Em meio à pandemia, Ministério da Saúde completa 50 dias sem titular

O Ministério da Saúde completa 50 dias sem um titular no cargo neste sábado, 4. A vaga é ocupada interinamente pelo general Eduardo Pazzuello e o presidente Jair Bolsonaro não tem dado nenhuma sinalização de que está em busca de um nome para a pasta que tem entre suas missões enfrentar a pandemia do novo coronavírus.

O País, segundo com maior número de mortes e casos do novo coronavírus no mundo, tem 63.254 óbitos e mais de 1,5 milhão de infecções confirmadas.

Estadão

Taxa de desemprego sobe para 12,9% e 7,8 milhões de brasileiros perdem o trabalho

A crise do coronavírus segue causando estragos no mercado de trabalho. No trimestre encerrado em maio, havia 7,8 milhões de pessoas a menos trabalhando que no trimestre anterior. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (30), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A população ocupada, de 85,9 milhões de pessoas, era a menor da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. Pela primeira vez, menos da metada da população em idade de trabalhar está ocupada.

O IBGE aponta que a taxa de desocupação no Brasil ficou em 12,9% no trimestre encerrado em maio. No mesmo período de 2019, a taxa era de 12,3%. No trimestre até abril deste ano, era 12,6%.

No trimestre de dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, quando o País ainda não sentia o impacto da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, a taxa de desemprego estava em 11,6%.

Com informações do Estadão

Novo vírus da gripe encontrado na China tem potencial para se tornar pandemia

Em meio à emergência de saúde do novo coronavírus, cientistas chineses alertam, em um estudo, para um novo vírus da gripe encontrado em porcos na China que tem potencial para se tornar uma pandemia. No trabalho publicado nesta segunda-feira, 29, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS, na sigla em inglês), da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, os pesquisadores afirmam que o agente infeccioso é semelhante ao da pandemia de 2009 e tem características que facilitariam a infecção humana.

Os cientistas descrevem que a nova cepa do vírus influenza, chamada G4 EA H1N1, tem traços do vírus encontrado em aves eurasiáticas (EA) e de uma linhagem tripla que possui genes aviário, humanos e suínos. Segundo eles, esse vírus se liga a receptores do tipo humano, se multiplicam em alto nível nas células epiteliais das vias aéreas humanas e mostram uma eficiente infecciosidade e transmissibilidade pelo ar.

Além disso, o fato de a cepa ter genes cruzados de outras “espécies” indica que a imunidade preexistente da população não fornece proteção suficiente contra os vírus G4. Testes sorológicos feitos em trabalhadores que se expuseram aos porcos mostraram que 10,4% de 338 pessoas deram positivo para o novo tipo de vírus da gripe.

“Essa infecciosidade aumenta muito a oportunidade de adaptação de vírus em humanos e suscita preocupações pela possível geração de vírus pandêmicos”, dizem os cientistas. Eles destacam que “porcos são hospedeiros intermediários para a geração do vírus da gripe pandêmica. Assim, a vigilância sistemática dos vírus influenza em suínos é uma medida fundamental para avisar o surgimento da próxima gripe pandêmica”.

Em entrevista à BBC, os cientitas afirmam que, até agora, a descoberta não representa uma grande ameaça, mas orientam a acompanhar a evolução. “No momento, estamos distraídos com o coronavírus e com razão. Mas não devemos perder de vista novos vírus potencialmente perigosos”, disse Kin-Chow Chang, um dos autores do estudo.

Ele completa que “não devemos ignorá-lo” porque existe a preocupação com o fato de que esse vírus G4 poderia sofrer uma mutação ainda maior e se espalhar facilmente entre humanos, o que provocaria um novo surto global.

Estadão

Arrependimento? Fidelidade bolsonarista ‘balança’ durante crise do coronavírus

Em outubro de 2018, a dentista Sônia Regina Schindler, de 58 anos, foi à cabine de votação sem dúvidas. Incomodada com os governos petistas, apertou 17 e ajudou a eleger Jair Bolsonaro presidente. Um ano e meio depois, se arrepende da escolha. “Acordei com a crise da saúde”, afirmou a eleitora de Brusque, Santa Catarina.

