‘Não quero e não tenho o que delatar’, diz Queiroz

“Doutor, eu não quero delatar e não tenho o que delatar”, foi o que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, disse ao advogado ao ser questionado sobre a informação de que ele estaria negociando um acordo de delação premiada com os investigadores do escândalo da rachadinha.

Na semana passada, circulou a informação de que um acordo de delação estaria a caminho. No entanto, o advogado Paulo Catta Preta, que é contra colaboração, disse não ter conhecimento.

“Estou seguro com o que ele me disse. Não teria por que mentir. Se ele quisesse fazer delação, ele teria que eticamente me comunicar”, afirmou o advogado.

Advogado diz que acolheu Queiroz porque queriam matá-lo e culpar Bolsonaro

O advogado Frederick Wassef disse à revista Veja que abrigou Fabrício Queiroz porque tinha informações de que existia um plano para matá-lo e responsabilizar Bolsonaro e os filhos pelo possível crime.

De acordo com a versão de Wassef, o presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro não tinham conhecimento de que Queiroz estava na casa em Atibaia, onde foi preso no último dia 18.

“Passei a ter informações de que Fabrício Queiroz seria assassinado. O que estou falando aqui é absolutamento real. Eu tinha a minha mais absoluta convicção de que ele seria executado no Rio de Janeiro”, afirmou.

“Além de terem chegado a mim essas informações, eu tive certeza absoluta de que quem estivesse por trás desse homicídio, dessa execução, iria colocar na conta família Bolsonaro”, acrescentou o advogado.

Wassef não explicou quais seriam as “informações absolutamento procedentes” que o levaram a ter a convicção de que o crime seria cometido.

Para 64%, Bolsonaro sabia onde Queiroz estava escondido, diz pesquisa

O presidente Jair Bolsonaro sabia onde estava escondido Fabrício Queiroz. É o que diz a opinião de 64% dos brasileiros que tiveram conhecimento da prisão do ex-assessor do clã presidencial, detido no último dia 18.

A pesquisa é do Datafolha, com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

Três quartos dos entrevistados afirmaram ter ciência do caso, 29% deles bem detalhadamente, 35% mais ou menos e 11% mal.

Defender Bolsonaro ficou mais difícil, avaliam líderes do centrão

Líderes do centrão ficaram assustados com o que consideram irresponsabilidade de se abrigar Fabrício Queiroz na casa de Frederick Wassef, advogado da família de Jair Bolsonaro.

Se havia intenção de acolher Queiroz para que ele não virasse homem-bomba, que isso pelo menos fosse feito de forma mais eficiente, dizem alguns líderes.

Do jeito que as coisas foram organizadas, a bomba explodiu no colo de Bolsonaro. E criou dificuldades para os parlamentares recém-aliados sustentarem uma defesa convincente.

Mônica Bergamo

Após prisão de Queiroz, ministro da Justiça é chamado ao Planalto

Pouco tempo depois da prisão do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, o ministro da Justiça, André Mendonça, foi chamado ao Palácio do Planalto.

Para comparecer à sede do governo federal, Mendonça cancelou todos os compromissos em sua agenda.

Veja mais sobre o caso

Fabrício Queiroz é preso no interior de São Paulo

Advogado que escondia Queiroz é amigo do presidente e esteve na posse do novo ministro, Fábio Faria | Dinarte Assunção

Jair Bolsonaro colocou caso Queiroz na Presidência da República | Dinarte Assunção

Mulher de Queiroz também tem mandado de prisão expedido, mas não é encontrada em ação com apoio da PF | Dinarte Assunção

Os bastidores da Operação Anjo, que prendeu Fabrício Queiroz | Dinarte Assunção

Já sob Bolsonaro, Queiroz soube de relatório na PF ainda em fase sigilosa de investigação

A defesa de Fabrício Queiroz, amigo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), foi informada em agosto do ano passado sobre a existência de um inquérito sigiloso da Polícia Federal no Rio de Janeiro que mencionava o policial militar aposentado.

