia procurar Raimunda, que estava escondida em uma casa na cidade de Astolfo Dutra, em Minas.

Era necessário conversar pessoalmente com a mãe do miliciano, que se escondia em Minas por orientação de Queiroz e de Botto Maia. O advogado do senador também participaria do encontro. Os três iam esperar a chegada da mulher de Adriano, que levaria ao miliciano um recado de Botto Maia.

Quando estavam na cidade, Márcia mandou foto dela com o advogado para Queiroz. Ele, então, segundo a promotoria, advertiu a mulher “para apagar sua localização, a fim de dificultar eventual rastreamento, o que mais uma vez ressalta a natureza clandestina do encontro e o provável caráter ilícito da proposta que estaria sendo encaminhada a Adriano”. Depois, novo encontro entre os quatro ocorreu no Rio, no dia 17, quando a mulher do miliciano voltou da Bahia e transmitiu pessoalmente a reposta do foragido ao advogado do senador.

O Estadão procurou a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), mas não conseguiu localizar o advogado Frederick Wassef. Também procurou a assessoria do parlamentar no senado, mas não obteve reposta. O jornal também procurou as defesas do ex-assessor Fabrício Queiroz, de Raimunda Vera Magalhães, e Danielle Mendonça da Costa, mas o advogado Paulo Emílio Catta Preta não quis se manifestar. A reportagem apurou que a defesa deve contestar o valor probatório das conversas entre os investigados encontradas no WhatsApp da mulher de Queiroz, Márcia Oliveira Aguiar.

Estadão

Promotores afirmam que Queiroz quitou escola das filhas de Flávio e investigam pagamento de 116 outros boletos com despesas pessoais do senador

O Ministério Público Rio de Janeiro afirma que o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz custeou despesas pessoais do chefe e então deputado na Assembleia Legislativa do Rio, Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). O ex-policial militar é tido pelos promotores como uma espécie de operador financeiro do ‘filho 01’ do presidente.

De acordo com as investigações, Queiroz transferia parte dos recursos para o ‘patrimônio familiar’ de Flávio através de depósitos fracionados e do pagamento de despesas pessoais do ex-deputado e de sua família.

Os investigadores detectaram pelo menos 116 boletos bancários referentes ao custeio do plano de saúde e das mensalidades escolares das filhas de Flávio e da esposa, Fernanda Bolsonaro, com dinheiro em espécie ‘não proveniente’ das contas do casal. Para os promotores, as despesas no valor total de R$162 mil podem ter sido quitadas por Queiroz.

Um vídeo obtido na investigação mostra o ex-assessor fazendo pagamentos no caixa de um banco. Cruzando horário, data, valores e movimentações bancárias, os promotores chegaram à conclusão de que ele foi o responsável por quitar as mensalidades escolares de outubro de 2018 das filhas de Flávio.

Estadão

Fabrício Queiroz é preso no interior de São Paulo

O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, foi preso na manhã desta quinta-feira (18), em Atibaia, no interior de São Paulo. De acordo com a TV Globo, ele estava no imóvel do advogado Fred Wassef.

Os mandados de busca e apreensão e de prisão foram expedidos pela justiça do Rio e a prisão foi feita em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público.

Queiroz é investigado por suposto esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Procurador aponta ‘fortes indícios’ de lavagem de dinheiro em bens de Flávio Bolsonaro

Em investigação preliminar sobre o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o procurador da República Sérgio Pinel entendeu ter encontrado “fortes indícios da prática de crime de lavagem de dinheiro” envolvendo o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro.

Após análise de documentos sobre os bens de Flávio, Pinel manifestou sua posição à 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (MPF), na qual ele pede que o caso seja transferido para o Ministério Público do Rio (MP-RJ) por entender que os supostos ilícitos encontrados não se configuram em crimes federais.

Essa investigação, que apura se o senador cometeu lavagem a partir de transações imobiliárias, foi aberta a partir de uma representação apresentada por um cidadão ao MPF.

A 2ª Câmara de Coordenação e Revisão acatou o pedido e determinou que o caso seja encaminhado aos promotores estaduais. É a primeira manifestação de um membro do MPF sobre as acusações envolvendo a evolução patrimonial de Flávio, que adquiriu 19 imóveis desde 2003 — quando assumiu o primeiro mandato.