A falta de empatia do presidente com os doentes e a tese de que a covid-19 seria uma “gripezinha” foram apontadas como motivo para a desconfiança de apoiadores de Bolsonaro em pesquisa qualitativa conduzida por professores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) durante a pandemia. “Estou formada há 35 anos, trabalho no SUS desde sempre, não posso compactuar com governo que abandona a saúde”, disse Sônia.

O levantamento da Unifesp identificou três perfis de bolsonaristas: os “fiéis”, que mantêm um apoio constante ao presidente; os “apoiadores críticos” e os “arrependidos”, que se decepcionaram com o presidente e desejam que ele saia do cargo. Os arrependidos apontam três razões para se sentirem assim: episódios de desdém por parte do presidente em relação aos mortos; o estilo agressivo de governar, que criou instabilidade sobretudo com governadores; e a conduta de Bolsonaro em relação aos filhos Flávio, Eduardo e Carlos.

A professora aposentada de Curitiba Maria Christina Cardoso, de 61 anos, e sua filha, a representante farmacêutica Deborah Cardoso, de 30, também estão no grupo dos arrependidos. “Me envolvi muito com o movimento da Lava Jato e quando ele (Bolsonaro) surfou nessa onda, infelizmente, acreditei. Me arrependi quando ele começou a se indispor com (o ex-ministro da Justiça Sérgio) Moro”, disse Maria Christina. “Vi que o combate à corrupção não era seu compromisso.” O ex-juiz da Lava Jato deixou o governo em abril acusando o presidente de interferência na Polícia Federal.

Deborah afirmou que votou em Bolsonaro principalmente por alternância de poder. A pandemia trouxe o arrependimento. “Com tudo que está acontecendo, sinto vergonha de falar que votei nele e me sinto responsável pelo que está acontecendo”, disse. “Além de incoerente com sua campanha eleitoral, a minha opinião é que é um governo fascista.”

Apesar de desiludidos e frustrados, porém, alguns desses “arrependidos” dizem que mesmo assim poderiam votar em Bolsonaro de novo em 2022, mostrou a pesquisa da Unifesp. Desta vez, não por esperança ou desejo de mudança, como afirmaram ter feito em 2018, mas por não enxergar nenhuma alternativa política ou eleitoral.

Outro levantamento, este da FGV com mais de 7 mil entrevistados, explorou a relação entre os impactos do coronavírus e a preferência eleitoral das pessoas. Os resultados apontaram que a proximidade com alguém que veio a falecer pela covid-19 reduz em torno de 20% as chances do eleitor de direita e centro direita votar em Bolsonaro.

“O bolsonarismo fiel não tem uma fidelidade absoluta e total ao projeto bolsonarista. Mesmo os mais radicais avaliaram negativamente a gestão de Bolsonaro na pandemia e a tese da ‘gripezinha’”, disse a pesquisadora Esther Solano, que conduziu o levantamento da Unifesp. “É uma rachadura e uma quebra de confiança até no bolsonarismo fiel. Os 30% de apoio da base do presidente não são absolutamente coesos e não têm fidelidade total a longo prazo.”

A pesquisa da Unifesp foi conduzida por meio de entrevistas em profundidade com 27 pessoas que disseram ter votado em Bolsonaro, compõem as classes C e D e moram na região metropolitana de São Paulo.

Para o cientista político Carlos Melo, os dados possibilitam deixar mais claras as divisões dentro do bolsonarismo. “O bolsonarismo é mais crítico na postura do presidente na covid-19, a economia é relativizada, e os filhos aparecem como um grande problema para o presidente, um calcanhar de Aquiles, mesmo para o grupo que votou nele.”

Uma “vitória” de Bolsonaro é a retórica da dicotomia saúde versus economia. Os entrevistados têm medo da covid-19, mas têm igualmente medo do desemprego. As pessoas gostariam de manter o isolamento, mas pensam que este é inviável para quem é pobre. “Se essa narrativa tiver mais reverberação, a base bolsonarista pode se manter estável e talvez consiga reverter a tendência de queda”, disse Esther.

O auxiliar de almoxarifado Jidijá Tyaki Marques, de 27 anos, mantém o apoio ao presidente, mas “não como antes”. Ele critica o episódio da “gripezinha” – foi assim que Bolsonaro se referiu à covid-19 em um pronunciamento em março. “(O governo é) Bom, mas ainda tem bastante coisa pra melhorar”, afirmou.

