Recordar é viver: há quatro anos, como Fátima na atualidade, Robinson anunciava pagamento de janeiro em dia

A intrigante medida da governadora Fátima Bezerra em anunciar o pagamento de janeiro dentro de janeiro é uma medida de que seu antecessor lançou mão.

Há quatro anos, Robinson pagou em dia porque tinha o fundo previdenciário. 

Foi na época em que foi inaugurada a era na qual pagar em dia era notícia

Em 26 de janeiro de 2015, a Assessoria de Comunicação do Estado disparava a seguinte notícia:

governador Robinson Faria vai pagar em dia o salário dos servidores do Estado. O calendário de pagamento de janeiro já está fechado e ocorrerá nos seguintes dias: 29 de janeiro, serão pagos os salários dos aposentados e pensionistas. E, no dia 30 de janeiro, receberão os servidores da ativa da administração direta e indireta.

Nessa segunda (8), assim como Robinson fez sobre Rosalba, Fátima fez sobre seu antecessor.

E anunciou o pagamento dos servidores em dia.

Como se nada tivesse acontecido.

Como se não houvesse salário atrasado.

Palavras ao vento: discurso de Fátima repete frases de efeito e generalidades que Robinson disse em 2015

Quando a governadora Fátima Bezerra terminou seu discurso de posse, na Escola de Governo, nessa terça-feira (1º) ficou no ar uma impressão de ‘já ouvi isso antes’.

De fato, já ouvi.

Em primeiro de janeiro de 2015, algumas das frases de impacto de que fez mão a nova governadora do Rio Grande do Norte estavam sendo utilizadas pelo recém-empossado Robinson Faria.

As ideias semelhantes entre os discursos devem servir de alerta para que vejamos as palavras apenas como isso: palavras.

Aqui vão elas, sempre atendendo à lógica de que o o número 1 é o que Robinson disse em 2015 e o 2, o que Fátima disse em 2019.

Vontade do povo

1. O povo surpreende os que se julgavam proprietários da sua vontade

2. A população disse que esse Estado não tem mais donos

Poderes

1) Aqui mando aos outros poderes, Legislativo e Judiciário, minha saudação de irmandade. Manteremos relações de independência, harmonia e tratamento respeitoso.

2) Com esse espírito iremos também manter uma relação construtiva e fraterna om os demais Poderes, respeitando sua independência e o exercício de suas funções constitucionais.

Sonho

1) Precisei agregar coragem ao sonho. Juntei a essas virtudes, a determinação, a humildade, a sinceridade, a lealdade, a ousadia que promovem a superação.

2) Vamos sonhar e organizar o sonho. Vamos governar para todos e para os que mais precisam. Vamos ter esperança e coragem. Paciência e perseverança. Serenidade para lidar com os desafios, sabedoria para governar e união para juntos trilharmos um outro caminho. Vamos juntos!

Princípios

1) Esse governo que ora se inicia terá como marca absoluta a eficiência, a transparência, a solidariedade e o respeito às pessoas. Um governo humanitário, meu grande sonho, preocupado com os últimos. Comprometido em atender bem e com qualidade os que mais necessitam do apoio do Estado.

2) Não queremos apenas inverter prioridades, queremos promover uma Educação Democrática e Libertadora, uma Segurança Cidadã, uma Saúde Humanizada, a Participação Popular e a Transparência como princípios norteadores das políticas.

Secretariado

1) Declarei, na campanha, que faria um governo eminentemente técnico. Já cumpri a minha primeira palavra com o povo do Rio Grande do Norte.

2) Como guia, temos o nosso programa de governo que foi construído a muitas mãos e amplamente debatido com o conjunto da sociedade. (Os trechos que estão aqui são a reprodução dos discursos, mas, nesta terça, Fátima fugiu de seu texto para acrescentar que seu secretariado tinha sido montado atendendo ao caráter técnico)

Retrovisor

1) Sem distinção dos ranços do passado, recolhi momentos, cores e virtudes.

2) Não, não faremos um governo olhando para o retrovisor. Ao nosso projeto não serve recorrer à herança maldita.

E este é um cenário objetivo para os passivos na próxima gestão

 

Por outro lado, medidas amargas devem ser tomadas para resolver os passivos financeiros na gestão Fátima.

A estimativa de déficit chega R$ 2,7 bilhões. Somente com a dívida no âmbito da previdência a projeção chega à casa de R$ 1,8 bilhão.

Objetivamente, algumas delas já estão delimitidas, mas no âmbito da transição, mesmo sob a condição de anonimato, os auxiliares afirmam que cabe a Fátima anunciar se as medidas serão ou não tomadas.

Objetivamente, as soluções têm passado pelo aumento de alíquota.

Para entender, 11% do que um servidor estadual ganha vai para a previdência. A contribuição de quem paga, no caso o Estado é sempre o dobro.

Então, se João do Salário Atrasado recebe R$ 100,00, R$ 11,00 vão para o fundo de previdência e, sobre esse salário de João, o Estado coloca mais R$ 22,00. Assim, a contribuição referente a João do Salário Atrasado é de R$ 33,00. É dessa forma que é alimentado o fundo previdenciário.

As soluções adotadas pelo governo passam por elevar essa alíquota, atualmente uma das mais baixas do Brasil.