O presidente, naquele mesmo mês, decidiu demitir o então chefe da superintendência da corporação no Rio e chegou a tentar emplacar um nome de sua escolha, o que não conseguiu.

Nessa investigação sigilosa, Flávio e Queiroz são citados em relatório federal do Coaf, órgão de inteligência financeira, sobre movimentações suspeitas. Nenhum dos dois, contudo, é alvo da investigação.

As circunstâncias do acesso a esse caso são semelhantes àquelas narradas à Folha pelo empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado e seu atual adversário político.

Segundo Marinho, em outubro de 2018, um delegado da PF avisou assessores de Flávio que documento em posse da Operação Furna da Onça, à época ainda na fase de investigação sigilosa, havia detectado suspeitas sobre Queiroz. Nenhum dos dois era alvo da apuração.

Esse novo caso ocorreu em agosto do ano passado, mês em que iniciou a crise entre Bolsonaro e a Polícia Federal em torno da superintendência da corporação no Rio de Janeiro.

Trata-se de uma investigação aberta com base num dos já conhecidos relatórios do Coaf, produzido em julho de 2018, que tem dez personagens principais, entre eles Queiroz e Flávio.

O inquérito em questão, instaurado na PF em fevereiro de 2019 pelo delegado Acen Amaral Vatef, a pedido do Ministério Público Federal, apurava especificamente crimes de evasão de divisa praticados, em tese, por um advogado do Rio Grande do Sul, também citado no relatório do Coaf.

No curso dessa investigação, em 29 de agosto do ano passado, o então advogado de Queiroz, Paulo Klein, solicitou acesso ao inquérito, apontando a menção ao seu cliente nos autos. A juíza Adriana Cruz negou o pedido, afirmando que o PM aposentando não era investigado nos autos, mas concedeu cópia do relatório que o menciona.

Naquele momento, não havia ocorrido nenhuma oitiva formal de testemunhas ou investigados, apenas algumas diligências, como envio de ofícios a órgãos públicos e também um pedido de informação para uma empresa que teria recebido dinheiro do alvo do Rio Grande do Sul.

Até ali, o inquérito tinha passado, além da PF, pelo Ministério Público Federal e pela Justiça Federal. Em maio, trés meses antes, dois advogados de investigados pediram e tiveram acesso aos autos.

O pedido à juíza, contudo, mostra que a defesa de Queiroz teve conhecimento sobre a menção ao PM aposentado em inquérito sob sigilo que não se referia a ele. A dinâmica é semelhante à ocorrida supostamente na Operação Furna da Onça, como contou Marinho à Folha.

O empresário afirmou que Flávio foi informado por um delegado da PF sobre a existência do relatório mencionando Queiroz no âmbito de um inquérito que investigava dez deputados estaduais. O senador e o PM aposentado não eram alvos da apuração da PF naquele momento.

Queiroz foi o pivô da investigação contra o senador aberta pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em julho de 2018 e que levou à quebra de sigilos bancário e fiscal deles.

No caso de agora, o documento do Coaf que está no inquérito também integra o procedimento criminal do Ministério Público do Rio de Janeiro. Tanto Flávio como Queiroz já tinham, portanto, cópia dele quando a defesa do ex-assessor parlamentar solicitou acesso a esse inquérito da PF.

Em relação ao senador, o documento de julho de 2018 do órgão aponta que suas contas tiveram uma movimentação acima de sua capacidade financeira entre agosto de 2017 e janeiro de 2018. A conta de Flávio Bolsonaro recebeu no período R$ 337,5 mil e pagou R$ 294,7 mil.

Boa parte dos depósitos se referem ao salário da Assembleia e a transferências feitas pela conta da loja de chocolates da qual é sócio.

No relatório, o Coaf afirma que a renda do senador não amparava, na ocasião, a movimentação. O órgão federal, contudo, considerou apenas o salário dele como deputado estadual, sem levar em conta eventuais dividendos de sua empresa.