Quem também não se arrepende do voto em Bolsonaro é Sueli Salvestro, professora de 63 anos. “Ele está se esforçando”, disse a moradora de Sorocaba (SP). “Avalio que ele não tem culpa (sobre o coronavírus), que ele avisou a respeito do carnaval. Ele alertou.”

Estadão

Comissão da Câmara propõe vale-alimentação para alunos de Natal durante pandemia

Durante a tarde desta segunda-feira (8), a Comissão Especial de Fiscalização dos Atos do Poder Executivo de Enfrentamento à Pandemia causada pelo coronavírus (Covid-19) se reuniu em sessão remota para tratar das medidas tomadas pelo poder Executivo, no âmbito da Secretaria Municipal de Educação. Para dar mais detalhes sobre as ações, a titular da pasta, Cristina Diniz, foi sabatinada pelos vereadores presentes, que apresentaram sugestões para a melhoria da aplicação da distribuição da merenda aos estudantes durante o período de suspensão das aulas.

Uma das medidas apresentadas partiu do vereador Cícero Martins (PP). O parlamentar sugeriu que a secretaria transforme os recursos empregados nas cestas básicas em um vale-alimentação. Segundo o vereador, o objetivo é evitar a transmissibilidade do vírus para a casa das famílias e oferecer a possibilidade delas comprarem os alimentos necessários. “O aluno recebe o voucher e vai fazer a feira dele. Com isso a gente diminui a contaminação e os custos”, disse.

De acordo com a secretária, essa proposta já foi analisada pela SME, porém existe a burocracia devido à confecção do cartão de alimentação, que custaria cerca de 5% do valor atual empregado para a compra das cestas básicas. “A gente acha pouco, mas se for fazer um somatório do total de R$ 4 milhões, já é um valor bem significativo. Portanto, optamos por não fazer, mas essa sugestão será retomada pela secretaria”, afirmou Cristina Diniz.

Os vereadores também questionaram os valores empregados na aquisição das cestas básicas e a quantidade distribuída. Segundo a secretária, foram adquiridas 58 mil cestas, no valor total de quase R$ 4,2 milhões. Cristina Diniz também explicou o porquê de algumas famílias terem recebido mais de uma cesta básica. “Muitas famílias receberam de três a quatro cestas, porque possuem um número muito grande de filhos matriculados na rede municipal. Às vezes tem um no ensino infantil, outro no fundamental e os pais também estão matriculados no EJA”, explicou Cristina.

“O debate era que até agora só havia sido feita a primeira entrega de cesta básica. Questionamos a segunda entrega e o formato dessa distribuição, mas sabemos agora que está sendo resolvido. A gente espera que não seja mais a cesta, mas a proposta do vale-alimentação. Assim, se evita a logística toda, aumenta o número de cestas e barateia, além de que a família vai escolher aquilo que quiser comer”, ressaltou o presidente da Comissão, vereador Fernando Lucena (PT).

Profissionais de saúde de Natal vão receber gratificação durante pandemia

Vereadores da Câmara Municipal de Natal aprovaram, em sessão ordinária virtual, na última semana, em regime de urgência, o Projeto de Lei Complementar 06/2020 enviado pelo chefe do Executivo Municipal. O PL dispõe sobre a criação de gratificação transitória aos servidores da saúde municipal que estiverem exercendo suas atividades durante o período de pandemia da COVID-19.

A mensagem de número 44/2020 teve como objetivo beneficiar os servidores municipais que estão na linha de frente em combate e prevenção ao Coronavírus, e contemplará mais de 11 mil profissionais.

Os parlamentares aprovaram o projeto com a inclusão de três emendas. A primeira delas, da vereadora Júlia Arruda (PCdoB), acrescenta os servidores municipalizados no rol dos trabalhadores que receberão a gratificação; a segunda, da vereadora Divaneide Basílio (PT), trata sobre o cálculo de pagamento da gratificação proporcional aos dias trabalhados e que as faltas justificadas não serão descontadas. A emenda que inclui os servidores lotados no Hospital de Campanha de Natal, da vereadora Nina Souza (PDT), também recebeu a aprovação dos edis.

