Como a seleção para o gabinete de Styvenson tomou estas proporções, ganhou contornos de crise e o que ele tem a dizer

A seleção que o senador eleito Styvenson Valentim abriu para seu gabinete tomou proporções não esperadas por ele e por sua equipe e chegou a ganhar contornos de crise depois que o processo de transparência foi questionado.

O edital para preenchimento das vagas foi lançado nos dias seguintes à vitória do capitão da PM. Na semana passada, o resultado foi divulgado com os vencedores.

Nesse meio tempo, as dúvidas sobre os critérios da seleção foram levantadas.

A principal delas é que faltou objetividade na classificação. Os nomes dos vencedores foram apenas divulgados, não havendo informação sobre quais foram os requisitos e o peso de cada uma das três etapas do processo previstas no edital.

Para esta reportagem, o Blog do Dina recebeu reclamações que foram enviadas originalmente para o Blog do BG. A reportagem do Blog do Dina, então, ouviu algumas das pessoas que participaram da seleção. Todas pediram para ter o anonimato preservado, exceto o jornalista Anderson Barbosa.

O senador eleito Styvenson Valentim também foi procurado e atendeu ao Blog do Dina, com explicações neste outro post, respondendo os questionamentos levantados e reconhecendo um erro: “Errei ao não restringir a disputa apenas para o Rio Grande do Norte, porque passamos a receber currículos de todo o Brasil e do exterior, como do Canadá”.

O que dizem os envolvidos no processo de seleção de Styvenson e cuja transparência questionada

A seleção aberta pelo senador eleito Styvenson Valentim era para oito vagas no gabinete de Natal, mais cadastro de reserva. Segundo o edital, a seleção seria preliminarmente feita por equipe designada para tanto. Dessa forma, chegou-se a uma lista de nomes que seriam entrevistados. Posteriormente, as listas de selecionados foram filtradas para a etapa final: uma entrevista com o próprio senador eleito.

O resultado foi divulgado na semana passada, quando começaram as indagações pelos critérios de seleção que não estavam descritos no edital.

“Não acho justo participar de um processo seletivo com cadastro de reserva sem saber quem passou e a colocação de quem ficou na suplência. Como pode? Estou me sentindo usado como estratégia de marketing político”, reclamou um dos participantes.

Curiosamente, um dos suplentes topou falar abertamente. “Para mim foi um processo normal, transparente”, afirmou o jornalista Anderson Barbosa, que enfatizou que era informado de cada etapa da seleção através de email.

Outra fonte ouvida pelo Blog do Dina, sob a condição de anonimato, enfatizou que é um direito das pessoas questionarem a forma de seleção. “Foi um processo bem rigoroso, um dos mais rigorosos que já fiz. Ele sempre deixou claro essa história de combater favorecimentos e acredito que esse processo teve esse filtro também”, enfatizou um dos participantes.

O senador eleito se manifestou neste post.

Styvenson reconheceu um erro na seleção, diz que escolher o jornalista foi o mais difícil, mas defende a lisura do processo

Imagem: Reprodução Intertv

O senador eleito Styvenson Valentim afirmou ao Blog do Dina que o processo de seleção para seu gabinete foi feito nos mesmos moldes da seleção realizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, que também realiza seleção pública para cargos comissionados.

“O único erro foi não ter restringido o processo para pessoas do Rio Grande do Norte. Eu preciso de pessoas que conheçam o nosso Estado e que atuem aqui. Então, tivemos que desconsiderar currículos como o de um professor do Piauí”, afirmou. Ele relatou que chegou a casa do milhar o envio de documentos, mas que currículo por si só não era um critério decisivo.

Para ilustrar, ele cita a seleção para jornalista.

“Foi a mais difícil. Eu já tinha tido contato em entrevistas com muitos. No final, restaram três, a Glácia Marillac, o Anderson Barbosa e uma garota, muito boa, com um currículo incontestável, mas mesmo currículos muito bons precisam de prática”, disse. A vencedora dessa etapa foi a jornalista Glácia Marillac.

“Os jornalistas escrevem a narrativa do que está acontecendo para quem não sabe. Além disso, precisa estar aqui em Natal e sintonizado, antenado, com o gabinete em Brasília”, acrescentou.

Styvenson também explicou que critérios de seleção não foram colocados no edital pela própria natureza do processo, já que a última etapa seria uma entrevista com ele mesmo. Os participantes que falaram ao blog afirmaram que, nessa etapa, o senador eleito os inquiriu sobre trabalho em equipe e explorou perguntas baseadas no que eles mesmos tinham dito ao longo do processo de seleção.

Pelo que ele explicou, seria lógico, então, que ele não poderia colocar no edital que iria perguntar sobre coisas que os participantes teriam que descrever nos diferentes estágios da seleção.