O pedido do advogado de Queiroz à Justiça foi feito em 29 de agosto do ano passado. Duas semanas antes, no dia 15, Bolsonaro atropelou o comando da PF e afirmou que iria trocar o superintendente do Rio de Janeiro, à época Ricardo Saadi.

A fala foi o estopim da crise na corporação que culminou, em abril deste ano, na saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça. O ex-ministro afirma que Bolsonaro insistia em ter alguém de sua confiança comandando a PF no Rio de Janeiro.

A PF ouviu nessa quarta-feira (20) o empresário Paulo Marinho sobre o suposto vazamento do relatório do Coaf a Flávio Bolsonaro. A coluna Painel revelou na terça (19) que um levantamento informal feito por integrantes da corporação chegou a três suspeitos pelo vazamento.

O advogado Paulo Klein afirmou que não comentaria o caso por não atuar mais na defesa de Queiroz. A Folha não conseguiu localizar o ex-assessor de Flávio. A PF disse que não comenta investigações.

Operação Cadeia Velha (14.nov.17)

PF deflagra a Operação Cadeia Velha, que cumpriu dez mandados de prisão e condução coercitiva de três deputados estaduais do Rio. A ação foi autorizada pelo desembargador Abel Gomes, do TRF-2, com base na delação do doleiro Álvaro Novis, que afirmou ter distribuído R$ 500 milhões entre 2011 e 2012 em propina para políticos a pedido de empresários de ônibus

Relatório do Coaf (mai.18)

Relatório do Coaf que menciona movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia do Rio, e de outros funcionários de deputados fluminenses é incluído no inquérito instaurado pela PF sobre a Operação Furna da Onça, desdobramento da Cadeia Velha. A investigação visava o pagamento de propina pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB) a deputados. Em janeiro, os dados financeiros foram enviados à Promotoria, à Procuradoria e à PF

Investigação (31.jul.18)

Promotoria abre investigação com base nos dados do Coaf

Suposto vazamento (7.out.18)

Segundo Paulo Marinho, uma semana após o primeiro turno da eleição (realizado no dia 7), um delegado da PF entrou em contato com o gabinete de Flávio para avisá-lo sobre a realização da Furna da Onça, até então sigilosa, que atingiria a Assembleia do Rio

Exoneração de Queiroz (15.out.18)

Queiroz é exonerado do cargo no gabinete de Flávio. A filha dele, Nathalia, foi exonerada no mesmo dia do cargo no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro

Pedidos de prisão (16.out.18)

Procuradoria pede a prisão de dez deputados no âmbito da Operação Furna da Onça, que seria iniciada pela PF dias depois. Em 25 de outubro, durante sessão secreta, a 1ª Turma do TRF-2 deferiu as medidas

Operação Furna da Onça (8.nov.18)

PF deflagra a Furna da Onça e prende sete deputados (outros três, presos na Cadeia Velha, foram alvo de novos mandados). Flávio e Queiroz não são alvos

Informação sobre inquérito (ago.19)

Defesa de Queiroz é informada sobre inquérito sigiloso da PF do Rio que mencionava o ex-assessor, com base em outro relatório do Coaf, de julho de 2018. No mesmo mês, Bolsonaro anunciou sua intenção de intervir na PF

Folha de São Paulo

Toffoli atende a pedido de Flávio Bolsonaro e suspende inquéritos com dados do Coaf

A pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, suspendeu todos os inquéritos que tramitam em todas as instâncias da Justiça que tenham partido de dados detalhados compartilhados por órgãos de controle, como o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), sem prévia autorização judicial.

A decisão beneficia Flávio, filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), e paralisa a investigação que está sendo realizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e que envolve o ex-assessor Fabrício Queiroz.

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MP vê lavagem de dinheiro em imóveis de Flávio

8 questões sem respostas no caso Queiroz

A apuração, segundo a defesa do senador, começou com compartilhamento de informações do Coaf e só depois a Justiça fluminense autorização a quebra de sigilo bancário.

A decisão de Toffoli é desta segunda-feira (15).