“Um projeto que contempla os profissionais da linha de frente no período de pandemia. Então, é uma matéria justa, emendas aprovadas e objetivo de aprovação alcançado para que esses profissionais que tanto merecem possam realmente receber esta gratificação”, enfatizou o presidente da Casa, Paulinho Freire (PDT).

O presidente do Sindicato dos Agentes de Saúde do RN, Cosme Mariz, esteve na sessão ordinária e falou em nome da categoria. “Os vereadores foram muito sensíveis e deram celeridade à matéria, aprovando o texto com emendas que trazem benefícios aos servidores de saúde”, disse.

Por fim, foi aprovado, em segunda discussão, o Projeto de Lei do vereador Felipe Alves (PDT), que institui o Boletim Escolar Eletrônico para os alunos da rede pública municipal de Educação, que permitirá aos estudantes o acesso às suas notas por meios digitais.

Violência doméstica cresce 258,7% durante pandemia de coronavírus

Como tem se comportado as ocorrências de violência no período de distanciamento social? Um estudo do Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica da Covid-19 (ONAS-Covid19) aponta o crescimento de dois tipos de crimes no período de 12 de março a 18 de maio, na comparação entre 2019 e 2020.

No período, a violência doméstica aumentou em 258,7%. Os casos registrados em 2019 foram 206. Já neste ano, o número aumento para 739. Apenas no período de 12 a 30 de março de 2020, o número de violência doméstica já havia registrado um crescimento de 23%.

Em entrevista à Tribuna do Norte, a promotora de Defesa da Mulher, Érica Canuto, destacou que o isolamento social é um fator de risco, pois sete em cada 10 mulheres morrem em casa, de acordo com o Anuário da Violência. “O lar é um lugar perigoso para as mulheres”, declarou.

Com crescimento de 300% no período analisado pelo estudo, as tentativas de homicídio também elevam as taxas de crimes violentos no Rio Grande do Norte. Segundo os números, em 2019, foram 12 ocorrências. Neste ano, o total subiu para 48.

Os mapas (abaixo) apresentam como se comporta a distribuição da violência por bairros em Natal durante o distanciamento, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O mapa à direita mostra o período de distanciamento, entre 12 de março e 18 de maio de 2020, sendo que o mapa à esquerda, apresenta as ocorrências no mesmo período do ano de 2019.

Nos bairros com maior poder aquisitivo, como, por exemplo, Petrópolis, Tirol, Capim Macio e Ponta Negra, o número de ocorrência se manteve bastante reduzido em ambos os períodos. Em Lagoa Nova, Cidade da Esperança, Barro Vermelho e Cidade Nova, nota-se inclusive uma redução do número de ocorrências.

Porém, em bairros com menor poder aquisitivo, tais como Mãe Luiza, e diversos bairros da Zona Norte, como Potengi, Pajuçara, Nossa Senhora da Apresentação e Lagoa Azul, os níveis de violência geral sofreram um aumento durante o período de distanciamento.

O evento analisado que constatou a maior redução foi “acidentes de trânsito sem vítimas”. Em 2019, foram 837 ocorrências. Neste ano, apenas 199, uma redução de 76,2%.

Confira a tabela com a análise completa dos dados

“Ao se detalhar a análise para as macrocausas, se observa uma redução de tipos de violências mais brandas, em contraponto ao aumento de crimes mais de maior gravidade, sendo que, no exemplo de Natal, as áreas mais vulneráveis – tanto na perspectiva socioeconômica como na ausência do Estado, e sob a influência do tráfico de drogas – sofrem com o aumento da violência no período de distanciamento”, indica o estudo.

Participação em empresa e vínculo familiar ligam prefeito de Natal à sócia de empresa contratada emergencialmente por R$ 19,3 milhões

A empresa T&N Serviços em Saúde, contratada emergencialmente pela Secretaria Municipal de Saúde por R$ 19,3 milhões para ações de combate à pandemia de covid-19, tem em seus quadros uma sócia que é esposa de sócio do prefeito de Natal, Álvaro Dias. Além de sócio, o homem é cunhado do prefeito.