Segundo Pinel, “as circunstâncias em que as compras (imóveis) foram feitas sugerem que os registros do valor de compra foram subavaliados, com parte do valor sendo pago por fora, em típico modus operandi de quem pretende ocultar a proveniência ilícita dos recursos e os converter em ativos lícitos com uma valorização irreal dos bens comprados”.

O MP do Rio investiga o possível esquema de rachadinha no antigo gabinete de Flávio na Alerj desde 2018 e já disse ter encontrado indícios de que o senador lavou R$ 2,27 milhões com compra de imóveis e em sua loja de chocolates. Em abril, O GLOBO revelou que, ao negar um habeas corpus de Flávio, o ministro Felix Fischer (STJ) afirmou ver “fortes indícios de materialidade e autoria de crimes”.

Na petição, Pinel fez referências, em especial, à compra e venda de dois apartamentos em Copacabana. Segundo a manifestação, em 27 de novembro de 2012, Flávio e sua mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, compraram um imóvel na Rua Barata Ribeiro por R$ 170 mil, tendo os vendedores sido representados por Glenn Howard Dillard. Um ano depois da compra, o imóvel foi vendido por R$ 573 mil, “uma impressionante valorização de mais de 200% em curto período”.

Outro negócio mencionado ocorreu em 27 de novembro de 2012, quando Flávio e Fernanda compraram um imóvel na Av. Prado Júnior por R$ 140 mil, tendo os vendedores, igualmente, sido representados por Dillard. Pouco mais de um ano após a compra, Flávio e a mulher venderam o imóvel por R$ 550 mil, mais uma vez uma valorização superior a 200% em curto período. Dillard foi posteriormente processado por Charles Eldering, dono do imóvel, por não ter recebido o dinheiro da venda.

Por causa das negociações desses dois apartamentos, a investigação do MP-RJ sobre a rachadinha aponta lavagem de dinheiro nas operações de Flávio. O senador pagou Dillard com quatro cheques. No mesmo dia e na mesma agência em que descontou os cheques, o MP descobriu que Dillard recebeu depósitos em espécie no valor de R$ 638,4 mil.

Pinel propôs o envio do caso ao MP-RJ por não enxergar no caso crimes de evasão de divisas ou de envolvimento de pessoas jurídicas com sede no exterior, que seriam de competência federal. Composta de três membros titulares e três suplentes, a 2ª Câmara de Coordenação e Revisão concordou no início do mês com o pedido de Pinel, transferindo o caso para a esfera estadual.

Na época da quebra de sigilo contra Flávio, o advogado Frederick Wassef negou que o senador tenha cometido crimes. A advogada Luciana Pires, que representa Flávio em outro caso, o inquérito que apura possível falsidade ideológica eleitoral por discrepâncias nas suas declarações de bens à Justiça Eleitoral, disse que entrou com mandado de segurança para ter acesso aos autos.

O Globo

Celso de Mello nega pedido de Flávio Bolsonaro para acesso ao depoimento de Paulo Marinho

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido do senador Flávio Bolsonaro para ter acesso ao depoimento de Paulo Marinho. O decano colocou a oitiva sob sigilo após requisição da Polícia Federal.

Ao negar, Mello argumentou que Flávio Bolsonaro não é investigado no inquérito que apura supostas interferências políticas de Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Assim, não poderia ter acesso ao depoimento. Apenas o Ministério Público terá acesso após a imposição do sigilo.

O empresário Paulo Marinho é pivô de investigação sobre suposto vazamento de informações da Operação Furna da Onça.

Toffoli atende a pedido de Flávio Bolsonaro e suspende inquéritos com dados do Coaf

A pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, suspendeu todos os inquéritos que tramitam em todas as instâncias da Justiça que tenham partido de dados detalhados compartilhados por órgãos de controle, como o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), sem prévia autorização judicial.

A decisão beneficia Flávio, filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), e paralisa a investigação que está sendo realizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e que envolve o ex-assessor Fabrício Queiroz.

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MP vê lavagem de dinheiro em imóveis de Flávio

8 questões sem respostas no caso Queiroz

A apuração, segundo a defesa do senador, começou com compartilhamento de informações do Coaf e só depois a Justiça fluminense autorização a quebra de sigilo bancário.

A decisão de Toffoli é desta segunda-feira (15).

A defesa de Flávio alegou ao Supremo que há, em discussão na corte, um tema de repercussão geral (que afeta o desfecho de todos os processos semelhantes no país) que trata justamente da possibilidade de compartilhamento de dados por órgãos de controle sem prévia autorização judicial.