A defesa de Flávio alegou ao Supremo que há, em discussão na corte, um tema de repercussão geral (que afeta o desfecho de todos os processos semelhantes no país) que trata justamente da possibilidade de compartilhamento de dados por órgãos de controle sem prévia autorização judicial.

Para a defesa, todos os casos que têm essa controvérsia deveriam estar suspensos. Toffoli concordou com o argumento, sob a justificativa de evitar que, no futuro, quando o STF decidir a respeito, os processos venham a ser anulados.

Os relatórios do Coaf que embasam a investigação contra Flávio e Fabrício Queiroz, ex-assessor dele na Assembleia Legislativa, apresentam informações detalhadas de determinados tipos de movimentação financeira.

Em relação ao senador, o órgão federal detalhou hora e data de cada depósito de R$ 2.000 feito entre junho e julho de 2017. Foram no total 48 depósitos, somando R$ 96 mil.

Em relação a Queiroz, o órgão também detalhou hora e data de saques e depósitos feitos em 2016. Este documento é, inclusive, a origem da investigação contra o filho do presidente.

8 questões sem respostas no caso Queiroz

O senador Flávio Bolsonaro tentou pela terceira vez bloquear a investigação que mira seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. 

O caso tem algumas dúvidas que são questionamentos que se sobrassaem em meio às mudanças e contraposição de versões.

As seguintes perguntas foram listadas em reportagem da Folha:

  1. Quem eram os assessores informais que Queiroz afirma ter remunerado com o salário de outros funcionários do gabinete de Flávio?
  2. Por que o único assessor que prestou depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro não confirmou esta versão de Queiroz?
  3. Como Flávio desconhecia as atividades de um dos seus principais assessores por dez anos?
  4. Se Flávio possui apenas uma empresa que foi aberta em seu nome, em 2015, como ele obteve R$ 4,2 milhões para comprar dois imóveis de 2012 a 2014?
  5. Por qual motivo Jair Bolsonaro emprestou dinheiro a alguém que costumava movimentar centenas de milhares de reais?
  6. De que forma foi feito esse empréstimo pelo presidente e onde está o comprovante da transação?
    Onde estão os comprovantes da venda e compra de carros alegadas por Queiroz?
  7. Por que há divergência entre as datas do sinal descrita na escritura de permuta de imóveis com o atleta Fábio Guerra e as de depósito em espécie fracionado na conta de Flávio?

Flávio Bolsonaro tenta pela terceira vez bloquear investigação na Justiça

Na Folha

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) propôs a terceira medida judicial contra a investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre supostas práticas de crimes em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

A peça da defesa, mantida sob sigilo, tem argumentos semelhantes aos apresentados pela defesa de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador e pivô da investigação, segundo a Folha apurou.

A defesa de Flávio aponta ilegalidades na decisão do magistrado de primeira instância, como falta de fundamentação.

A justificativa do juiz para as quebras dos sigilos toma um parágrafo do documento, adotando as razões expostas pelo Ministério Público em 87 páginas.

8 questões sem respostas no caso Queiroz

Quem eram os assessores informais que Queiroz afirma ter remunerado com o salário de outros funcionários do gabinete de Flávio?

Por que o único assessor que prestou depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro não confirmou esta versão de Queiroz?

Como Flávio desconhecia as atividades de um dos seus principais assessores por dez anos?

Se Flávio possui apenas uma empresa que foi aberta em seu nome, em 2015, como ele obteve R$ 4,2 milhões para comprar dois imóveis de 2012 a 2014?

Por qual motivo Jair Bolsonaro emprestou dinheiro a alguém que costumava movimentar centenas de milhares de reais?

De que forma foi feito esse empréstimo pelo presidente e onde está o comprovante da transação?
Onde estão os comprovantes da venda e compra de carros alegadas por Queiroz?

Por que há divergência entre as datas do sinal descrita na escritura de permuta de imóveis com o atleta Fábio Guerra e as de depósito em espécie fracionado na conta de Flávio?