Reportagem do Blog do Dina na quinta-feira (16), contou que a T&N foi selecionada após carta convite para seis empresas, quatro das quais com os controladores ligados entre si. A empresa explicou, no entanto, que acabou concorrendo apenas com as duas que não têm vínculos entre si. Na ocasião, o blog revelou que a T&N estava em nome de Illanna Kellen Pereira da Silva, Ilana Kelly Matias de Oliveira e Paulyana Silva Gomes de Melo.

Paulyana é esposa de Vinícius Graco Diógenes Ramos de Oliveira Freitas, que é irmão da primeira-dama de Natal, Amanda Grace Diógenes Freitas Costa Dias. Além disso, Vinícius é sócio do prefeito Álvaro Dias na empresa Diógenes Oliveira Agro Industrial, sediada em Caicó e descrita como empreendimento que produz alimento para animais.

Os vínculos entre essas pessoas foram confirmados pelo Blog do Dina após uma extensa pesquisa em arquivos do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, da Secretaria Estadual de Tributação, do Departamento Estadual de Trânsito, da Receita Federal e da seguradora de crédito Serasa Experience.

A contratação da T&N em caráter emergencial e direta é permitida em face de decreto de calamidade pública que suspende a necessidade de licitação.

Como vem fazendo desde o início, o Blog do Dina procurou os envolvidos que são objeto de questionamento nessa reportagem, o prefeito Álvaro Dias e a T&N, para que pudesse se manifestar sobre Paulyana.

A defesa de Álvaro Dias explicou que o prefeito de Natal defende a legalidade dos atos de sua gestão. Também confirmou a sociedade com Vinícius. Porém, explicou que há uma briga judicial envolvendo os sócios, razão pela qual Álvaro Dias não consegue deixar a sociedade empresarial.

Na explicação dada do Blog do Dina, a defesa do prefeito também enfatizou que Álvaro Dias não tem contato com Vinícius por questões de foro íntimo. A defesa ainda enfatizou que o prefeito consultou a Procuradoria Geral do Município, que lhe sinalizou haver total legalidade nos atos praticados.

O prefeito, também conforme a defesa, teme que eventual repercussão sobre a contratação da T&N venha a dificultar as ações do município no combate à pandemia de covid-19.

A T&N afirmou que suas três sócias preenchem todos os requisitos pessoais e jurídicos para a prestação do serviço em questão. A empresa ainda afirmou que está à disposição tanto da imprensa quanto dos órgãos de controle.

A íntegra da nota que a empresa enviou para o Blog do Dina está ao fim desta reportagem.

Vínculos

Desde a quinta-feira (16), após reportagem do blog, uma série de versões desencontradas sobre quem é sócio das empresas e quem não é passou a circular nas redes.

O primeiro vínculo foi confirmado pelo Blog do Dina entre Paulyana e Vinícius através de um processo público. Em 11 de maio de 2015, Paulyana participou de uma audiência de conciliação por causa de acidente de trânsito. Nas informações que prestou à Justiça, informou que dirigia um carro cujo proprietário era Vinícius Graco.

Com as informações que Paulyana apresentou sobre Vinícius neste processo, o Blog do Dina localizou as empresas vinculadas ao CPF dele. São três, todas ativas. Uma delas é a Diógenes Oliveira Agro Industrial, da qual Vinícius é proprietário com 41,6%. Outros 29,3% aparecem em nome de Pedro Gabriel de Araújo. Os 29,1% restantes da composição societária estão em nome do prefeito de Natal, Álvaro Costa Dias.

A Agro Industrial é descrita como empresa que produz alimentos para animais. Ela foi aberta em 2001 e tem sede em Caicó. Seu capital social é de R$ 300 mil.

Em 2019, segundo a Serasa Experian, o prefeito de Natal deu baixa em empresas associadas ao seu CPF. Mas na Diógenes Oliveira Agro Industrial a sociedade está ativa. A situação do CNPJ consta como atualizada no dados da Serasa em 01º de abril deste ano. Na base de dados da Receita Federal a empresa consta igualmente como ativa.

Além de sócio do prefeito, Vinícius é irmão da primeira-dama de Natal, a juíza Amanda Grace Diógenes Freitas Costa Dias. Perante a legislação vigente, o Código Civil Brasileiro, Álvaro Dias e Vinícius Graco são parentes por afinidade.