Para a defesa, todos os casos que têm essa controvérsia deveriam estar suspensos. Toffoli concordou com o argumento, sob a justificativa de evitar que, no futuro, quando o STF decidir a respeito, os processos venham a ser anulados.

Os relatórios do Coaf que embasam a investigação contra Flávio e Fabrício Queiroz, ex-assessor dele na Assembleia Legislativa, apresentam informações detalhadas de determinados tipos de movimentação financeira.

Em relação ao senador, o órgão federal detalhou hora e data de cada depósito de R$ 2.000 feito entre junho e julho de 2017. Foram no total 48 depósitos, somando R$ 96 mil.

Em relação a Queiroz, o órgão também detalhou hora e data de saques e depósitos feitos em 2016. Este documento é, inclusive, a origem da investigação contra o filho do presidente.

8 questões sem respostas no caso Queiroz

O senador Flávio Bolsonaro tentou pela terceira vez bloquear a investigação que mira seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. 

O caso tem algumas dúvidas que são questionamentos que se sobrassaem em meio às mudanças e contraposição de versões.

As seguintes perguntas foram listadas em reportagem da Folha:

  1. Quem eram os assessores informais que Queiroz afirma ter remunerado com o salário de outros funcionários do gabinete de Flávio?
  2. Por que o único assessor que prestou depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro não confirmou esta versão de Queiroz?
  3. Como Flávio desconhecia as atividades de um dos seus principais assessores por dez anos?
  4. Se Flávio possui apenas uma empresa que foi aberta em seu nome, em 2015, como ele obteve R$ 4,2 milhões para comprar dois imóveis de 2012 a 2014?
  5. Por qual motivo Jair Bolsonaro emprestou dinheiro a alguém que costumava movimentar centenas de milhares de reais?
  6. De que forma foi feito esse empréstimo pelo presidente e onde está o comprovante da transação?
    Onde estão os comprovantes da venda e compra de carros alegadas por Queiroz?
  7. Por que há divergência entre as datas do sinal descrita na escritura de permuta de imóveis com o atleta Fábio Guerra e as de depósito em espécie fracionado na conta de Flávio?

Flávio Bolsonaro tenta pela terceira vez bloquear investigação na Justiça

Na Folha

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) propôs a terceira medida judicial contra a investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre supostas práticas de crimes em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

A peça da defesa, mantida sob sigilo, tem argumentos semelhantes aos apresentados pela defesa de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador e pivô da investigação, segundo a Folha apurou.

A defesa de Flávio aponta ilegalidades na decisão do magistrado de primeira instância, como falta de fundamentação.

A justificativa do juiz para as quebras dos sigilos toma um parágrafo do documento, adotando as razões expostas pelo Ministério Público em 87 páginas.

8 questões sem respostas no caso Queiroz

Quem eram os assessores informais que Queiroz afirma ter remunerado com o salário de outros funcionários do gabinete de Flávio?

Por que o único assessor que prestou depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro não confirmou esta versão de Queiroz?

Como Flávio desconhecia as atividades de um dos seus principais assessores por dez anos?

Se Flávio possui apenas uma empresa que foi aberta em seu nome, em 2015, como ele obteve R$ 4,2 milhões para comprar dois imóveis de 2012 a 2014?

Por qual motivo Jair Bolsonaro emprestou dinheiro a alguém que costumava movimentar centenas de milhares de reais?

De que forma foi feito esse empréstimo pelo presidente e onde está o comprovante da transação?
Onde estão os comprovantes da venda e compra de carros alegadas por Queiroz?

Por que há divergência entre as datas do sinal descrita na escritura de permuta de imóveis com o atleta Fábio Guerra e as de depósito em espécie fracionado na conta de Flávio?

Marco Aurélio nega pedido de Flávio Bolsonaro e investigação segue no MP do Rio

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu negar nesta sexta-feira (1º) um pedido do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) para suspender as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) a partir de movimentações financeiras consideradas “atípicas” pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O senador eleito Flávio Bolsonaro disse, por meio de sua assessoria, que não vai se pronunciar por ora, mas que deve se manifestar no Senado sobre a decisão na tarde desta sexta-feira (1º).

Flávio havia pedido a suspensão do procedimento investigatório com o argumento de que uma vez eleito senador, a competência para autorizar investigação seria do STF, por causa do foro privilegiado.