Mas a relação entre o prefeito e a esposa de Vinícius, Paulyana, a sócia da empresa T&N, não existe para efeitos legais. Concunhada, como se fala popularmente, não tem amparo nas leis do Brasil.

O primeiro registro localizado da T&N Serviços em Saúde, na Serasa Experience, data de 02 de julho de 2019. Nessa data, a empresa tinha capital social de R$ 100 mil e estava em nome de Noberto Lira da Silva e Tiago Ticiano de Almeida Ferreira.

Em 5 de agosto do mesmo ano, o CNPJ da empresa passou a registrar novos sócios, que permanecem atuais. São Ilana Kelly Matias de Oliveira, Paulyana Silva Gomes de Melo e Illana Kellen Pereira Silva.

O Blog do Dina não localizou nenhuma contratação com ente público da T&N desde sua criação. O site da empresa, segundo o serviço Whois, foi colocado no ar em 02 de abril deste ano, data também da primeira publicação da empresa no Instagram.

Na sequência, em 9 de abril, a Secretaria Municipal de Saúde publicou no Diário Oficial do Município que a empresa foi convidada para apresentar proposta para fornecer mão-de-obra terceirizada dentro das ações de combate à covid-19 em Natal.

Em 14 de abril, foi anunciado, também no Diário Oficial, que a T&N levou o contrato de R$ 19,3 milhões.

A íntegra da nota que a T&N enviou ao blog é a seguinte:

A T&N, assim como as suas três sócias, preenchem todos os requisitos pessoais e jurídicos para a prestação do serviço em questão. Frisamos que todo o processo de contratação segue o que determina a lei e foi submetido às fiscalizações feitas pelos órgãos de controle.

A empresa T&N se coloca à inteira disposição, tanto da imprensa, quanto dos referidos órgãos de controle, para prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários, com o objetivo de demonstrar a total e absoluta lisura do procedimento e da contratação ora questionados.

Prefeitura de Natal ignora pedido por transparência e não apresenta processos que resultaram em contratação após concorrência entre empresas com mesmos donos

Vinte e sete horas após ter sido procurada pelo Blog do Dina, a Secretaria Municipal de Saúde ignorou os pedidos por transparência sobre os processos que resultaram na contratação direta de empresas para enfrentar a pandemia de covid-19 em Natal.

Reportagem do blog mostrou nessa quinta-feira que a Secretaria Municipal de Saúde selecionou diretamente seis empresas para concorrência. Quatro delas pertencem às mesmas pessoas.

Das quatro, três não apresentaram propostas. A que apresentou, disputou com outras duas dentre as seis, e venceu a concorrência, conforme nota enviada pela própria empresa, a T&N Serviços.

Às 9h41 da quinta-feira, o Blog do Dina procurou a assessoria de imprensa da secretaria municipal de saúde (SMS), com quem teve o seguinte diálogo:

A mensagem original com toda a demanda foi também copiada para o secretário George Antunes, não respondeu às mensagens. A assessoria de imprensa parou de responder nessa quinta após o blog pedir atualização por respostas, às 12h31.

Nesta sexta-feira, o blog voltou a fazer contato com a assessoria de imprensa da Sesap. O diálogo terminou da seguinte forma:

Até a publicação desta matéria, não houve mais retorno da assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde.

Embate

Na noite de quarta-feira (15), o prefeito Álvaro Dias atacou o Blog do Dina durante o Jornal das 6 e o acusou de fazer ilações sem procurar antes a sua administração.

Na noite dessa quinta-feira (16), o prefeito voltou ao assunto em entrevista à rádio 95 FM.

Não é procedimento de jornalista expor conversa com fontes, mas o blog reproduz as conversas para mostrar que tem procurado a gestão em busca de informações.

A primeira conversa, inclusive, se deu um dia antes de o prefeito acusar a reportagem do blog de não procurar sua equipe em busca de informações, conforme a conversa abaixo, na terça-feira (14):

Como se vê, foi a própria equipe de comunicação do prefeito que informou ao Blog do Dina que as contratações seriam para o Hospital de Campanha de Natal, fato que o prefeito desmente.